Primeiras Impressões | Desalma

O suspense e o terror são dois gêneros de romances e histórias que mais ganharam notoriedade anos últimos tempos. Mesmo antes de grandes nomes contemporâneos, Stephen King, Alfred Hitchcock, entre outros já construíram sua reputação no sentimento mais primordial do ser humano: o medo. Ainda que pouco explorado pela cinematografia brasileira, o terror pode ser algo imprevisível, já que hoje em dia a comparação é inevitável, e esperar ser comparado a Jordan Peele e James Wan, sem contar roteiristas e diretores menores ou que não ganham tanto estrelato, pode ser injusto. Desalma, próxima série original Globoplay, e que ganhou grande destaque na CCXP 2019, começa como uma boa história de terror/suspense: entrega uma introdução satisfatória dos personagens e contextos, e ainda já dá indícios de perguntas misteriosas e sombrias a serem respondidas. Já conferimos o primeiro episódio da série, a convite da Globoplay.

Após o suicídio de seu marido, Giovanna (Maria Ribeiro) se muda para a cidade natal de seu falecido marido em Santa Catarina, uma colônia ucraniana, Brígida. Lá conhecemos os moradores e antigos conhecidos, amigos e familiares de Roman. Mas os habitantes dessa frígida cidade presentem alguma alteração perigosa e sombria.

Uma coisa é certa quando analisamos produções seriadas: um episódio não lhe dá material suficiente para analisar a história ou proposta. Do ponto de vista pessoal, séries – em seus vários formatos – são construídos como uma unidade de temporadas, que um elemento não lhe dá o suficiente para trabalhar. Mas a história presente neste único recorte da história deve ser intrigante o suficiente para manter seu público grudado na tela ou já apertar o botão para assistir o próximo. E este episódio consegue tal façanha. Mesmo que aconteça realmente algo na metade para o final.

Em sua primeira metade temos o básico de qualquer série: somos apresentados aos personagens, primeira de forma superficial, sendo jogados de um núcleo para o outro, e conhecendo-os aos poucos. Ao mesmo tempo que conhecemos a cidade que será o palco para os mistérios desta história. A partir da chegada de Giovanna e suas duas filhas a Brígida o estranho começa a surgir de forma sutil, mas de forma crescente até a cena final do episódio, que acaba deixando a sensação de querer saber mais sobre essa cidade.

É notável a qualidade técnica em diversos pontos apenas neste episódio. Os cenários são frigidos e sombrios, com cenários de florestas não tão aconchegantes; a cidade com suas construções antigas nós remete a algo parado no tempo, mesmo que estejamos em 2018 na história; a trilha sonora e trabalho de sonoplastia dosam altos e baixos em momentos para quebrar a sensação de calma momentâneo.

O cenário acaba lembrando de algum modo os cenários de Dark da Netflix, com o fator da cidade reclusa e cercada de uma floresta, que já mostra que será um dos cenários mais presentes para está história, além de termos um elenco jovem que ganha certo destaque, enquanto que o elenco adulto guarda um segredo sobre traumas do passado. Mas longe de estarmos vendo uma história de viagem do tempo e de realidade, a série já mostra que vamos ver algo mais relacionado ao sobrenatural do que científico. Além de estarmos acompanhando uma história próprias, com o elemento de trazer a questão da mistura de culturas que nosso país se desenvolveu. Ainda temos o fator que mencionam o desastre de Chernobyl, já que a colônia de Brígida tem uma relação sanguínea com o local do acidente.

Desalma já apresenta em seu cartão de visitas que se aventurará num gênero pouco explorado na dramaturgia e cinematografia brasileira, más que já em seu primeiro episódio não deixa a desejar, criando uma tenção sem torná-la maior do que é, ou esquecível, deixa inúmeros elementos de dúvidas e estranheza que criam teoria, além de ter uma direção de elenco muito boa e convincente em levar em poucas palavras ou ações a complexidade de seus personagens em apenas poucos minutos. Se fosse para dar uma avaliação a apenas este episódio, seria uma nota 4 de 5, pois só pudemos conferir o primeiro episódio.

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