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Os Órfãos

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É sempre inovador quando um filme toma um rumo diferente do esperado, e surpreende o telespectador, porém isso só funciona se você tem total controle de sua história e do rumo que ela está tomando.

Uma das obras literárias mais adaptadas para o cinema é A Volta do Parafuso, de Henry James. A novela gótica do século XX não é muito famosa para o público em geral, mas é bem provável que os amantes de um bom longa de suspense ou terror já assistiram pelo menos uma adaptação dela nas telonas. São os casos de o clássico Os Inocentes (1961), Através da Sombra (2016) e o elogiado Os Outros (2001), que não é bem uma adaptação fiel, mas tem elementos da obra de James.

E para esta adaptação, foi a vez de Floria Sigismondi, conhecida por dirigir a série O Conto da Aia, trazer uma nova adaptação de James com o filme Os Órfãos.

O longa mostra uma jovem professora (Mackenzie Davis) que é contratada para lecionar em uma mansão misteriosa. Na residência, moram duas crianças (Brooklynn Princee e Finn Wolfhard) e uma governanta (Barbara Marten). No entanto, a professora começa a notar que tem coisas estranhas e perturbadoras que assombram o local além de um passado obscuro.

Apesar de um premissa boa e até inteligente, Os Órfãos é um filme que não parece seguir uma linha lógica. A narrativa parece estar seguindo uma coisa, mas de repente vira a esquerda e toma um caminho completamente diferente e que no fim chega em uma estrada sem saída e sem ter como fazer o retorno.

Nem mesmo a presença icônica de Davis e Wolfhard consegue dar um “up” no filme. Na verdade o personagem de Finn é um completo chato e em vez de ser perturbador – o que provavelmente eles queriam passar – se tornou algo tedioso e arrastado.

Mas o que chama a atenção com certeza é todo o cenário e ambientação no estiloso vintage dos anos 1990, e nas roupas elegantes da década, além de uma fotografia que é excelente que garantem à mansão uma atmosfera suficientemente sinistra sem abrir mão de um naturalismo nas imagens e uma trilha sonora que ganhou minha atenção.

Mas no fim, o que me pareceu foi que toda a equipe era recém formada, que planejou um longa-metragem, mas que não tinha realmente certeza do que sairia no fim. E o final do filme? Entra algo sem coerência, e anula completamente toda a linha narrativa entregue até o momento, e isso se torna decepcionante. É como um trabalho de faculdade, onde todo o slide de apresentação fosse lindo, mas o texto e a apresentação fosse péssima.

Decepcionante. Essa é a palavra que define bem esse filme.

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Os Órfãos

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Direção de Arte e Fotografia
  • Todo o cenário e ambientação no estiloso vintage dos anos 90, e as roupas elegantes da década, além de uma fotografia que é excelente que garantem à mansão uma atmosfera suficientemente sinistra sem abrir mão de um naturalismo nas imagens.
Roteiro Fraco
  • Apesar de um premissa boa e até inteligente, Os Órfãos é um filme que não parece seguir uma linha lógica. A narrativa parece estar seguindo uma coisa, mas de repente vira a esquerda e toma um caminho completamente diferente e que no fim chega em uma estrada sem saída e sem ter como fazer o retorno.
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