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Westworld (3ª Temporada)

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No final de 2016 a HBO se lançou para uma nova aposta que ela não imaginava que fosse tão popular pela sua complexidade narrativa e filosófica, que teria força suficiente para substituir outro grande títulos de sua grade. Após duas temporadas, Westworld é considerado uma série que fala sobre a humanidade tendo como personagens principais robôs. Manter o engajamento não chega a ser uma questão, mas a terceira temporada teve em seu objetivo ainda ser a série que brinca com linhas do tempo, introspecções filosóficas e falar sobre controle e caos, fora do parque da Delos, e inserir esses elementos agora no mundo real. E sua terceira temporada mantém a coerência de sua história abrindo o leque de possibilidades e lida com temas bem atuais.

Enquanto que a primeira e segunda temporadas de Westworld foram desenvolvidas dentro dos parques da Delos – a Primeira lidou com o velho oeste do parque principal que da nome a série, e a segunda se aprofundou nós mais diversos parques temáticos desenvolvidos para serem visitados pelos mais singulares gostos – após a destruição do parque visto na segundo, o mundo real se tornou o palco para a odisseia de Dolores (Evan Rachel Wood) tomasse conta.

A temporada soube brincar com expectativa, enquanto alternava a história dos personagens principais dentro da trama, que lida tanto com o controle explorada na primeira temporada, quanto o caos, explorado na segunda. Explorando o livre-arbitrio, a terceira temporada pode parecer vem mais rápida do que outras temporadas – o primeiro fato que corrobora isso é sua quantidade de episódios reduzidas – mas essa redução deixou que a série não se arrastasse mais do que pretendia, criando as famosas bolhas. E com isso, a história pode se desenvolver de forma mais orgânica, mesmo que alternasse entre os episódios os anfitriões que estavam sendo desenvolvidos mais.

A produção trouxe um elemento que não víamos na série até então, mas que já havíamos presenciado em outras série e produções de ficção científica, e a mais gritante é Black Mirror: como ficamos a mercê de sistemas e da tecnologia, e como isso acaba nos “escravizando”, levando a sensação de falsa liberdade que foi o principal tema a ser explorado pela jornada de Dolores.

Diferente de sua jornada sem um propósito vem definido na temporada anterior, Dolores foi a antiheroina melhor aproveitada e desenvolvida, ora agindo como uma heroína não apena para sua espécie, como para a espécie humana, ora sendo uma vilã em suas ações causavam consequências que não criavam remorso. E esse equilíbrio deixou a personagem – que se ofuscou na segunda temporada – ter seu brilho maior aqui.

Em contraste com Dolores, a série ainda coloca a personagem que roubou a cena desde o primeiro episódio, Maeve (Thandie Newton), que atua mais nas sombras como uma antagonista para Dolores, e que perde um pouco de seu “protagonismo” até o plot Twist no final da temporada. Controlando as ações e sendo o real antagonista da série – que também é controlado – Serac (Vincent Cassel) tem um episódio específico onde conhecemos seu passado, mas que perde completamente seu desenvolvimento como antagonista atrás de controle, quando descobrimos que ele, assim como Maeve, era uma marionete do Rehoboam, o sistema de simulações bem parecido com o vilão de 2001 – Uma Odisseia no Espaço. Outros personagens tiveram pouco desenvolvimento, como a nova Charlotte (Tessa Thompson), William (Ed Harris), o próprio Bernard (Jeffrey Wright) que assumiu o arco desorientado de Dolores na segunda temporada.

É interessante ver como a criação deste futuro quase utópico se assemelha com o nosso mundo atual – em questões de controle e políticas – até com um teor de crítica social bem implementado, e como a jornada desta temporada sobre liberdade não destoa da essência de Westworld, e mesmo que esteja fora do parque, com novos personagens, a série ainda consegue gerar teorias e discussões sobre o limite do ser humano, e que aqui abriu para controle populacional e o sistema social.

Westworld, embora dê mais dor de cabeça do que um alívio de assistir algo para nos entretermos, é uma série que mantém sua essência de questionar a realidade do mundo, e que nesta temporada aplica todo o ensinamento sobre controle e caos ao mundo real, e faz a pergunta até quanto nos estamos sendo controlados por um sistema, ou até quanto nossas decisões ou vida está sendo influenciada por algoritmos.

Westworld (3ª Temporada)

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Saindo da zona de conforto, Westworld desbrava o limitante parque temático, e aplica seus ensinamentos sobre controle e caos na realidade, e explora o quanto de escolha temos explorando o livre-arbitrio numa temporada menor e mais direta

  • Criação de um mundo utópico sem exageros
  • Fidelidade a personalidade de suas protagonistas
  • Adição importante no elenco
  • Explora questões mais profundas sobre identidade, liberdade e controle
  • Arcos resolvidos de forma rápida ou insatisfatório
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