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A Maldição da Chorona (The Curse of La Llorona)

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Quem não é fã de um bom terror? Tirando aqueles que realmente não gostam do gênero e seus diversos subgêneros, o terror é, com certeza, o gênero que cria diversas franquias de grande sucesso. De Sexta-feira 13, Freddy Krueger, Chuck – O Brinquedo Assassino, ao atual Invocação do Mal, mexer com lendas urbanos e mitos de terror é um caminho seguro de conseguir o próximo sucesso do gênero. Ou não. James Wan provou com sua genialidade criar tensão para os momentos inesperados de fazer o telespectador pular da cadeira com Invocação do Mal, revigorando o gênero que não tinha um grande sucesso há algum tempo, e depois de dois filmes da franquia principal mais três Spin-off das entidades do Universo, temos o primeiro Spin-off independente, A Maldição da Chorona, mas que não é tão inspirador quanto os outros.

A lenda você já deve ter escutado: uma bela jovem em um ato de fúria, ciúmes e vingança acaba afogando seus dois filhos como punição a seu marido, que a traiu. Quando completa o ato, e vendo o que acabara de fazer, ela começa a chorar e se mata. Mas seu espírito é condenado a vagar pela terra, buscando seus filhos. O conto mexicano de La Llorona vemos ganhando mais notoriedade com o tempo, e ganha agora às telonas, quando este espírito perseguidor continua sua busca por substitutos de seus dois filhos em 1973.

Após a breve introdução a lenda de La Llorona, no México em 1793, conhecemos Anna (Linda Cardelini), mãe viúva que tenta se adaptar a nova realidade após a morte de seu marido policial. Sendo uma assistente social, ela cruza seu trabalho com Patrícia (Patricia Velasques), uma mãe solteira que é assombrada pela Chorona que busca seus filhos. Quando Anna intervém, La Llorona então escolhe novos substitutos para seus filhos.

A história já conhecemos. Ela já foi repetida diversas vezes, por vários outras produções e mídias, e aqui ela é mais do mesmo. Não há nenhuma criatividade que faça d’A Maldição da Chorona algo memorável ou único. Diferente, por exemplo, de outras entidades do universo criado por Wan, La Llorona é conhecida previamente por parte de muitos, e ir ao cinema assistir mais do mesmo pode ser preta de tempo. Annabelle e Valak, as duas entidades que ganharam seus spin-offs tiveram o fator desconhecido como combustível para atiçar a curiosidade. Pode não ter dado muito certo, mas seus filmes de estreia (Invocação do Mal e Invocação do Mal 2, respectivamente) abusaram em inseri-los para atiçar a curiosidade.

Já em La Llorona a história segue uma dinâmica bem genérica. Já por sabermos a fórmula de Wan para seus filmes de terror, não nos surpreendemos num jump scare, ou num movimento de câmera em ambientes vazios, já que já esperamos por aparições. Não existe tão pouco qualquer mensagem mais profunda sobre a história. Tem-se o vislumbre de uma pseudo-conversa sobre abuso doméstico e violência doméstica, mas não é tão presente ou importante para a trama.

O que diferencia muito La Llorona dos outros é seu segundo tom narrativo: a comédia sarcástica. Enquanto a tensão é criada nas clássicas cenas escuros, com vultos e desfoques, movimentos estratégicos de câmeras, e jump scares previsíveis, o personagem Pedro rouba a cena pela sua personalidade sarcástica, quebrando a tensão com timing para comédia. Chega a ser estranho de primeiro, e você lembre mais da sinceridade sarcástica do padre do que da própria história desenvolvida em tela.

A Maldição da Chorona tem apenas um função em que chegamos a conclusão: mostrar que as lendas e mitos de terror conhecidos por diversas culturas podem ganhar versões cinematográficas e compor um universo de terror, independente ou não do casal Warren, já que existe a conexão com Annabelle, mesmo que expositiva demais; o longa não tem a pretensão de ser mais do mesmo, ou ser um novo blockbuster do terror como suas antecessora principal, e apresentando mais do mesmo em todos os sentidos, o filme é esquecível.

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A Maldição da Chorona

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Sem inovar na conhecida personagem de terror mexicana, A Maldição da Chorona reproduz diversos decisões criativa e narrativas de Invocação do Mal, mas que deixa a mensagem clara de explorar outras histórias e lendas de terror e inserí-los dentro do universo dos Warren, e ainda traz momentos cômicos como algo novo, mas que diverge da proposta do longa

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