The Boys (2ª Temporada)

Quando foi anunciado que uma das séries de quadrinhos mais controversa ganharia uma adaptação seriada, muitos ficaram com o pé atrás. The Boys era tudo menos conhecida como uma HQ de grande público, uma vez que os temas que abordava era pesados e não era voltado para um público amplo. Mas sua estreia no ano passado – mesmo voltada para um público adulto – e ainda uma estreia em alta provou que era o tempo certo para The Boys ganharem um rosto. O segundo ano que chegará aos poucos a partir de setembro no Prime Video reforça o porque ter uma série que brinca com extremos para passar uma mensagem social e relevante.

Com os Garotos procurados pelos heróis e por toda nação como terroristas que mataram Translúcido (Alex Hassell), Hughie (Jack Quaid), Milk (Laz Alonso), Frenchie (Tomer Capon) e Kimiko/Female (Karen Fukuhara) seguem escondidos e tentando derrubar a Vought e todos os Supes que continuam agindo sem medir as consequências de seus atos heróicos. Ao mesmo tempo, a Vought tenta lidar com a morte de Translúcido e de Madelyn Stillwell (Elisabeth Shue), e uma nova diretoria assume esse buraco de liderança e organização que Madelyn dava aos Seven. Após a aprovação dos Supes atuando em missões com os militares, novas ameaça de superterroristas evocam uma situação de medo na população.

Se é para falar de críticas sociais, The Boys sabe conduzir a história para entregar uma discussão com uma tênue linha entre o exagerado e o crítico. Se a primeira temporada a série brinca de forma série sobre abuso de poder, assédio corporativo, assédio sexual, questões morais e éticas e comparativos onde se coloca superpoderosos em pedestais inalcançáveis, a segunda temporada não deixa de lado suas cenas exageradas e viscerais – bem exemplificada na primeira cena da primeira temporada e que é o estopim para o começo do envolvimento de Hughie – mas no novo ano ele passa a abordar temas mais sensíveis e bem mais pesados, e deixa a discussão mais séria, tomando um corpo dentro da realidade que vivemos.

Enquanto que a sensação da primeira temporada deixa flutua entre o sério ou o exagerado, embora importante ser abordada, a segunda coloca o pé num tema delicado, mas ainda vivo, e seu desenvolvimento não deixa brecha para ser visto apenas de um lado – o mais sério – mas também abre espaço para assimilar seu exagero. Suas conhecidas cenas viscerais, continuam, não maiores, nem menores, mas na medida para contar uma história, e você até fica receoso ao contemplar uma cena com poucos sons, cenas mais intimistas, esperando aquele momento de ver sangue voando, e corpos desmembrados.

Um ponto muito positivo para a segunda temporada é que o roteiro permitiu explorar e aprofundar mais os personagens que foram deixados de lado na primeira: conhecemos melhor Maeve (Dominique McElligott) e dá tempo para simpatizamos com ela; vemos mais de Black Noir (Nathan Mitchell). Do outro lado começamos a ver melhor mais camadas de Frenchie e Milk, além de conhecermos melhor Kimiko. Mas o principal destaque fica para Stormfront (Aya Cash), nova supe contratada pela Vought, que serve tanto como uma antagonista a altura para Homelander (Antony Starr), quanto uma peça importante para os Seven se reconstruir após a perda de Translúcido e Madelyn.

The Boys de mantém fiel a construção narrativa sem amarras com o politicamente correto dentro da construção de uma série, que sabe introduzir piadas a estes momentos exagerados, e sabe falar sério indo precisa, e que entrega nas entrelinhas mensagens sociais que gritam na representação dos heróis e como eles se posicionam na sociedade construída na série, e em um momento menor, trabalha a saúde mental de alguns personagens que entregam camadas complexas para construir personagens que as pessoas conseguem se relacionar, e personagens que conseguir sentir aversão instantaneamente.

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