Cursed – A Lenda do Lago

As lendas arturianas são uma das lendas mais conhecidas mundialmente, que mesmo que você não conheça em suas minúcias, muitos detalhes importantes são de amplo conhecimento. Subverter a narrativa já amplamente conhecida – mesmo que em partes – é uma manobra muito mais interessante (isso é mais um gosto pessoal), onde não vemos mais a mesma história contada repetidas vezes, e a vemos com outros olhos. Cursed – A Lenda do Lago, nova série que adaptada a clássica história da Excalibur e de seu rei do ponto de vista de sua guardiã, quando a mesma foi escolhida como sua campeã.

Na série, Nimue (Katherine Langford) é uma fae – raça de criaturas mágicas que engloba fadas, faunos e outros da cultura celta e nórdica – com um poder desconhecido e temido por seu povo, que acaba numa jornada para entregar a Espada do Poder para Merlin (Gustav Skarsgård), enquanto enfrentam uma cruzada religiosa que visa exterminar sua espécie, e um rei em decadência que deseja a Espada para firmar sua posição. A história se foca no crescimento e desenvolvimento da personagem para se tornar uma lidar de resistência para seu povo.

A trajetória de Nimue, nos primeiros episódios, até passam uma verdade, mostrando uma jovem sem experiência de combate, repleta de dúvidas e questionamentos sobre sua natureza e principalmente sobre seus poderes. Mas é no seu desenvolvimento que a série acaba se perdendo. Mesmo se levando a sério, a serie se perde em tramas muito superficiais, aliado a quantidade de personagens e núcleos que gastam mais tempo em tela e acabam não criando nenhuma afeição por quase nenhum personagem adicionado após o terceiro episódio. Esse tempo perdido com tramas longas prejudica até o desenvolvimento dos protagonistas. A própria magia e os seres mágicos não tem espaço para se apresentar e as suas regras ou limitações, suas origens e diferenças com a raça humana e fontes.

Pode ser que a expectativa fosse uma série bem mais séria, sobre a lenda arturiana quando a Espada escolha uma rainha, como a própria sinopse diz? Com toda a certeza. Mas ao se ver com outros olhos, olhos que estão acostumados com narrativas das séries da CW, a série ganha certo destaque. E não é fazendo pouco caso, a série de fato tem um teor mais voltado ao público teen, quando a construção de personagens não isso tão detalhadas. Apesar da quantidade de sangue e morte dentro da história, a série acaba correndo nas tramas, sem dar tempo para os personagens.

Fora a jornada de Nimue, temos a jornada de Arthur (Devon Terrell), que por mais que esteja atrelada a Nimue, segue parte da história sozinho; tem a jornada de Igraine (Shalom Brune-Franklin); a jornada de Merlin que é o mais volátil da história; tem a jornada da Pym (Lily Newmark), que é um alívio cômico muito gostoso, mas que está inserida em tramas que aparecem sem um contexto sólido, e são literalmente jogado de um canto a outro; a jornada de Uther (Sebastian Armesto), um rei que você não se importa na primeira até sua última cena, mesmo que tenha um momento; tem o arco dos Paladinos Vermelhos, que é mais uma chuva sangrenta repleta de racismo, sexismo e questões sociais relacionados a extremistas religiosos.

Existe ainda o arco dos piratas que não são piratas, de um primo do rei que reinvidica o trono de Britânia… são tantos arcos em tela que ficamos perdidos, e isso vindo de uma geração que passamos por Game of Thrones, com seus milhares de personagens que morrem a cada esquina, mas que antes de ter inúmeros personagens e arcos, consolidação os personagens, o que não se tem tanto em Cursed.

Cursed – A Lenda do Lago tem ótimas cenas do mundo da lenda da Espada, tem uma personagem principal interessante, mas que sofre na construção de tantos personagens e história, que se torna superficial. A Espada, que é o objetivo principal de quase todos os personagens não passa de uma espada simples que – por mim – esperava uma presença mágica bem mais interessante, uma personalidade ou até algo mais do que uma simples influência à lá Horcrux. Apesar dos pesares, a série tem que ser vista como ela se vendeu: uma história sem grande aprofundamento e repleto de clichês.

Related Posts