Ratched

Ryan Murphy já mostrou que é um ótimo criador de histórias que chamam a atenção de seu público. Usando de arquétipos nada convencionais, seus personagens saem das páginas dos roteiros e telas, e ganham o mundo em forma de símbolo, memes ou por frases ditas dentro da trama. Seja personagens originais e muito humanos, com toda a liberdade criativa, ou personagens inspirados em personalidade já conhecida que precisa se limitar a criação original. Ratched pode se encaixar neste último, um personagem já conhecida de outra mídia, e que Ryan conta sua história de origem, mas diferente de outros histórias de Murphy, Ratched apenas se sustenta pela atuação do que pela sua história.

Baseada na personagem do romance e do filme, Um Estranho no Ninho (1975), Ratched segue a enfermeira Mildred Ratched (Sarah Paulson) que começa a trabalhar no hospital psiquiátrico Lúcia, onde ela manipula outras enfermeiras e médicos para conseguir alcançar seu objetivo, de proteger um paciente levado até lá por ter cometido um assassinato de quatro padres. Neste meio tempo, descobrimos que ela e o prisioneiro são irmãos, e vários personagens entram neste emaranhado de histórias que tornam sua missão mais complexa.

Imaginar a origem de um personagem já estabelecido pode ser uma faca de dois gumes: pode ser tão interessante que temos mais informações para admirar ou odiar um personagem – se o objetivo é este – ou podemos estragar a imagem que temos dele de uma obra original. Ratched, mais limitado ao filme, é uma personagem misteriosa, mas ainda assim extremamente controladora, e vemos isso muito bem na atuação da atriz Louise Fletcher, que mesmo sendo uma coadjuvante que aparece pouco, sua presença é sentida naquele ambiente. Mesmo Paulson fazendo um excelente trabalho – que seria redundância – em pouquíssima coisa sua Ratched se assemelha a vencedora do Oscar. E assistir o filme antes da série pode causar uma má impressão para a série.

Um problema de Ratched e que nem mesmo as ótimas atuações dos atores faz você esquecer, é a quantidades desnecessária de sub-arcos, personagens e histórias que não precisariam ser contadas. Ainda no primeiro episódio, existe um controle narrativo bem focado: Ratched está naquele lugar por um motivo, seja ele nobre ou não, mas sua mentira para conseguir o trabalho vai se revelando aos poucos, e é previsível sua relação com Edmund Tolleson (Finn Wittrock), mas que ao passados dos próximos episódios, a história se perde em inúmeros arcos que não acrescentam quase nada.

O investigador/assassino contratado pela burguesa que quer vingança pelo seu filho, um psicopata; o político que vê as questões da saúde mental descartáveis, mas que quando o assunto é o paciente serial killer ele se torna tudo num show para sua reeleição; o próprio ambiente das enfermeiras tem a chefe iludida pelo seu amor pelo médico que a despreza, e vive infernizando a personagem título, tem a ninfomaníaca com inclinação para o perigo; a lista é interminável. Todas essas histórias tomam tanto tempo em tela, e todas circunda a perosnagem principal que há um certo desgaste para continuar acompanhando.

Esse desgaste acaba sendo rebatido pela atuação, que essa sim sofre demais com a narrativa arrastada e cheia de personagem e histórias que apenas inflam sem dar nenhum contexto significativo. Sarah Paulson literalmente carrega a série nas costas, aliada a ela tema Sharon Stone, que quase que irreconhecível, também se destaca quando aparece na história; Cynthia Nixon entrega uma química incrível em tela em todas suas aparições com Sarah; ainda temos Judy Davis, a arqui-inimigade Ratched, e Sophie Okomedo que rouba a cena nós 40 minutos do segundo tempo, interpretando uma paciente com múltiplas personagem.

Ratched parece um grande saco de batatinhas da onda, inflada com 60% de ar e o resto várias batatinhas quebradas e imperfeitas, com poucas batatas intactas que fazem você deixar para comer por último, para saborear a perfeição. A série ainda tem um tratamento visual impressionante, com uma ótima fotografia, sem com a presença do verde em alguma tonalidade em todas as cenas, e usando o contraste com laranjas e vermelhos, mas se não fosse pela escalação do elenco, e principalmente de Sarah Paulson, não teria chegado para muitos.

Ratched

Ratched
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Baseado na personagem do romance e no filme Um Estranho no Ninho, Ratched segue os planos maliciosos e sádicos da enfermeira para atingir seu objetivo no hospital psiquiátrico
Um emaranhado de personagem e arcos desnecessários que fazem você perder o foco e o interesse na história, e só acompanhe pelo excelente trabalho de atuação dos personagens, com destaque para Sarah Paulson, Cynthia Nixon, Sharon Stone e Sophie Okomedo
2/5
Total Score
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