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Estou Pensando em Acabar com Tudo

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Quando uma viagem extrapolando limite da realidade e numa linguagem metafórica uma simples visita a casa dos pais de seu namorado se torna uma viagem introspectiva de sua psiquê, temos um filme feito para se questionar sobre a realidade que se vive. Charlie Kaufman abrange está discussão ao nós apresentar Estou Pensando em Acabar com Tudo, uma viagem não apenas física mas metafísica com elementos de cinematografia que constrói a confusão da personagem principal.

A história segue uma jovem (Jessie Buckley) que sai em viagem com seu namorado (Jesse Plemons) até a casa dos pais dele. Mas ao longo desta viagem ela se questiona em terminar este relacionamento, ao mesmo tempo que se questiona sobre a realidade ao conhecer mais sobre seu namorado, seus pais e se depara com a incerteza de sua vida.

Uma coisa é inegável: Kaufman sabe trabalhar a fotografia e câmera de sua história. Seja num ambiente angustiante que é dentro de um carro por mais de trinta minutos, no meio de uma nevasca, sem poder sair desta situação, seja a claustrofóbica casa aconchegante mas caótica dos pais do namorado, além de usar enquadramentos e movimentação de cenas mais artísticas. Seja movimentos de câmeras mais suaves numa mesa de jantar, seja a saída do foco da atuação para um ponto estático, o diretor transporta o telespectador para dentro desta viagem.

O longa deixa em aberto o que estamos vendo, principalmente na sua construção de camadas do longa, que seja um drama psicológico, ou até um terror psicológico. A primeira sensação que você tem é a de ser um drama mais introspectivo, principalmente no primeiro ato, quando vemos um longo diálogo entre os dois principais personagens. Já no segundo ato, quando chegamos finalmente na casa dos pais, o filme se transforma em um suspense psicológico, deixando em aberto questões que vivenciamos em filmes de terror e suspense, e nos questionando sobre a sanidade dos personagens, e ficando claro que tudo pode acontecer, sempre tendendo para a pior situação.

Quando chegamos ao terceiro ato já estamos tão familiarizados pelas camadas narrativas e os questionamentos que esperamos por uma grande revelação de reviravolta, e aliado a cenas inseridas ao longo do filme que não são tão relacionadas a história, que aos poucos, pequenos elementos transportam de um para outro, criando uma nova interpretação de que tudo não seja apenas uma grande alegoria.

A relação de Jessie Buckley e Jesse Plemons é uma interação dúbia, em momentos de diálogos que sentimos uma veracidade no relacionamento deles e nos questionamos das ideias dela de acabar com tudo; a outra parte mais da posição quase passiva da personagens em aceitar toda afirmação de seu namorado, fazemos nós mesmo indagar sobre a personagem principal e sua condição com seu namorado, até mesmo quando ela está mais introspectiva e sempre é questionada pelo namorado, dando a entender que talvez ele saiba de algum coisa.

Mas quem rouba a cena é o casal que faz os pais do namorado, interpretados por Toni Collette e David Thewlis. Eles se apresentam de três formas distintas, representando os três momentos de seu relacionamento, e em todas eles entregam personagens que servem como espelho para o casal principal, mas elevam sua interpretação a mais ao questionamento de aprisionamento do casal a repetir os mesmos passos dele, e eles serem um reflexo futuro dos mesmo.

Estou Pensando em Acabar com Tudo é uma viagem em todos os sentidos possíveis. Literalmente uma viagem dos personagens a se conhecerem mais profundamente, mas também uma viagem ao telespectador que viaja em camadas narrativas que constrói o filme, que fica tão aberto a interpretação, que nunca será o mesmo ao assistir uma outra vez, destacando o trabalho da câmera e da fotografia, e na construção de diversas alegorias sobre conhecer a si mesma.

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Estou Pensando em Acabar com Tudo

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Quando uma viagem inocente até a casa dos pais se torna uma viagem interna sobre realidade, futuro, controle e relacionamento, o longa transforma uma experiência cinematográfica repleta de camadas narrativas em um leque de interpretação

  • Interpretação aberta dos acontecimentos
  • Ótimo trabalho de câmera e movimento
  • Cinematografia que conversa com o sentimento da protagonista
  • Destaque para Coadjuvantes, em especial para Toni Collette
  • Múltipla narrativa de gênero
  • A incerteza narrativa que o filme se propõe
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