Os 7 de Chicago

O período de guerras do século passado ficou marcado na história da humanidade como um período onde o limite da humanidade ultrapassou uma linha delicada. São inúmeras guerras, conflitos, tensões, artimanhas de governos para sobrepujar outros governos, mas aqui não é lugar de discutir história e política, mas levar a história sob a lente mais abrangente possível. Revisitar momentos históricos esquecidos pela população serve como uma justiça para acusados injustamente ou pelas vítimas causadas por erros humanos. Após ouvirmos a história dos 5 do Central Park na minissérie Olhos Que Condenam (When They See Us), de Ava Duvarnay, a Netflix lança mais uma produção baseada no caso real que aconteceu em 1969, Os 7 de Chicago (The Trial of The Chicago Seven), um emaranhado de ações sociopolíticas para justificar a condenação de oito líderes contra a guerra do Vietnã.

De uma forma bem conturbada, Os 7 de Chicago segue o julgamento de oito líderes de grupos progressistas dos EUA no final da década de 1960, a qual foram acusados de incitar a revolta durante a Convenção Democrata de 1968 em Chicago. Remontada com cenas durante a revolta em flashbacks, o longa foca sua narrativa para abordar como o sistema judiciário da época manipulava para incriminar e justificar a ida de milhares de militares na Guerra do Vietnã, e colocar os líderes como culpados para os eventos durante a Convenção Democrata em Chicago.

Vale ressaltar de imediato que, como já mencionei em outros artigos aqui, o cinema é um grande recorte da sociedade da época que a história se passa, e também da época que o longa é produzido, e serve como uma lente para levar a um público grande a história. E em Os 7 de Chicago serve bem seu propósito. Assim como Olhos Que Condenam que levou a história da injustiça judicial baseado na raça na década de 1980, Os 7 de Chicago tem como principal missão o fato de levar a mensagem de como um sistema maquinava para condenar pessoas contrárias a presença controversa estadunidense na guerra do Vietnã.

O longa em si dá para abordar inúmeros conceitos sociais e políticos da época, que este artigo ficaria tão imenso que não serviria a seu propósito primário. O longa é um típico filme que você não pode tirar os olhos da tela, nem perder tempo olhando o celular ou prestando atenção em outras distrações. Por se tratar de uma filme argumentado num julgamento, os termos coloquiais da profissão são presente, mesmo que em uma taxa bem pequena, o que acaba não deixando os discursos nichados demais que façam com que leigos e quem não esteja acostumado a este discurso percam o interesse.

O fato de manter o diálogo de uma forma simplista ajuda para assegurar a conexão com um público maior, mesmo que vez ou outra vemos termos em latin, ou termos jurídicos mas que ou são dispensáveis ou são de conhecimento comum. Esse diálogo é o principal cerne do longa: ela tem o intuito de levar a mensagem para um público mais amplo e ser ouvido por todos. Pois, como diz o cântico principal deste movimento “O mundo todo está assistindo” (The Whole World Is Watching!).

Além do discurso que prende a atenção do público para sua mensagem, o longa traz rostos muito conhecidos em um elenco enorme: Eddie Redmayne, Sasha Baron Cohen, Yahya Abdul-Mateen, Jeseph Gordon-Levitt, Jeremy Strong, John Carroll Lynch, Mark Rylance, entre outros. O longa soube bem dosar o momento de cada um dos atores, não apenas os principais, mas também os coadjuvantes, sem deixar que um ofuscasse o outro. Um dos destaques do filme fica com Yahya Abdul-Mateen, interpretando o líder dos Panteras Negras que fora acusado injustamente por ter incitado a revolta, e que ao longo do filme é mostrado como o sistema o priva de seus direitos legais, chegando a limites desumanos. Yahya tem um destaque perceptível desde sua primeira cena, desde suas falas políticas, judiciais e sociais fortes, seu trabalho corporal e atitude.

Os 7 de Chicago é aquele filme que tenta de forma brilhante levar a história de um pequeno recorte da vasta história da sociedade para o máximo de pessoas possíveis, e que ao tornar uma julgamento menos técnico possível, além de ótimas atuações, cria relações intrínsecas de uma época com a nossa atual, ao levantar questões como atos pacíficos com cunho político, justiça a protagonistas de movimentos contrários a instituições públicas, e que mesmo com alguns momentos cacofônicos, leva uma mensagem sobre encerrar guerras e honrar os mortos em um conflito controverso.

Os 7 de Chicago

Os 7 de Chicago (The Trial of the Chicago Seven)
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O que era para ser um protesto pacífico, se torna uma revolta violenta durante a Convenção Democrata de 1968, o que leva oito líderes de grupos contra a decisão de levar soldados estadunidenses na guerra do Vietnã em um julgamento caracterizado por falhas e questões socioraciais e políticas.
Em um filme onde a busca pela verdade é eclipsada pelo sistema que tenta justificar a participação controversa de seus militares numa guerra sobre domínio sociopolítico, oito líderes de tornam conhecidos quando o mundo ouviu o que eles tinham a dizer
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