CríticaDestaqueFilmes

JoJo Rabbit

0

Existem inúmeros temas que são tabus, assuntos difíceis de trazer para uma discussão, e ainda mais algo para uma discussão em grande massa. Dentre todos os diversos temas – alguns estão se tornando mais e mais comuns com o tempo – um que com todo a certeza será um tabu é o período da Alemanha Nazista e todo o Holocausto. A mancha na história tanto alemã quanto dos judeus, é um importante ponto de história que é levado sempre como o lado pesado e sombrio de qualquer história a ser adaptada, e sempre um drama pesado. Mas JoJo Rabbit, do excêntrico diretor Taika Waititi, foge um pouco do sentimento averso que temos de Nazista ao construir uma narrativa otimista e inocente abordando a transição da infância do protagonista em busca de verdade.

JoJo (Roman Griffin Davis) é um jovem nazista que vive pelo partido de Reich, e que tem em sua frente o início da seu serviço militar no acampamento nazista que formará como um soldado. Auxiliado pelo seu amigo imaginário com o rosto se Adolf Hitler (Taika Waititi), que o encoraja a ser o mais nazista menino, JoJo acaba sendo afastado do acampamento após um incidente, e fazendo serviços “administrativos”, quando descobre que sua mãe esconde aquilo que seu povo caça: os judeus. Mas o que ele descobre com o conviveu com a jovem judia é que a imagem formada por ele – e muitos mini-nazista – judeus não são os monstros que são pintados.

O longa coloca o nazista como nosso narrador e personagem principal, uma combinação única que não conseguimos assimilar e criar empatia, mas a própria narrativa se contrapõe a sensação adversa que temos inconscientemente, ao colocar como comédia os costumes exagerados dos nazistas, e usar esse recurso para amenizar estes exageros. Do preceito que judeus são monstros mitológicos, com força sobrenaturais, essa imagem exagerada que vemos se transformar. E vem dos olhos inocentes de JoJo a quebra desta “fabula” criada para justificar as ações nazistas. Grande parte disse vem da grande inocência do personagem, bem referenciada pelo apelido Rabbit (Coelho), recebida ao proteger o inocente animal, que traz a simbologia da inocência e pureza para o personagem.

Não há como não mencionar a utilização das bem atuais fake news com as informações contidas em sua narrativa. Artifício mais recorrentemente usado no nosso tempo, ele é inserido na trama como recurso para moldar e justificar as ações nazistas contra os judeus, que passa por transformação ao longo da trajetória do protagonista. O filme sabe lidar de forma bem leve e inocente algo tão pesado e delicado quanto foi o holocausto e o nazismo. E ainda contém no elenco de apoio ótimos nomes que exprimem as atitudes daquele povo de forma caricata e exagerada, mais uma vez, para amenizar a sensação controvérsia que automaticamente sentimos, e que reforça a comédia exótica do diretor.

Um dos pontos com maior destaque do longa é o elenco. Encabeçado pelo talentoso Roman Davis, que da vida a JoJo, trazendo a inocência e o extremo patriotismo, que se transforma ao longo do seu convívio com a judia Elsa (Thomasin McKenzie). Scarlett Johansson também ganha grande destaque como a mãe de JoJo, com uma profundidade entre ser alemã, e ser contra o partido nazista, e todo seu relacionamento com seu filho; Sam Rockwell também tem uma participação importante no início, e mais para o fim do filme, de grande destaque. E como não podia faltar numa comédia, Rebel Wilson também traz uma versão de uma Fraulein.

O filme também conta como ponto positivo a fotografia e o jogo das câmeras, utilizando tons mais pastéis com cores bem saturadas, ressaltando algo antigo e cheio de alegria, num momento tenso e sombrio como foi o final de Segunda Grande Guerra; além de simetria dos posicionamento de cenas, dando um ar mais clássico para a narrativa. O grande ensinamento – se podemos chamar assim – deste filme é a valorização da liberdade e da verdade, uma vez que vem de JoJo a quebra desta verdade absoluto imposta por um governo autoritário ao conhecer Elsa; que por sua vez luta pela liberdade que fora tirada do dia para a noite.

JoJo Rabbit é aquele filme que podemos ficar com o pé atrás, mas que de uma forma bem leve trata questões de igualdade social e com o humor exótico de Waititi explora os exageros deste período pelo olhar de nosso protagonista, e suas interações com sua mãe, a refugiada, seu comandante e seu amigo, e que cresce de um filme desconfortável, para um filme otimista e divertido.

produto-imagem

JoJo Rabbit

8

Com uma fotografia alegre que contrasta com a densidade narrativa da época, JoJo Rabbit exala inocência e utiliza recursos exagerados e caricatos para trazer mensagem de respeito e otimismo

  • Fotografia alegre com Tom pastel
  • Narrativa leve e otimista
  • Crescimento do protagonista gradativo e empático
  • Empatia pela narrativa, personagens e contexto construído aos poucos
    0