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Todxs Nós (1ª Temporada)

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Respeito. Equidade de direitos. Reconhecimento. Esses e outros pontos são importantes lutas pela causa da identidade de gênero – e estendo para orientação sexual. Desde Stonewall a comunidade LGBTQIA+ luta ano após ano pelo respeito por amar quem ama e ser quem se identifica, sem julgamentos e condenações. Trazer essas discussões para um grande público é um passo para toda a inclusão desta minoria sem sofrer consequências por ódio. Toda essa militância é o principal cerne de várias séries e alguns filmes, e que é o início para falar de Todxs Nós, nova série da HBO Brasil que trata de um das diversas identificações de gênero de arco-íris: Não-Binarie.

A série se concentra da história de Rafa (Clara Gallo), um jovem não-binarie que resolve ir morar com o primo gay, Vini (Kelner Macêdo) e sua melhor amiga Maia (Juliana Gerais), pois seu pai não aceita sua identificação sexual. Em oito episódios a série flutua entre os dilemas de jovem Rafa sobre sua vida, os dilemas das decisões profissionais e pessoais de Vini e Maia, e dialoga bem didaticamente sobre a pluralidade sexual.

No âmbito de didatismo, a série entrega quase que uma Introdução ao Não Binarismo de forma bem superficial, pois o desenvolvimento é focado nos desafios humanos dos personagens, com nuances pelas limitações sociais impostas, que se sente no momento do encontro de pessoas trans e não binaries. Mas a série em si acaba sofrendo com um roteiro raso e não natural ao tratar de assuntos críveis, como o ambiente corporativo e as relação hierárquica empregador-empregado, diálogos que fogem da realidade, e se tornam um discurso de lacração forçado, aplicação de clichês entre outros.

Um problema da série bem visível é sua edição: cortes secos nas transições de cenas, montagem de cenas confusas quase sem conexão. Essa problemática é bem visível no estilo de previously que a série cria, causando mais confusão do que criando uma linha de raciocínio coesa que te recoloca na história de forma rápida e precisa. Um ponto que faz com que distancie o público – ou sua maioria – é como e protagonista age e pensa de forma egocêntrica, elitista e vitimista por seu pai não te aceitar, mas mesmo assim deixou pra elx recursos e privilégios que muitos não tem, causando um distanciamento do público para esse personagem. E é deste sentimento divergente que a série tenta desenvolver a personagem imatura para algo mais maduro, mesmo que sua trajetória pareça incompleta.

Em partes, o arco dos outros personagens se torna mais interessante do que de personagem que gerou a faísca para a mudança. Enquanto que Vini começa a compreender que não é uma pessoa artística como foi instruído toda sua vida, sua vida amorosa acaba caindo nos clichês clássicos e que rotulam os homossexuais; já Maia acaba questionando a empresa que trabalha quando se envolve indiretamente no caso de abuso de um de seus clientes, e vem dela a história mais interessante, por dela vir a representatividade negra que levanta as questões de desigualdade social e racismo.

Voltando para o roteiro e principalmente para os diálogos, é perceptível que a série tenta ensinar seu público sobre mais uma espectro do arco-íris da sexualidade, mas acaba criando cenas irreais, como uma criança falando como um adulto com doutorado. Tudo bem que os jovens conseguem ser mais compreensivos e abertos que os adultos, mas é irreal ver o diálogo de Aline (Luiza Nery) no último episódio.

Todxs Nós acaba se perdendo em seu desejo de criar momentos épicos de militância, se destacando quando não está ministrando aula para o público que desconhece este universo. A série cria inúmeros arcos, camadas de personagens que não cabem no formato da série, mas que nos pequenos momentos consegue transmitir parte da luta pela causa de equidade social dos não-binaries e transsexuais.

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Todxs Nós

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Com um roteiro mais militante que importante para a sociedade, Todxs Nós consegue começar o diálogo sobre não-binaries e corteja a questão trans, mas se perde em criar momentos de "lacração" com discursos carregados em personagens distoantes e clichês. Com uma edição e montagem confusa série contém a personagem foco desinteressante que se desconstrói mas que não é sentido essa jornada, e os personagens principais que a rodeia acabam sendo mais densos e com.camadas perceptíveis e interessantes que ela

  • Pluralidade no elenco e personagens
  • Teoría sobre identidade de gênero bem aplicada
  • Edição e montagem problemáticas, causando mais confusão que criando uma linha de raciocínio da história
  • Protagonista sem qualidade que criam empatia
  • Quantidade absurda de subtemas desenvolvidas para poucos episódios desenvolvidos em formato de comédia
  • Diálogos contextuais em personagens destoantes
  • Atuação superficiais de alguns personagem descartáveis
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