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The Umbrella Academy

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Há mais de um ano, estreava na Netflix a tão aguardada The Umbrella Academy, Série baseada nas histórias em quadrinhos da Dark Horse que, diferente das clássicas histórias em quadrinhos de super-heróis da Casa das Ideias e do Panteão dos Heróis, demostrou um história interessante de superpoderosos com a lotada bem temperada do drama familiar, e sua personalidade flutuante entre o cômico, o drama, e até chegando em momentos de suspense. A segunda temporada confirmada desde o ano passado já chegou para consolidar ainda mais estes novos heróis, e o resultado foi uma temporada mais livre para assumir o manto do excêntrico e continuar discutindo consequência de viver em ambientes tóxicos e suas consequências.

A segunda temporada de Umbrella começa no momento que acaba a primeira: a Lua é destruída por Vanya (Ellen Page) e seus irmãos tentando se salvar e ajudar Vanya para não ser o catalisador do apocalipse, viajam no tempo, mas – como qualquer segundo arco de qualquer grupo de super-heróis que misture viagem no tempo – eles acabam se separando em diferentes momentos entre os anos de 1960 e 1963. Cada um tenta continuar vivendo no tempo que caiu, e tentando encontrar seus outros irmãos, o que não acontece pela trama do destino – sim, bem clichê, mas real – até a aparição do Cinco (Aidan Gallagher) para descobrir que a ida deles até o passado, levaram consigo o apocalipse, e que a única forma é que todos os sete trabalhe juntos para impedir esta mais nova ameaça.

Já ouvimos está história, mas o roteiro da segunda temporada acaba surpreendendo ao adicionar novas camadas destes personagens ao longo do primeiro episódio – sim, primeiro episódio – já que a maioria já viveu nesta linha do tempo há muito tempo, e acompanhamos vemos a mudança que estar preso numa época diferente os levou a novas perspetivas. Isso é bem perceptível no arco da Allison (Emmy Raver-Lampman), uma mulher negra no meio de um tempo onde os movimentos dos direitos civis estavam em seu ápice, no Texas.

Diferente da primeira temporada, que como qualquer primeira temporada se preocupa em apresentar os personagens e desenvolver suas personalidades e camadas, a segunda temporada começa mais livre em inseri-los em tramas que dão mais camadas a eles, e apara diversas arestas ao longo de seus episódios, deixando claro que o efeito de causa e efeito para os Hargreeves e sua relação com o apocalipse está presente. Vemos a redenção de Luther (Tom Hopper) a suas atitudes contra Vanya, adicionando a questão que ele não é mais o soldado leal de seu pai; ainda temos um pequeno fragmento do receio de Allison de usar seus rumores, enquanto vemos ela inserida num arco muito importante.

Diego (David Castañeda) acaba surgindo com o complexo de herói, e tem agora uma nova parceira e interesse amoroso que diverge da Eudora (Ashley Madekwe), mas que devido a série abraçar ainda mais sua excentricidade, Lila (Ritu Arya) serve de alivio cómico e Passa a ganhar mais destaque com a chegada da conclusão. Klaus (Robert Sheehan) traz ainda mais momentos de risos – agora sóbrio – mas em certo momento ele se lembra do amado Dave (Calem MacDonald/Cody Ray Thompson), e sua relação com Ben (Justin H. Min) dá mais espaço para incríveis interações de irmãos, agora que bem consegue solidificar a alma de seu irmão, dando maior espaço para conhecermos melhor o Horror. E por fim, temos Vanya, que chega aos anos 1960 sem memória, e vivendo em uma fazenda com uma família texana e cuidado do filho do casa que está dentro do espectro.

De um modo bem generalista, e parafraseando o que iniciei este artigo, a segunda temporada está mais livre para ser o que quer, assumir sua excentricidade, e explorar mais a relação de irmãos dos Hargreeves, que desde o primeiro episódio da primeira temporada a sensação era que eles eram irmãos, os problemas, os arquétipos clássicos, os traumas deles terem crescido num ambiente extremamente tóxico, e que ocasionou todos os eventos do apocalipse da primeira temporada, e que na segunda temporada essa barreira foi completamente superada, mesmo que exista resquícios do que costumavam ser, mas que abraça isso e assumi ser estranho.

Um dos pontos que mencionei na Crítica da Primeira Temporada reforçava o aspecto de época – anos 80 e não 50, como mencionei – mas que agora, no ano real, assumiu as formas e cores da época, e a liberdade de ser diferente é bem visível nos visuais da Gestora (Kate Walsh): extremamente exagerados e coloridos; e mais uma vez a fotografia se alinha com seu tempo, e continua usando posicionamentos centralizados, e de perspectivas para ajudar a compor a história. Sua trilha sonora continua tão boa quanto, e existe inúmeras outras músicas conhecidas nesta temporada, e que são muito bem escolhidas e encaixadas em cada cena.

The Umbrella Academy consolida ainda mais sua posição como uma série incrível que a Netflix tem em seu arsenal, e que com os criadores das histórias em quadrinhos no comando, a história consegue seguir um desenvolvimento seguro, mesmo que ouse em sua narrativa e construção, uma vez que devidos as diversas adaptações feitas para os personagens, a série mantém sua qualidade em diversos aspectos, e traz uma temporada da aquele gostinho de grandioso, e ainda consegue conversar sobre aspectos mais internos dos personagens e seus traumas, transparecendo uma verdade nas relações deles como irmãos.

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The Umbrella Academy (2ª Temporada)

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Trabalhando ainda mais a relação dos irmãos, e abraçando os erros e os acertos de cada um em seu passado, a segunda temporada entrega uma história que sabe o que é, sente-se livre em ser exagerado, e ainda continua mostrar o laço dos irmãos Hargreeves que transborda veracidade em sua relação, e ainda guarda surpresas em sua história que traz mais camadas e narrativas sociais

  • Maior desenvolvimento e camadas dos personagens
  • Visual e questões sociais que se adequam ao tempo da história
  • Personagens mais confortáveis em seus personagens, e bagagens dos personagens
  • Cenas exageradas ao ponto de uma história que aceita sua excentricidade
  • Efeitos visuais melhorados
  • Crescimentos dos personagens e de seus poderes, dando espaço para maiores desenvolvimentos
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