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O Mundo Sombrio de Sabrina (Parte 3)

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Histórias adolescentes parecem que vêm e vão com tamanha facilidade, que precisamos está atentos as mudanças. Isso porque como passar do tempo novas histórias chegam de forma avassaladora que muda a perspectiva do telespectador que passa a consumir de forma diferente a mesma história que via há algum tempo, e ter reações bem distintas. Isso é quase uma epifania que tive ao assistir a terceira temporada de O Mundo Sombrio de Sabrina, mas que com o tempo percebesse que mesmo que com o tempo e o amadurecimento das narrativas – e de nós mesmos -, o problema não esteja no interlocutor, mas no narrador.

Como missão desta temporada, Sabrina Morningstar Spellman (Kiernan Shipka) tenta encontrar uma forma de trazer se namorado Nick (Gavin Leatherwood) de volta ao reino dos mortais, após seu sacrifício para aprisionar o pai de Sabrina, Lúcifer ou O Senhor das Trevas (Luke Cook), em seu corpo. Mas apesar de conseguir, ela enfrentará as consequências de ter destronado seu pai, enfrentando uma golpe de estado no inferno, enquanto lida o repentino enfraquecimento de seu coven; tudo isso com a iminente presença de uma ameaça tão antiga quanto a própria existência.

Contradizendo tudo que levantei nas Primeiras Impressões, a terceira temporada se tornou certo desconforto ao acompanhar a quadrupla jornada da protagonista que não tinha foco em nenhuma, com tramas desenvolvidas de formas incompleta – ou insuficiente, devido ao potencial que cada uma detinha em um curto tempo de desenvolvimento – e que ao longos dos oito episódios, tanto a protagonista quanto a própria trama acabam se perdendo em tudo que foi construído até a segunda parte apenas para chegar no último momento e ter a virada empoderada que iniciei o artigo de Impressões, e a trama tentar surpreender com reviravoltas narrativas.

O fato de ter muitos arcos acontecendo ao mesmo tempo pode ser o principal fator que não agrade a muitos olhos, pois, mesmo com episódios procedurais na primeira parte, elas eram necessárias para construir a nova imagem de Sabrina e seus personagens, além de criar empatia com o público. Agora, na terceira temporada, não precisamos mais da sensação de episódios independentes para criar a trama, e esse bate e rebate entre o arco da busca infernal, o Carnival Pagão, os dilemas da fonte de magia para o coven e as miniaventuras na Baxter High deixa cansativo a história e toda a jornada.

Além de falta da sensação de linearidade narrativa, a temporada se assegura demais nas clássicas explicações expositivas que resolvem toda a trama rapidamente. Pode até ser que o tempo tenha deixado meus olhos mais afiados – ou o convívio com outros olhos mais atentos -, mas o próprio personagem Ambrose (Chance Perdomo) carrega nas costas todo o conhecimento do mundo da magia, aparecendo com a resposta prontamente, logo depois de resumir toda a história que acabamos de assistir. Isso pode até ser visto como um insulto para quem assisti, e um fator desestimulante já que as resposta se encontram todas em um único ser, perdendo a motivação de toda a história.

Se não fosse esse rearranjo mal-feito das narrativas a série até que teria um grande começo, já que os temas abordados desta temporada só interessantes: a expansão das fontes de magia das bruxas, a mensagem de companheirismo e união em momentos conturbados; explorar uma nova mitologia que se relaciona a própria mitologia das bruxas; todo o arco político – que foi deixado de lado – no golpe monárquico; a questão familiar que era uma questão pertinente perde a importância pouco a pouco, e mesmo que interessante o clímax, não tem o mesmo peso como nas últimas duas temporadas.

O próprio arco dos bruxos pagãos traz ótimos ganchos para serem explorados, como as guerras que destronaram os pagãos da adoração, mas que são apenas mencionadas para nunca mais serem tocadas. E chegamos no problema de toda produção que tenta mexer nela: viagem no tempo. Se nem Vingadores: Ultimato escapou das duras críticas quanto a paradoxo e lógica temporal, Sabrina não seria diferente. Quando se mexe com o tempo, tem que ter em mente em ser o mais preciso para não gerar mais questões do que soluções, e mesmo que aceitável a explicação de onde vem a fonte deste magia, paradoxos são gerados pela escolha bem sem sentido da Sabrina, que mais uma vez foge do que realmente conhecemos dela até a segunda temporada.

A terceira temporada de O Mundo Sombrio de Sabrina pode ter sido uma amarga jornada de como se perder em sua essência apenas para fazer tudo o que queria fazer, mesmo que não seja coerente com a história e a narrativa proposta, a série ainda consegue manter presa a atenção dos telespectadores. Como comecei este artigo, muita vezes o problema não é o interlocutor que entendeu ou consumiu “errado” o produto, mas o próprio narrador que se perdeu no que se propôs inicialmente, e em vez de amadurecer a trama respeitando regras por eles definidos, regride a narrativa para justificar seus desejos de inserir frases de efeito, cenas impactantes sem propósito, ou simplesmente mais um musical desnecessário numa série de fantasia sobrenatural sombria.

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O Mundo Sombrio de Sabrina (Parte 3)

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Desconfortável em ver o regresso da personagem e da narrativa, terceira parte perdi o foco em abordar um antagonista ou um arco principal, querendo expandir exponencialmente seu universo em um curto período, deixando em evidência diversas incongruência narrativas dele de construção de personagem, mas que ainda consegue prender a atenção do telespectador

  • Consegue entreter e mantém a atenção do telespectador
  • Diversos arcos com alta complexidade narrativa que são mal desenvolvidos
  • Inexistência de foco de desenvolvimento de uma trama ou tramas coesas
  • Regresso da protagonista apenas para justificar quando a sobressai com a frase de efeito
  • Frases de efeito em excesso
  • Decisões narrativas questionáveis
  • Inserção de gêneros narrativos sem uma justuficativa plausível e que faca sentido com a trama
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