A Caminho da Lua

Já sabemos que quando o assunto é animação, nada se compara a Disney, ou seu outro estúdio, Pixar. A segunda, mais especificamente, provou que uma animação pode ser tanto uma história que encanta o público principal com cores, formas, humor e uma aventura mágica, ao mesmo tempo que carrega em seu cerne uma mensagem que apenas adultos compreende os detalhes. Mas já sabemos que a Disney não é a única que faz isso, e existem tantos outros estúdios com a mesma qualidade de criar algo tão genial. Animações não são apenas uma forma de produto para um público infantil, e A Caminho da Lua, nova animação da Netflix em parceria com o estúdio Pearl, leva uma diversão visual, musical e genuína para um público infantil, com a genialidade de abordar assuntos delicados que só que for adulto pega nas entrelinhas.

Longa segue Fei Fei (Cathy Ang), uma jovem determinada que após perder a mãe (Ruthie Ann Miles), tenta seguir em frente com seu pai, quando recebe a notícia que o mesmo está começando a conhecer outra mulher. Para provar a seu pai que ele não deve esquecer sua mãe, ela se apoia na lenda da Chang’e (Phillipa Soo), a deusa da Lua. Aliando seu conhecimento científico para provar que a deusa existe, ela constrói um foguete e parte para a lua com sua coelha de estimação, e dois clandestinos, seu futuro meio-irmão Chin (Robert G. Chiu) e seu sapo, e embarca numa aventura cósmica.

A animação como qualquer produto focado num público infantil tem vários elementos que chamam a atenção deste público. Mas está nas entrelinhas deste filme que acaba transformando a aventura numa jornada pessoal sobre superar o luto, aceitar a tristeza e ter empatia diante da depressão. Esteticamente o longa tem algo familiar: ela se assemelha na construção de animações da Disney. Até mesmo a trilha sonora, marcante elemento das produções do rato, aqui também se assemelham. Mas está semelhança acaba caindo para outra produção da própria Pearl, Abominável, que foca na construção de um mundo mais rico visualmente baseado na cultura chinesa.

Trazer de uma forma para um grande público a lenda de Chang’e foi uma sacada genial da produção, aliar a mitologia e religião da China, com a ciência. Toda a jornada de Fei Fei reflete na busca de Chang’e, e chega a tocar em assunto delicados. A lenda de Chang’e ressalta a perda da deusa da Lua, e que ela vive eternamente sem se amado; já Fei Fei perdeu sua mãe e não soube como lidar quando o pai seguiu em frente. Ambas acabam buscando algo já perdido, e no final vemos a mensagem sobre elas superarem a perda, a depressa pela perda, e seguirem em frente em suas vidas.

Apesar dos requisitos que transformam Fei Fei numa clássica princesa Disney (heroína de sua história, destemida, órfã, com um animação de estimação, e com um grande ensinamento a aprender sobre si mesma), o longa sabe ser único e inventivo, com músicas marcantes e momentos pop bem divertidos.

A Caminho da Lua é uma jornada de aceitar a perda, superar a depressa – em qualquer intensidade – e saber reconhecer que não estamos sozinhos, e que mudanças são importantes, e que mesmo difícil, seguir em frente sem esquecer daqueles que partiram. Aliada a uma mensagem poderosa, a trilha sonora e visual lúdico e cósmico entregam uma experiência familiar impressionante.

A Caminho da Lua

A Caminho da Lua
4 5 0 1
Após perder a mãe, uma jovem alia a ciência para conseguir provar a existência de uma deusa mitológica para seu pai não esquecer de sua mãe, mas acaba embarcando numa aventura cósmica de aceitação
Abordando temas delicados, longa sabe ser sutil e entrega uma aventura encantada para seu principal público enquanto leva uma mensagem sobre aceitar a tristeza, encontrar apoio e superar a depressão da perda com o apoio da família
4/5
Total Score
Postagens Relacionadas