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A problematica de ‘After’ e porque NÃO devemos dar ibope aos filmes

After: Depois da Verdade‘ abriu no Rotten Tomatoes com 0% das críticas especializadas.

Em 2019 fomos agraciados com After, adaptação do livro de mesmo nome, que antes, era uma fanfic dos integrantes da boy band “One Direction” com Harry Stlies como personagem principal, bem famosa no Wattpad.

Fico me perguntando, o que Harry diria se lesse esses livros e soubesse que ele era o personagem principal dessa saga.

Bem, basicamente o livro conta a história de Tessa e Hardin, e como eles se conhecem, se apaixonam e vivem o pior relacionamento de todos, com vários sintomas explicitos de abuso, e não só da parte dele, mas dela também; e que me deixa ainda mais revoltada: de forma romantizada. Sim, Anna Todd escreveu um livro, para adolescentes, onde ela romantiza um relacionamento incrivelmente tóxico e abusivo, e não satisfeita com isso, conseguiu também uma adaptação cinematográfica de seus livros.

E você pode pensar “nossa, depois de todos esses anos, ela deve ter mudado o pensamento“, e não, se você acompanhar suas redes sociais, ela tem o maior orgulho de ter criado esses personagens. E não, os personagens NÃO evoluem ao longo dos livros.

E porque tudo isso, além do obvio, é problemático?

Primeiro, os livros tem publico alvo adolescentes entre 14/18 anos, crianças, se formos pensar bem, anos onde a personalidade e caráter ainda está em formação, em que muitas coisas são influências para eles. Imagine uma garota de 14 anos lendo todas as coisas horríveis que Hardin e Tessa fazem um com o outro e acha isso romântico?

Porque eles se amam

Uma mulher muda um homem

Crises de cíumes extremo é porque ele quer proteje-la“.

Todas essas frases são pensamentos que esses livros emanam. São o tipo de coisa, que fãs dos livros publicam em seus twitters para justificar as ações dos personagens, e pode parecer bobo, mas esses pensamento na adolescência, leva adultos a viverem em relacionamentos abusivos, porque acham que essas atitudes são “amor”.

Milhares de mulheres em todo o mundo todos os dias sofrem abusos físicos, sexuais e psicológico, são mortas, e tantas coisas horríveis, todos os dias casos e casos de feminicídio chegam aos departamentos de polícia, dia após dia, mulheres retiram queixas de violência doméstica por medo de morrerem, sofrem assédio sexuais e coisas piores, porque um dia acharam que atitudes como a do Hardin e da Tessa é sinonimo de amor.

Entende porque um livro assim pode ser influênciador?

Dito tudo isso, porque não devemos dar ibope para os filmes?

“Ah, mas nos filmes o Hardin não é desta maneira!”

Não?

Apesar de muuuuuitas coisas terem sido retiradas na hora de adaptar, no fim ele ainda fez uma aposta para tirar a virgindade de Tessa, e mostrou o lençol ensanguentado para seus amigos. Isso ainda é a premicia do problema no filme, e se você não acha isso abusivo e problematico…. amigo, tenho só um conselho: Psicólogo.

Mas isso não é tudo. Quando você escreve um livro com toda essa problemática, ele atinge um determinado público, menor se comparado com a quantidade de pessoas que tem acesso a um filme. Quando se traz um filme com esse tipo de temática, o alcance se torna inegavelmente maior, o que significa que mais pessoas terão acesso, e mais pessoas vão ser influênciada por esse tipo de pesamento contaminado.

Meninas que já podem estar vivendo esse tipo de relacionamento, ao ver esse filme pode acabar tendo a ideia de que atitudes babacas são sinonimos de amor. E NÃO SÃO!

Hero Fiennes-Tiffin e Josephine Langford em entrevista ao Entertainment Weekly, comentaram sobre isso: “As pessoas criticam por defender, tipo, um relacionamento tóxico, e precisamos enfatizar que isso é entretenimento. Não é um livro de regras para as pessoas seguirem e colocarem em suas vidas. Mas me entretém muito ver as pessoas falando sobre isso porque Hardin e Tessa não querem que seja tóxico, eles estão tentando lutar contra isso, e é por qualquer motivo”, afirmou Hero.

Vamos começar dizendo que CINEMA é sim uma INFLUÊNCIA imensa na formação da cultura social. E além de inflênciar um pensamento, ele também é um REFLEXO da sociedade. Então, sim, além de entretenimento, é um dito de regras que a sociedade já vive, e pode sim acabar afetando a forma de pensar de um indivíduo. Um livro é a mesma coisa.

Por isso críticamos, Hero. Porque o trabalho de vocês influencia milhares de adolescentes.

Então se temos personagens que agem em relacionamentos tóxicos, achando que isso é normal, além de ser um REFLEXO social, é também INFLUÊNCIA para que a sociedade continue achando que é normal. E NÃO É NORMAL.

Em pleno 2020 e se a gente continua a gostar, ver, comprar e dar ibope para esse tipo de conteúdo, gostando e achando que é normal, fica ainda mais difícíl vencer as barreiras do machismo estrututal e da cultura do estupro, que estão ainda tão irraizada em nossa sociedade. E já temos que lidar tanto com o dia-a-dia, que simplesmente ter esse tipo de conteúdo reforçando esses comportamento só torna tudo ainda pior. Enraiza ainda mais essa aceitação.

O filme abriu com 0% no Rotten Tomatoes, e poderia continar assim, e talvez, com sorte, não saia um outro filme, que reforça esse tipo de comportamento.

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