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Troco em Dobro

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Quando a Netflix apareceu em meados de 2012, ninguém tinha ideia da proporção que o streaming iria se tornar. Em 2013, lançou House of Cards e Orange is The New Black, assim começou a abrir o leque das produções originais. No começo parecia que o serviço só estava investindo em séries, logo depois começou o investimento em filmes, o primeiro foi Beasts Of No Nation, depois começou a expansão de maneira abundante, Roma ganhou três Oscars e também surgiu franquias cinematográficas, como Para Todos os Garotos que Já Amei. Porém, a Netflix é uma plataforma de streaming que atende todos os públicos e todas as idades, foi assim que começaram a investir em filmes de ação, como Bright, Esquadrão 6 e agora o mais recente Troco em Dobro.

Mark Wahlberg vive Spenser, um policial justo que desconfia de que seu chefe na polícia esteja envolvido com um crime e decide confrontá-lo em sua casa. Revoltado, acaba espancando o superior e é condenado a cinco anos na cadeia. No mesmo dia em que é solto, o capitão é morto. O primeiro suspeito é Spenser, como ele não deve nada para ninguém e sempre desconfiou que o chefe seria culpado, ele começa a investigar o caso.

Disposto em limpar seu nome, Spenser se junta com seu colega de quarto, Hank, é um aprendiz de lutador de MMA (Winston Duke) e leva uma vida calma, completamente diferente. O que torna o filme muito mais interessante, pois a química dos dois acontece de forma orgânica e a frase clichê “os opostos se atraem” nunca ficou tão bem encaixada. A dupla realmente é o grande arco e o primor do filme. Os dois se juntam e viram uma espécie de detetives particulares, o que acaba irritando muita gente, como gangues de Boston, policiais específicos, e Cissy.

A sarcástica Cissy (a comediante de stand-up Iliza Schlesinger), é o grande alívio cômico do filme, ex-namorada de Spenser. Um bom destaque é de Alan Arkin (indicado ao Emmy e ao Globo de Ouro por The Kominsky Method), ele vive Henry Cimoli, é bem explorado, com muitas camadas e sabe equilibrar perfeitamente o humor com as sequências intensas que exige muito de um ator. Por último e não menos importante, o filme conta com uma participação especial do rapper Post Malone.

As cenas de luta são bem coreografadas, aqui vemos um tipo de ação que os vilões investem em facões e não em grandes armas. Além de corpos quebrando todos os tipos de objetos como paredes, pias, balcões de cozinha, tudo é criado com uma grande atmosfera e momentos de tensão bem feitos.

Troco em Dobro é uma grata surpresa da Netflix, com momentos de ação bem elaborados, boas risadas, tem momento fofura com a Pearl e uma química entre personagens que fazia tempo que os filmes de ação não presenciavam. Na verdade, não sei se podemos chamar esse filme de um gênero específico já que ele é um mix de categorias em um filme só, por isso que ele vai cativar tanta gente. É um grande programa para o fim de semana e provavelmente é uma aposta certeira e inteligente da Netflix transformar o longa em uma grande franquia.

Esse artigo foi escrito por Nathália Sorrini para o GA
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Troco em Dobro

8.5

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