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TBT | Jovens Bruxas (1996)

Se você, assim como eu, vivia o início de sua infância no final dos anos 1990, vai lembrar que a cultura pop estava começando a explorar elementos místicos e sobrenaturais sem organiza-los na caixinha do antagonista de filmes e séries. Ou apenas não colocá-los tão no lado das trevas. As bruxas estavam começando a ganhar maior espaço para as produções, e geralmente elas era colocadas como protagonistas que precisavam lidar com seus recém descobertos poderes, e aliar com sua vida mundana: Sabrina, Aprendiz de Feiticeira, Harry Potter despontava nos livros, personagens como Willow começam a interessar mais e mais o público. Chegava em 1996 nos cinemas Jovens Bruxas (The Craft), um filme que explorava a bruxaria e o conceito de sororidade clássico que vem ao lidar com bruxas, que mistura elementos de terror e misticismos, e que ficaria marcada como um filme cult de sua época, que ganhará uma sequência em Jovens Bruxas: Nova Irmandade.

Jovens Bruxas nos apresenta quatro jovens adolescentes, excluídas pela sua excentricidade das tribos escolares, e que juntas começam a lidar com o oculto e se tornam bruxas. Mas com o passar do tempo no uso indevido da magia, consequências irreparáveis acontecem, e a sede por mais poder e controle transforma as simples adolescentes em perigosas mulheres, até quando uma delas decide impedir as outras de continuar causando o mal para outros.

O longa acaba ficando datado quando percebemos design de produção, escolhas visuais e de fotografia, mas são bem atuais quando vemos os dilemas das personagens. Da depressão de Sarah (Robin Turner), as questões de insegurança com o próprio corpo de Bonnie (Neve Campbell), a violência causada a Rochelle (Rachel True) devido a cor de sua pele, e a agressão psicológica domiciliar sofrida por Nancy (Fairuza Balk) podem ser simplesmente trazida para o contexto atual, e que acharíamos que a produção apenas escolheu técnicas antigas, mas seria uma produção contemporânea.

Vista por alguém que já passou mais de 20 anos assistindo filmes e séries que trabalham estes temas, surpreende que na época que fora produzido, o filme trazia temas delicados, e mesmo que sempre tenha existido o racismo, depressão, violência doméstica e inseguranças, o longa surpreende pela forma que ele traz estas questões e usa de alegorias para mostrar a corrupção da vítima quando ela supera essas barreiras.

Existe um distanciamento natural dos diálogos que tira a sensação que estamos vendo adolescentes atuando. Os diálogos acabam destoando do que adolescentes estariam agindo, e por vários momentos esquecemos que estamos vendo personagens com seus 16-17 anos. Outro ponto que acaba se distanciando é a relação das protagonistas. Elas acabam se conhecendo de forma abrupta, mesmo depois do aviso a Sarah que Nancy, Bonnie e Rochelle eram as esquisitas da escola, até mesmo quando elas começam a conversar sobre bruxaria e dividir seus conhecimentos sobre o great work, não dando veracidade na criação deste laço de irmandade.

Mas o longa traz cenas memoráveis, como a cena das pragas: cobras, ratos, baratas, escorpiões, aranhas e vermes aparecem no pesadelo no terceiro ato do filme, personificando o medo da protagonista. Além da cena de levitação do Leve como uma Pena, Dura como Tábua, ou do efeito visual do Glamour na alteração visual da aparecia das personagens em outras. O longa engatinhava nestes elementos de terror e de efeitos visuais que ficariam marcados para a posteridade.

Jovens Bruxas não é um ótimo filme. Nem chega a ser bom. Como um fã desta produção, reconheço que o longa é divertido, aceitável, mas que acabou envelhecendo mal para algumas questões mais técnicas, foi revolucionário ao trabalhar questões sociopsicológicas a frente de seu tempo – não lembro qualquer outra produção da época, ou posterior, trabalhar de forma incisiva estes temas até a década de 2010. Jovens Bruxas é um filme que se tornou Cult ao passar do tempo, que tem um desenvolvimento raso, mas que acaba divertindo, mas destoa quando a questão é a credibilidade na personalidade adolescentes dos personagens, a formação do laço fraterno. Com cenas memoráveis de cunho de terror sujo, e abordando temas atemporais, Jovens Bruxas é um dos vários filmes que ganhará um revival-reboot-sequência, em Jovens Bruxas: Nova Irmandade, que chega nesta quinta aos cinemas brasileiros que já estão abertos.

Jovens Bruxas (The Craft)

Jovens Bruxas (The Craft) [1996]
3 5 0 1
Quando uma adolescente acaba de chegar na nova cidade após perder sua mãe, ela se junta a três excluídas na escola, onde desenvolve um laço de irmandade, e começam a praticar magia. Mas com o passar do tempo, e uso da magia indevido, consequências acabam acontecendo para todos ao seu redor, e a ganância por mais poder causa uma ruptura na irmandade.
Apesar de trabalhar temas atemporais de forma tão incisiva e contemporânea, cenas memoráveis de terror sujo, Jovens Bruxas se torna datado, e envelhecendo não tão bem e com um desenvolvimento abrupto no relacionamento das protagonistas, e destoa entregar personagens que são adolescentes em seus diálogos e atitudes.
3/5
Total Score


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