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Coisa Mais Linda (2ª Temporada)

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A música é uma característica artística que constrói uma sociedade que passa tão despercebida da maioria que não vive a música em sua intensidade. Rock, samba, rap e até o K-pop são produtos de seu tempo além de ditar a personalidade de seu tempo. Coisa Mais Linda, drama musical da Netflix trata de apresentar um retrato da Bossa Nova quando estava nascendo, e tem como principal cerne a história de quatro mulheres que lutam em realizar seus sonhos, e em sua segunda temporada a série melhora sua narrativa e deixa a história mais fluída e polida.

Terminada em um gancho bem tenso, a primeira temporada tinha seus problemas de continuidade e a sensação de passagem de tempo escassos, e que na nova temporada é perceptível sua polidez no roteiro e no desenvolvimento de suas personagens. Malu (Maria Casadevall) segue ainda mais seus instintos empresariais, e mesmo que suas ações sejam fora da realidade, principalmente da época retratada, ainda lida momentaneamente com a morte de sua amiga, Lígia (Fernanda Vasconcellos); Adélia (Pathy Dejesus) – como comentado no artigo de Primeiras Impressões – se afastou mais do núcleo empresarial da série se focando mais em seus dramas familiares, e mesmo que possa parecer um destacamento claro de uma possível despedida da personagem, a personagem ainda se mantém muito presente.

A série íntegra novos personagens nos arcos das protagonistas que constroem melhor as camadas das personagens, porém nem todos tem uma presença constante ou tão trabalhadas se não atrelados às protagonistas. Caso por exemplo de Duque (Val Perré), pai de Adélia e Ivone (Larissa Nunes) que gera um conflito e resolução para suas filhas, que não tem mais momentos para interagir com as duas, mesmo com a quantidade pequena que episódios nesta temporada.

A temporada tem um importante papel, mais para o final da temporada, que é discutir o feminicídio, tema que ganhou mais destaque nos últimos tempos, e que mesmo que esse tema tenha começado lá na primeira temporada, com detalhes na narrativa de Lígia, é mais no final que a série, que é ambientada numa época fora de nossa realidade, consegue transmitir sua mensagem sobre violência contra as mulheres.

Todo o desenvolvido das histórias desta temporada ficaram mais polidas, e isso é perceptível quando não percebemos que os quatro primeiros episódios cada um apresenta um obstáculo para as personagens e eles são apresentados e resolvidos no mesmo episódio, mesmo que exista um resíduo para o próximo episódio, todo o desenvolvimento da história, separadas ou combinadas, é mais fluído e mais natural; até mesmo construção de relacionamento das personagens já existentes em novos ambientes e novos personagens que como comentado acima, provocam a descoberta de mais camadas das personagens.

Coisa Mais Linda além de abrilhantar com histórias de mulheres fortes numa época que retirava seus direitos, chocando nos que vivemos num mundo mais igualitário (comparado ao retratado na série), celebra seus direitos e trata sem ser incisivo ou militar, sobre a violência doméstica e feminicídio, e desenvolve a trajetória de mulheres diferentes entre si que encontra na amizade construída força para continuar lutando pelos seus sonhos, e tudo isso embalado em muita música, ponto que é ainda mais presente do que em sua temporada de estreia.

Coisa Mais Linda (2ª Temporada)

7.5

Com uma trama mais fluída no desenvolvido dos subarcos das protagonistas, Coisa Mais Linda reforça a luta feminina em diferentes realidades sociais, e constroem amis camadas das personagens que conta com histórias mais envolventes

  • Narrativa mais fluída
  • Personagens secundários que constrói mais camadas para as protagonistas e para a trama
  • Maior presença da música
  • Desenvolvimento das personagens mais orgânico e relacionável
  • Desperdício de alguns personagens secundários que são esquecidos pela trama em determinados momentos
  • Primeiro episódio que destoa a protagonista
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