Desafios do setor de cinema são destaque na abertura da Expocine

Ontem começou a Expocine em formato virtual, evento destinado para exibidores de cinema, imprensa e cinefilos conhecerem line-ups das distribuidoras e estúdios, conheceram novas tecnologias e segurança da sétima arte.

Com uma introdução do Diretor-Presidente da Ancine, Alex Braga Muniz, que fez um balanço de sua gestão, ele destacou o desafio de gerir mais de 10 mil projetos na agência.

É oportuno hoje fazermos uma avaliação de um plano de metas em termos de audiência, ingresso, ocupação de espaço. É importante o processo de remodelagem do audiovisual, para que a gente tenha uma perspectiva de horizonte virtuoso.

Em um formato inédito devido ao distanciamento social, o evento teve como primeiro painel uma conversa com o Presidente da NATO – National Association of Theater Owners, John Fithian, direto de Los Angeles, que já começou sendo franco quanto aos desafios da indústria de cinema frente a pandemia, os efeitos do lançamento de filmes como Mulan (The Walt Disney Motion Pictures) direto para o streaming e a importância do apoio governamental. O painel foi moderado pelo jornalista J. Sperling Reich, do site Celluloid Junkie.

Primeiro, a conversa foi focada no sentimento dos estúdios nos Estados Unidos em relação a reabertura do setor, que foi um dos que mais sofreu com a pandemia, e que ponderam sobre segurança tanto dos funcionários, quanto do público:

Em Hollywood, os estúdios estão com medo de lançar filmes nos cinemas. Temos conversado seguidamente com os estúdios sobre os adiamentos das estreias. Entendemos que tenham medo, mas precisamos sobreviver até que seja seguro uma reabertura de todos os mercados ao mesmo tempo. Não sabemos quando isso será. Verão de 2021? Verão de 2022?

Em determinado momento, John cita as gestão pública que o governo dos EUA tomou, favorecendo uma situação onde o fechamento completo das atividades tiveram que ser realizados para evitar maior tragédias da saúde pública, impactando a produção de conteúdo.

Peço desculpas aos meus colegas da América Latina pela forma como o governo americano lidou com a pandemia da Covid-19. A má gestão acabou provocando a situação que temos hoje de Nova York e Los Angeles com os cinemas fechados. E por isso os estúdios americanos não estão lançando os filmes. Nem mesmo aqui, onde muitas cidades já estão com os cinemas abertos.

Uma pauta da conversa também foi a divulgação dos dados de lucro de produções lançados diretos para streaming, como o caso do live-action de Mulan no Disney+, em comparação com a decisão da Warner em não revelar o arrecadamento de Tenet que foi lançado nos EUA no mês passado. O fato da não divulgação, apontado por John, é que esses filmes (e estúdios) se focam no lançamento nos cinemas, que o real lucro dessas empresa vem do setor exibidor.

Os estúdios querem que o cinema esteja lá quando acabar a pandemia. Eles lucram muito com o cinema. Tem um motivo para a Disney não divulgar os números do lançamento de Mulan no Disney+. É porque os resultados ficam aquém do que seria uma estreia nos cinemas. A Disney lucra muito com o cinema, é uma marca que nasceu no cinema.

John também aponta que o apoio para o retorno às salas também vem dos estúdios e dos produtores, “temos que acreditar que os estúdios são nossos parceiros. Conversamos muito com a Warner Bros, com (Christopher) Nolan. É disso que precisamos agora, de apoio“, aponta John sobre apoio neste momento de retorno a salas. “Lançar filme mudou com a pandemia. Não é mais uma corrida, é uma maratona. Os filmes ficam em cartaz muito tempo.

Um ponto levantado, continuando a pauta de divulgação de dados e transparência, John ressalta o caso Netflix sobre os dados,e ressalta que a arrecadação de filmes lançados nos cinemas são conferidos imediatamente no dia seguinte, e ao contrário do que se pensa, a Netflix não lucra com o produto lançado em sua plataforma, e que o sua não divulgação dos dados abre margem para questionamento sobre alcance e não lucro.

Você sabe como um filme performou no dia seguinte da estreia. Os dados do cinema são transparentes. Eu queria muito que os do streaming também fossem. É um mito que a Netflix seja lucrativa. Ela não tem tantas visualizações como quer dizer que tem.

John finaliza falando sobre as consequências financeiras da pandemia e o impacto neste ano, e reforça que o setor se reerguerá com o apoio dos governos e ferramentas de financiamento e fomento:

Dos US$ 11 bilhões do ano passado, talvez a gente consiga faturar US$ 3 bilhões este ano. Talvez. Em 2021, se a pandemia estiver sob controle, vamos vender muito. E em 2022, vamos voltar a quebrar recordes. É uma possibilidade. O que precisamos responder agora é como sobrevivemos até lá.

Precisamos do apoio dos governos para sobreviver a essa crise. Precisamos de empréstimos, de fomento.

A Expocine 2020 acontece entre os dias 15 e 16 de outubro em formato virtual.

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