CríticaDestaqueFilmes

Crítica | O Preço da Verdade – Dark Waters

0

O ator e produtor Mark Ruffalo, defensor da conscientização para as alterações climáticas e o aumento das energias renováveis, desta vez assume as rédias adaptando para o cinema o artigo de Nathaniel RichThe Lawyer Who Became DuPont´s Worst Nightmare” [O advogado que se tornou o pior pesadelo da DuPont], publicado na revista do The New York Times em 2016.

Aqui, o filme conta a história real de Robert Bilott. O advogado empresarial recebe provas que ligam entre as mortes de vários animais nas redondezas à fábrica de uma das gigantes químicas mundiais, DuPont, na sua terra natal.

Reluntante, Bilott volta a Parkersbourg, West Virginia, para ver pelos seus próprios olhos o que se passa e ao aceitar o trabalho entra numa luta legal que durará duas décadas para defender a população de Parkersburg e responsabilizar a DuPont pelos crimes ambientais e pelos danos causados à saúde pública dos mais diretamente afetados.

De um lado, Rob Bilott, que quanto mais se afunda nas pesquisa e nos efeitos nefastos e prolongados da substância, mais isolado fica. Do outro, a frieza da empresa DuPont, ciente de que o dinheiro e os esquemas de bastidores lhe trarão a vitória. No meio, a comunidade, perdida na dúvida sobre o seu futuro, já que a DuPont é a sua doença prolongada mas também a garantia de futuro económico.

Sem glamour, sem romance, o longa-metragem realizada por Todd Haynes mantém um tom objetivo, que nos traz um filme em tons frios, cinzentos e azuis, relembrando a poluição, a contaminação e a doença causadas pela empresa processada por Bilott. A fotografia, com certeza é a acentuação do filme, e denota o tom de toda a narrativa.

O elenco de atores é muito bem pensado e repleto de ativistas ambientais. Além de Ruffalo, Tim Robbins e Bill Pullman trazem vivacidade e respeito, enquanto Bill Camp, com a sua voz grave, ora branda ora furiosa, é um deleite de se assistir. Anne Hathaway, retrata a sua esposa e que surge no filme como um apoio e inspiração para Bilott, mas também para mostrar o custo pessoal que uma luta como esta pode ter na vida de quem a trava.

Vale lembrar que apesar de só esteiar dia 13 de fevereiro aqui no Brasil, o filme já foi exibido nos EUA, e ganhou o Prémio Truly Moving Picture, dado a um filme “transformador para o público”, e nomeado como Melhor Filme Dramático pela HUMANITAS, uma organização que homenageia arte que defenda os direitos humanos.

Em aproximadamente duas horas, O Preço da Verdade – Dark Waters traz ao público uma história que merece ser contada, uma trama interessante e uma história que nos persegue depois de sair da sala de cinema. Apesar de não ser um filme com um final feliz, que retrata os atos ilegais pelos quais as grandes empresas se sujeitam, poluem água, ar e terras e adoecem as populações e animais em redor, o longa pelo menos nos deixa com uma leve esperança: a de que, com perseverança e coragem, fazer a coisa certa pode mesmo ser a única forma de enfrentar os gigantes que nos tentam nos maltratar, e assim mudar o estado das coisas.

O Preço da Verdade - Dark Waters

9.5

Sem glamour, sem romance, o longa-metragem realizada por Todd Haynes mantém um tom objetivo; traz ao público uma história que merece ser contada, uma trama interessante e uma história que nos persegue depois de sair da sala de cinema, e nos deixa com uma leve esperança: a de que, com perseverança e coragem, fazer a coisa certa pode mesmo ser a única forma de enfrentar os gigantes que nos tentam nos maltratar, e assim mudar o estado das coisas.

  • Excelente Fotografia
  • História Verídica
  • Traz discuções relevantes e importantes sobre o Meio Ambiente e Humanização
  • Elenco
    0