Freaks – Um de Nós

As últimas críticas e artigos de filmes e séries do subgênero de super-heróis neste site tem algo em comum: eu venho sempre apontando que este subgênero está caminhando para uma saturação que pode ser algo negativo. O que antes era alguns filmes do Batman ou do Superman em um período irregular e mais espaçado, um ou outro filme dos X-Men que divertia do anterior, e a tentativa de fazer algo tão bom quanto o segundo Homem-Aranha do Sam Raimi, desde a Marvel trouxe o MCU para o mundo, o gênero se vê a cada mês com um novo grupo ou super-herói adaptado e leva a uma saturação cansativa. E na última semana recebemos mais um universo original de super-heróis, desta vez uma visão alemã de superpoderosos, os Freaks, original Netflix, que não tenta ser tão pretencioso a ponto de querer construir um megagrupo, mas que tem potencial num público menos exigente.

O longa acompanha Wendy (Cornelia Gröschel), uma jovem mãe que trabalha numa loja de conveniência num posto, que tenta pagar as contas e manter seu filho em segurança. Retraída e com uma personalidade introspectiva, ela tem sua vida alterada ao abandonar seus remédios que controlam seu humor após um encontro com um morador de rua que afirma que ela é uma “deles”, e a partir deste momento ela descobre ter superpoderes. Aproveitando de suas novas habilidades ela descobre que há uma organização que tenta reprimir pessoas como ela, enquanto enfrenta um possível supervilão.

A produção alemã de longe não é uma superprodução como o que vemos na Marvel ou na DC, até mesmo outras produções que já não tem um background mais conhecido, como Umbrella Academy e The Boys. Até mesmo em seu desenvolvimento narrativo. O longa não aprofunda na origem desta nova “espécie” de humanos com habilidades, mas deixa aberto a interpretação. A própria produção passa a ideia de despretensioso mesmo que seu final sobre a sensação de criar uma sequência.

Apesar de seu roteiro parecer despretensioso, quando vemos pelo ângulo de construção de personagem, o longa segue a cartilha das atuais produções do gênero de super-herói: os clássicos dilemas mundanos da personagem entram em conflito com sua “vida” de superheroína, ao mesmo tempo que abusa dos clichês de filmes do gênero. Pode parecer que esteja pegando no pé da produção, mas apesar da ótima construção do antagonista do filme se coerente, a motivação acaba sendo muito infantilizada. Elmar começa como um jovem de família rica que não se sente confortável com os privilégios que tem, ao descobrir seus poderes ele cai de cabeça e reproduz inúmeros clichês dos quadrinhos de vive lendo, até levar essas ideias ao extremo de ser um vilão.

Freaks: Um De Nós pode ser despretensioso e criar algo novo na mesmice da saturação do gênero de superheroi, mas não se destaca tanto pois a semelhança de seus arcos e ações parecem repetidos ou semelhantes a outras produções, e deixa no ar se haverá ou não uma sequência, já que muitas perguntas foram deixadas, e quase nenhuma resposta foi respondida neste filme. Vale ressaltar que até uma cena pós-crédito deixa mais dúvidas se haverá uma sequência.

Freaks - Um de Nós

Freaks - Um de Nós
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Depois de encontrar um homem misterioso, uma cozinheira descobre que tem superdores e descortina uma conspiração de sabor amargo.
Depois de encontrar um homem misterioso, uma cozinheira descobre que tem superdores e descortina uma conspiração de sabor amargo.
3.8/5
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