A Industria do Cinema e da Cultura no Mundo Pós-pandemia

Aqui no Brasil, já há seis meses desde o inicio do Isolamento Social, a interrupção das atividades dos cinemas, teatros, museus e cancelamento de muitos shows e eventos, ainda fica uma pergunta: Como ficará a indústria do entretenimento pós-pandemia?

Apesar de muitas previsões do que se pode acontecer, e várias opiniões de especialistas, parece que todos têm em comum a resposta “ainda é incerto saber” e essa resposta pode ser preocupante para aqueles que produzem os conteúdos dentro desta indústria. Mas uma coisa é certa, o mundo não voltará a ser como antes. A forma de se consumir os produtos culturais mudaram muito neste período de isolamento. As plataformas online ganharam muita força, os artistas se desdobraram na criatividade e na inovação para continuar a ter seus produtos em cena.

É certo que é a primeira vez que o cinema enfrenta uma questão desta magnitude desde sua criação lá no fim do século XIX.

A cultura no Brasil sempre teve um grande desafio de aceitação, e entre muitos altos e baixos, não só no dito popular, mas também pelo Estado, desde 2018 vem enfrentando uma grande paralisação por motivos de viés ideológico, que além de ir contra a constituição brasileira, também atrapalha e prejudica o trabalho de milhões de pessoas. Em 2018, o setor cultural era responsável pela ocupação de 5,2 milhões de brasileiros, de acordo com pesquisa do IBGE. Teatros, shows, cinemas, festivais… todos esses espaços culturais são movidos por uma premissa: precisam de gente. Não só gente para assistir, mas também para fazer com que tudo aconteça.

Essas mesmas pesquisas mostram que, com o distanciamento social imposto pela Organização Mundial da Saúde em combate a pandemia do novo coronavírus, os prejuízos da cultura no Brasil podem superar a casa dos R$ 100 bilhões. E isso afeta ainda mais a cadeia produtiva e também pode vir a mudar a forma como se produz cultura aqui no país.

Alguns analistas sugerem dois prováveis cenários para a industria no pós pandemia: a primeira é que logo que o isolamento social oficialmente ser suspenso, haja uma explosão de consumo de produtos culturais – e não só do cinema, mas que também haja crescimento no consumo de outros tipos de arte, como museus, eventos, shows, entre outros. Assim como aconteceu no passado, após o surto de gripe espanhola em 1918. Ou, pode ser que as pessoas não voltem a consumir como antes, evitando grandes aglomerações e isso acabe prejudicando muitas casas culturais.

Mas estamos falando do Brasil, então podemos supor que o primeiro cenário seja mais provável.

Um grande exemplo disso é a pesquisa realizada em maio pelo Movimento #Juntospelocinema, onde 75% dos jovens entre 16 e 24 anos respoderam que o que sentem mais falta é do cinema e que devem retornar rapidamente às salas e 80% dos jovens ainda afirmam que, no futuro, a frequência de ida ao cinema deve se manter igual ou maior ao que era antes da pandemia.

Ainda torcendo para que as ciências faça seu “milagre”, uma vacina saia, e o mundo volte a girar, com tudo que vem acontecendo, o isolamento, as mudanças de hábitos e consumo, finalmente o brasileiro aprenda a valorizar a cultura como algo essencial na vida e no dia-a-dia, porque com certeza deve ter sido bem dificil sobreviver a seis meses de isolamento sem ao menos ter consumido um filme, uma série, uma música ou um livro.

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