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O Homem Invisível

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Anunciado há algum tempo, o universo sombrio dos Monstros da Universal, ou simplesmente Dark Universe, vinha com a promessa de unir mais uma vez as criaturas que ganharam notoriedade n primeira metade dos anos 1900 nas mãos da Universal Pictures, e que mais recentemente – ou nem tanto assim – ganharam novas versões que são memoráveis. Mas que na prática, reunir todos eles não começou muito bem com A Múmia com Tom Cruise, mas que pode ver a luz no fim do túnel com a chegada do segundo “monstro” às telonas: O Homem Invisível.

Na história, uma mulher foge de um casamento abusivo, quando recebe a notícia que seu ex-marido acabou de suicidando. Mesmo com a sensação de alívio de não temer que seja perseguida, ela tenta reconstruir sua vida mas logo sente que não está livre da presença de seu ex, quando coisas estranhas começam a acontecer ao seu redor, e ela desconfia que seu ex não morreu, mas está vigiando ela de muito perto.

A adaptação tem êxito desde suas escolha mais simples até às mais complexas, partir da narrativa do ponto de vista da ex-mulher Cecília (Elizabeth Moss), e ainda aborda dois pontos muito atuais que é o abuso doméstico e o gaslighting. O longa ainda constrói uma tensão enorme desde sua primeira cena e isso é mantido em todo seu desenvolvimento, e de forma crescente.

E diferente do primeiro filme deste universo sombrio, seu diretor sou muito bem criar uma base da história, construir os personagens de forma orgânica, e principalmente construir a sensação de tensão. Conhecido por trabalhos de terror pelas franquias Sobrenatural e Jogos Mortais, Leigh Whannell inseriu novos elementos que circundam a invisibilidade, como tomadas foi das em cenas vazias, criando assim a dúvida se o vilão está ou não presente.

Mesmo com um roteiro incrível, quase sem furos, abordagem de temas muito bem feitos na tela, o filme ainda tem Elizabeth Moss como a protagonista. Conhecida principalmente pelo seu trabalho na série The Handmaid’s Tale, e que está despontando deste então, ela simplesmente entrega a dor psicológica e o trauma da personagem em sua atuação, que fica difícil não sentir o que ela sente. Junto a ela, outros personagens também se tornam cativantes mas não possuem o mesmo impacto, já que o filme gira em torna da tortura psicológica que ela sofre.

O Homem Invisível é um filme repleto de jump scares que mesmo previsíveis, são inesperados devido sua construção milimetricamente pensada no roteiro, além de trazer uma atuação que apenas aumenta a tensão criada com as decisões visuais para contar essa história, e mesmo que funcionando como uma parte do universo maior dos filmes de terror da Universal, ele funciona muito bem sozinho, com começo, meio e fim, e que tira o teor mais ficção científica da invisibilidade que foi o soro da invisibilidade, e aplica algo mais tátil, mas ainda no ramo científico mas que todo o foco é na construção da psicologia tanto da vítima do gaslighting quanto daquele que se sente na liberdade de torturar ao ter a invisibilidade como artifício.

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O Homem Invisível

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Com ótimas decisões criativas, longa surpreende por construir cenas com muita tensão e ampliar em tela está tensão, quebrando-a com ótimos jump scares, abordando ainda temas atuais como o abuso doméstico e a tortura psicológica sem romantiza-las e alertando do perigo dessas ações

  • Construção da tensão a todo momento
  • Roteiro impecável
  • Atuações muito boas
  • Abordagem de temas recorrentes e da interpretação da condição da invisibilidade como liberdade para tais ações
  • Jump scares inesperados e bem executados
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