Magnatas do Crime

Faz tempo que um filme sobre um império de crime, uma máfia ou uma família que opera uma grande operação ilícita surge no horizonte dos cinemas. A trilogia aclamada pela crítica O Poderoso Chefão, a série de sucesso da HBO Os Sopranos, foram basicamente os principais nomes deste subgênero da ação que tiveram grande notoriedade e que são referência para várias produções posteriores. Mesmo ficando muito clichê ou que fuja completamente da realidade, esse subgênero pode ter seu renascimento muito em breve com Magnatas do Crime, filme de Guy Richie, que sofreu com o adiamento devido a pandemia, mostra quase que quebrando a quarta parede, como construir um filme cheio de intrigas e artimanhas do mercado ilícito de entorpecentes e crimes de poder, com uma ode implícita ao cinema.

A história começa quando um investigador começa a relatar a história de Mickey Pearson (Matthew McConaughey), um rei do comércio de maconha na Inglaterra, que planeja se aposentar e vender sua rede de fazendas de produção de maconha pela terra da rainha para um outro traficante, mas seu plano não acaba bem quando entram em cena um aspirante a rei do tráfico chinês aparece interessado em suas posses e um grupo de jovens lutadores surge para estragar seus planos.

Guy Richie quase atua como um pai para este filme: ele dirige, roteiriza a produção e produz também. Faltou apenas contracenar para fechar a lista. Mas diferente das últimas produções mais blockbuster do diretor, Magnatas do Crime começa como uma grande cortejo ao cinema, brincando com a própria resoluções de tela, clichês cinematográficos e mecânicas narrativas de jornada do herói, ao mencionar esse pontos, além de construir o protagonista, aliado a narração do personagem Fletcher (Hugh Grant). Mais da metade do longa é uma internarração do próprio Fletcher, que conta como foi o nosso protagonista Mickey de um aspirante universitário ao rei do comércio de maconha na Inglaterra, em uma conversa direta com o braço direito do próprio Mickey, Ray (Charlie Hunnam).

O longa, desde seu material promocional, trailers e pôsteres parecia se basear numa estética mais setentista quase oitentista, mas que nada mais é o estilo visual dos personagens: uma máfia oriental dona de um estabelecimento que lava o dinheiro de seu tráfico; o “técnico” clichê de boxe e lutas marciais que cria um grupo quase criminoso; o segundo no reinado do tráfico sofisticado que anseia pelas posses do rei; e o rei do mercado ilícito, apaixonado pela sua mulher, e que tem inúmeros capangas e nenhum escrúpulo para proteger sua mulher, seu império, e sua vida, exatamente nesta ordem.

Apesar dos clichês, e pela quantidade de personagens, o diretor/roteirista conduz bem a história para não ser maçante, ou o telespectador ficar perdido pela quantidade de personagens. Ponto que reforço como a construção de personagens é importante, ainda mais para uma produção limitada (como o cinema) e que precisa criar empatia em um período curto de umas duas horas e não deixar nenhuma ponta solta. Os personagens tem suas personalidades bem resolvidas em poucos minutos ao aparecer, e a forma direta para alguns, e mais demorada para personagens com maior destaque permite trabalhar a história, que abusa de clichês clássicos do subgênero de impérios de crimes, como forma de construir o personagem.

Sabemos que Fletcher, nos primeiros minutos, é um traiçoeiro aproveitador, que troca sua lealdade para conseguir o que quer, beirando ao covardismo de suas ações; Ray é o típico braço direito, que por mais bruto que o ator seja conhecido, entrega um personagem com certo requinte, e sabe o que é preciso fazer para manter o império de seu chefe intacto; Mickey é um chefe do tráfico como o próprio título original entrega The Gentleman, um cavaleiro em quase todas suas relações comerciais, e pessoais, e que só tem um ponto fraco, sua esposa, Rosalind (Michelle Dockery), que de frágil, ingênua e inocente não tem nada, e que comprovamos que ao lado de todo homem poderoso, tem uma mulher ainda mais poderosa e temível.

A sinergia da narrativa, com a construção dos personagens, as personalidades, visual datado numa época onde as redes sociais dominam, além de uma ótima trama sobre máfia e crime organizado, colocam Magnatas do Crime como uma obra quase perfeita. Devido a sua quantidade grande de personagens – mesmo que bem trabalhada – e alguns exageros clássicos do subgênero, Guy Richie difere dos seus últimos trabalhos de grande orçamento, com aventuras épicas, e deixando uma história mais terrena, e que se desenvolve nas sombras, tem um potencial para estar nas principais premiações do ano que vem, com um roteiro inteligente e perspicaz, um trabalho de personagens bem interessantes e bem construídos, além de criar grande empatia na maioria dos personagens com o público, mesmo que suas ações sejam nada virtuosas.

Magnatas do Crime (The Gentleman)

Magnatas do Crime (The Gentleman)
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Uma rede gigante de tramas para destronar o rei da indústria de maconha na Inglaterra encontra motivos para continuar no poder e ainda entrega uma obra visual com boa construção de personagens
Uma rede gigante de tramas para destronar o rei da indústria de maconha na Inglaterra encontra motivos para continuar no poder e ainda entrega uma obra visual com boa construção de personagens
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