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Project Power

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Eu já devo ter mencionado aqui inumeráveis vezes que estamos numa era bem saturada de superpoderosos e super-heróis, sejam eles vindos dos quadrinhos, ou histórias mais romantizadas, até de ideias originais, tanto filmes quanto séries estão se fartando deste mundo o quando podem enquanto ainda estiver em alta. Mas mesmo estando em alta, algumas produções podem sair um pouco da linha e só se vender como uma história de superpoderes e deixar uma história rasa, como é o caso de Project Power, ou que chega no Brasil apenas como Power.

Power segue a história de três protagonistas improváveis: uma jovem adolescente retraída que tenta ganhar a vida vendendo a droga do momento, Power, nas ruas para ajudar sua mãe com sua doença; um “jovem” policial que usa de artifícios ilícitos para impedir o aumento da criminalidade com o uso do Power; e um ex-militar, que busca encontrar sua filha que fora sequestrada pelos cabeças da organização que produz o Power. Todos esses personagens acabam se encontrando e unindo forças para impedir uma trama mais obscura nas ruas de Nova Orleans.

Só pela sinopse, o filme se vende de uma forma bem generalista, mas o que poderia se destacar por um diferencial, ou abordar grandes temas sociais – e até históricos e científicos – o longa apenas arranha a superfície, se limita a entregar uma história de aventura com superpoderes bem genérica, sem grande aprofundamento nos personagens e questões subliminares. Poderia explorar o abuso de entorpecentes, o tráfico dos mesmos, questões parentais relacionados ao Major (Jamie Foxx) e a Robin (Dominique Fishback), os abusos policiais e a corrupção do sistema, mas o filme apenas passa pela superfície e não mergulha em um ou outro ponto. Até mesmo a menção ao caso de Henrietta Lacks é mencionado como uma alusão ao pretexto usado para justificar as ações do grupo vilão.

O roteiro é algo que parece que não sabe construir laços entre os personagens de forma mais efetiva. Tem algumas falas e cenas que soa boa para construir a relação de paternidade entre Major e Robin, uma relação mais fraternal entre Frank (Joseph Gordon-Levitt) e Robin, mas eles são desequilibrados como mais cenas que são incômodas e convergem para o que estamos assistindo. Vide como foi a primeira vez que Major e Robin acabam se conhecendo em comparação com a cena final.

O longa ainda usa e abusa do recurso noturno para mascarar os efeitos especiais, e as poucas cenas diurnas ou estão em ambientes fechados que requer inúmeros cortes ou possuem muitos acessórios no cenário que confunde para vermos uma cenas mais coreografada, ou mostrando os poderes sobre-humanos. A única cena que usa da luz do dia vem do fato de mostrar a habilidade de camuflagem que de longe é um grande destaque de todos os efeitos.

Project Power tem um premissa razoável e com personagens que tem até carisma, mas que na execução e principalmente no roteiro, não sabe equilibrar a personalidade dos mesmos, exagerando ou diminuindo características importantes, falas e cenas pouco pensadas e construídas e deixando de lado abordar pautas sociais que apenas aparecem na superfícies mas logo voltam para o fundo, sem ninguém se importar em saber mais. É mais um daqueles filmes que colocamos para passar tempo, sem esperar um grande impacto, mas que tem boa cenas de ação.

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Project Power

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Com uma história seguindo os básicos da aventura, Power se alicerça no feijão com arroz dos filmes de derrubar grandes facções com adicional de poderes, e deixa a relação mais empática dos personagens superficial e incoerente, e se utiliza dos recursos de cenas noturnas para esconder as poucas imperfeições dos efeitos visuais

  • Premissa interessante e envolvente
  • Efeitos visuais bem aplicados e realistas
  • Incoerência nas ações extremas do protagonista, principalmente relacionadas a Robin
  • Clichês de filmes policial, de "super-heróis" e tráfico
  • Falta de abordar mais profundamente as questões que eles apontam
  • Incoerência na construção da mitologia dos poderes
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