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The Old Guard

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Esse filme nos já vimos: um grupo de militares, aposentados de seus serviços para sua nação, que se juntam para lutar por àqueles que pagam mais. Esse arquétipo de filme de ação já foi remontado em vários formatos, a trilogia Mercenários reúne nomes de alto calibre do cinema brucutu dos anos 1980-1990; RED já une um grupo de agentes idosos que são mais mortais que agentes mais novos. The Old Guard talvez seja uma destas versões que tem seu público nos quadrinhos, e que ganha uma adaptação cinematográfica nas mãos da Netflix, e apresentando um subgênero da ação militar com um elemento diferencial, a produção escorrega em alguns pontos.

Na trama do longa, um grupo imortal se reúne para proteger a humanidade de grandes caos, estes causados por outras pessoas. Liderados por Andrômaca (Charlize Theron), ou apenas Andy, o grupo se mantém escondido de todos, mas sempre ajuda em grandes conflitos tentando levar a humanidade para uma paz quase absoluta. Mas após séculos vendo que a humanidade não muda, Andy decide abandonar salvar a sociedade de guerras e tentar viver sua imortalidade até ela se esgotar, mas um grupo farmacêutico acaba descobrindo a existência de humanos imortais e começa a caça-los para tentar replicar sua condição. Enquanto fogem, eles acabam descobrindo que mais uma humana despertou para a imortalidade, a fuzileira Nile (KiKi Layne) e vão recruta-la para protegê-la.

A grosso modo, o longa não mostra qualquer diferencial em longas sobre mercenários ou militares quase supersoldados, neste ponto a história mantém numa zona de conforto bem satisfatória, mas ela não é negativa, mesmo que seja algo muito comum hoje em dia com a quantidade de produções do mesmo gênero. O fato da imortalidade deste grupo é o grande objetivo do vilão, Merrick (Harry Milling) que move as ações para captura-los, e um ponto de grande mistério dentro da trama que não é revelada, e isso abre a interpretação do telespectador. Mas é aqui que o filme acaba escorregando: um vilão tão caricato que precisa de muita imaginação para acreditar em sua personalidade e motivações, literalmente temos que dá rum salto de fé neste personagem, mas que é difícil se importar com ele. Ou qualquer um que seja antagonista ao grupo imortal.

A narrativa do filme é bem rápida, parando para analisar os arcos de desenvolvimento da história, em pouco mais de duas horas de filme. Isso pode parecer que o roteiro tinha já em mente o que apresentar, mas ao mesmo tempo levanta a sensação de que ele se estendeu em alguns pontos dentro do desenvolvimento que chegam a ser desnecessários. Um discurso, por exemplo, é extenso e desnecessário, para a história do personagem, e principalmente para a narrativa do filme, que a contraponto tem uma cena bem direta que conseguiu resumir bem os quase cinco minutos de discurso.

Se prolongar algumas cenas e diálogos, ter um vilão caricato e nada relacionável não bastasse, o longa ainda é prejudicado pela sua trilha sonora. Alguns pode até gostar dela, mas as músicas acabam destoando das cenas em que são inseridas, e o mais comum em cenas de mais ação e luta, a trilha sonora geralmente é aqueles mais tensas e sem qualquer letra, o que aqui é quebrado e não é agradável. Associe isso ao fato que as cenas em flashback não exista uma ambientação linguística, como se falasse inglês na Grécia antiga, ou Roma imperial, que pode ser algo supérfluo, mas que dá a qualquer produção uma veracidade na narrativa e cuidado em sua construção histórica.

Afastando um pouco das impressões mais negativas, o longa traz personagens muito interessantes, mesmo que trabalhados pouco dentro da narrativa, apenas na cena de apresentação dele você acaba se interessando em saber mais qual foi a trajetória do Booker (Matthias Schoenaerts) e do casal Nicky (Luca Marinelli) e Joe (Marwan Kenzari). Até mesmo o passado de Andy é um grande mistério, contando que temos mais informações sendo reveladas dentro do longa de seu longo passado na imortalidade, ela com certeza é a mais intrigante e interessante do grupo, e seu contraponto com a novata Nile faz conhecermos mais das duas de forma bem orgânica em tela.

The Old Guard utiliza inúmeros clichês e arquétipos narrativos de filmes de ação de um grupo de mercenários, acaba levantando questões sobre humanidade e o caos que causamos, a ganância humana no lucro por exploração de recursos e sua apropriação. Até deixa no ar o mistério por traz da imortalidade do grupo, e constrói para que a resposta não seja encontrada em nenhum lugar, até deixando no ar se existe uma força por traz da condição deles e do bem que fazem. Se perdendo na construção do vilão, e seu sequito, que são facilmente descartáveis, um trilha sonora que não ajuda a inserir na tensão da cena de ação que são muito bem filmadas e coreografadas, o longa sabe trabalha a relação do grupo de imortais, deixando uma pulguinha para saber mais sobre este grupo.

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The Old Guard

7

Com personagens principais fortes e muito interessantes, longa cria a empatia com o grupo de imortais, mas que são desequilibrados pela caricatura dos vilões e da mensagem do longa, escorregando em sua construção, mas deixando um mistério na imortalidade da guarda e na personalidade de cada membro

  • Protagonistas com construções bem intrigantes e que criam empatia
  • Cenas de ação muito boas
  • Mistérios sem respostas que abrem a interpretação para quem assiste
  • Vilão caricato e nada relacionável
  • Diálogos longos e desnecessários para desenvolvimento da trama e personagens
  • Trilha sonora que quebra a expectativa e destoa do tom do longa
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