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Altered Carbon (2ª Temporada)

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Quando uma produção seriada vai bem com seu público é normal que a produtora renove para mais um ano a produção e dê sequência a história construído na primeira temporada. Pode durar dois anos, mas uma nova história continuará e responderá muitas coisas deixadas na trama. Mas existe um medo meio incógnito de segundas temporadas que muitas série tentam escapar, algumas conseguem, mas a maioria sempre acaba caindo: a queda de interesse partindo da trama que não consegue prender a atenção do público. E Altered Carbon acabou caindo neste fantasma de segundas temporadas que parecem que se perdem em seu mundo, e criam algo confuso e desinteressante.

A sequência da história de Takeshi Kovacs, agora interpretado por Anthony Mackie, se foca na busca por Quell (Renée Elize Goldsberry), após descobrir que ela não estava realmente morta, mas acaba se envolvendo em uma trama de mortes inexplicáveis de matusas. E o principal suspeito: sua amada Quell. Paralelamente a isso, seu inseparável escudeiro, o IA Poe (Chris Conner) enfrenta uma doença em sua programação por ter criado laços afetivos com Elizabeth (Hayley Law).

Em análise técnica, a série mantém a qualidade de ficção científica do mundo de Harlan construído na primeira temporada. Existem sub-arcos muito interessantes abordados pelos novos personagens, com a caçadora de recompensas Trepp (Simone Missick), uma mãe que tenta encontrar seu irmão desaparecido enquanto luta para manter seu filho a salvo numa capa ilegal; a busca de uma motivação de existência da IA arqueóloga Dig 301 (Dina Shihabi). Mas a sensação é que eles foram mal trabalhos para dar espaço a trama principal, que se torna desestimulante com o passar dos episódios.

Tak acaba ganhando uma capa nova e melhorada – ótimo recurso para trocar de elenco, e criar motivos para mantê-lo vivo com poderes – que ganha certas “habilidades”, e com elas, certas limitações para com um dos antagonistas da série, que tem relações parental com o personagem. Além disso, a série abusa de recursos narrativas fracos para explicar o porquê de o protagonistas continuar sobrevivendo a inúmeras investidas mortais.

A trama fica perdida na primeira metade da temporada, inserindo diversas informações ao mesmo tempo, sem se preocupar em revisitar previamente toda a dinâmica e história da série que não fica efetivo nem no previously trailer disponível antes de começar a nova temporada, e parte para novos conceitos – sua maioria políticos – e não tempo para digeri-los. Essa sensação de estar perdido acaba afetando a entrega a história, que apenas se encontra e se torna mais digerível quando cai na clássica aventura de impedir o vilão de acabar com tudo.

Uma questão que ficava para quem apenas tinha assistido a série é se o mundo que nos era apresentado era a Terra depois de anos de evolução, ou se era um outro planeta, elemento que é revelado bem rápido nos primeiros episódios, e que é um gancho para a analogia de toda a temporada, e principal mensagem da temporada. Ela acaba abordando, bem superficialmente, a questão de colonização e consequências, já que a grande questão da temporada era a vingança de uma espécie antiga contra aqueles que vieram e conquistaram a força seu planeta e agora, ele encontrou uma hospedeira forte para cumprir seu propósito.

Mesmo que seja uma temporada fraca, comparada a primeira temporada, Altered Carbon tem um ótimo potencial de uma série de ficção científica, mas acaba não explorando ou não sabendo aprofundar questões maiores como a transcendencialidade da alma humana, conceitos religiosos e científicos, colonização e suas consequências, entre outras, e acaba entregando uma história de aventura e ação que segue a cartilha, sem realmente ser ousada em sua narrativa.

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Altered Carbon (2ª Temporada)

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Não sabendo exatamente como iniciar uma nova história, a segunda temporada se perde no começo, caindo num ação conhecida, e deixa de lado temas sociais e pessoais em segundo plano, sem uma desenvolvimento mais audacioso ou digno, como a questão de colonialismo e genocídio de um raça, transcendencialidade da alma, e outros.

  • Visual de um mundo de ficção científica bem construído
  • Personagens secundários novos interessantes com potencial em suas histórias
  • Fraco desenvolvimento dos arcos de personagens secundários
  • Narrativa perdido na primeira metade da temporada
  • Fraca abordagem da temática de consequências de colonialismo e justiça
  • Personagem principal com uma motivação fraca e muito apelativa
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