A Maldição da Mansão Bly

Antologia que teve inicio com “A Maldição da Residência Hill“, desta vez temos a história da Mansão Bly, que foi inspirada no livro “A Volta do Parafuso” de Henry James, obra esta que já serviu de base para filmes como “Os Inocêntes” de 1961, dirigido por Jack Clayton e um mais recente intitulado “Os Orfãos“, dirigida por Floria Sigismondi, que estreiou dia 30 de janeiro deste ano.

A Maldição da Mansão Bly é ambientada na década de 1980 na Inglaterra. Após a trágica morte de uma babá, Henry Wingrave (Henry Thomas) contrata a jovem americana Danielle Clayton (Victoria Pedretti) para cuidar de seus sobrinhos órfãos Miles e Flora (Amelie Bea Smith e Benjamin Evan Ainsworth) que moram na Mansão Bly com o motorista Owen (Rahul Kohli), a jardineira Jamie (Amelia Eve) e a governanta Sra. Grose (T’Nia Miller). No entanto, séculos de segredos sombrios envolvendo amores e perdas estão prestes a serem descobertos nesta história macabra.

Cr. EIKE SCHROTER/NETFLIX © 2020

Uma das coisas que mais me chamou atenção sobre a Residência Hill, foi a abordagem escolhida para contar sua história, e como eles conseguiram criar todo o suspense ao longo dos episódios sem precisar ficar a todo momento usando de jump scare. A forma como eles apresentam os personagens e a forma como conseguiram contar a história sem se perder é uma das melhores coisas da primeira antologia, e meu receio maior para essa segunda adaptação é que eles não conseguissem manter o nível, e graças a Deus, eles mantiveram.

Eu não sou muito chegada a histórias de terror, e são poucos os filmes e séries neste gênero que me agrada, e A Maldição da Mansão Bly está entre os poucos que me ganharam, porque conseguiram de uma forma muito inteligente, contar uma história onde a cada episódio você cria uma teoria diferente do que pode acontecer, e no fim a série ainda consegue te surpreender porque não era nada do que você está esperando.

Victória Pedretti retorna para esta segunda temporada, agora como uma professora americana que já está em Londres a seis meses, e se candidata à vaga de tutora dos orfãos da Mansão Bly. Eu acho surpreendente como a Victória consegue fazer um personagem que ao mesmo tempo que é muito diferente, consegue ser muito parecida com a Eleanor Crain. Sem spoilers, digo apenas, que uma personagem lembra muito a outra, mas ao mesmo tempo suas personalidades são completamente distintas.

Cr. EIKE SCHROTER/NETFLIX © 2020

Aqui vale um destaque imenso para a atuação de Benjamin Evan Ainsworth, que vive o Miles, principalmente porque seu personagem tem constantes mudanças de humor e de personalidade e a forma como ele consegue navegar por essas ocilações é incrivel. Ele é incrivelmente expressivo, e a forma como seu olhar muda, é de arrepiar.

Os longos diálogos profundos sobre a morte, a vida e os problemas reais que as pessoas tem são um dos destaques da série, e assim como sua antessessora, trás discussões e levanta questões sérias sobre relacionamentos pessoais e interpessoais, e também sobre como lidamos com tudo isso. Parte do que me chama a atenção nestas antologias, é que ambas conseguem implementar assuntos que são relevantes, em suas obras, sem perder o místico do mundo espiritual.

A fotografia, a cenografia e toda iluminação é um conjunto perfeito que cria uma atmosfera perfeita de suspense na Mansão, e diferente do usual, temos bastantes cenas em ambientes claros. E claro, a trilha sonora fecha com chave de ouro e finaliza a criação de uma atmosfera sinistra.

Com nove episódios de aproximadamente uma hora, A Maldição da Mansão Bly, cria uma sequência que mantém sua qualidade, e traz uma nova perspectiva da obra de Henry James, com personagens incríveis, uma história bem contada e que está apesar de estar dentro do clichê dos terrores, consegue se destacar por saber bem como se desenvolver.

Disnponível na Netflix a partir de 09 de Outubro.

5/5
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