Bad Boy Para Sempre (Bad Boys For Life)

17 anos desde que Bad Boys II chegou aos cinemas, ainda há alguns fatores que podemos reconhecer: a vaidade do detetive Michael “Mike” Lowery (Will Smith) e o falante, as vezes pessimista e melhor amigo, Marcus Burnett (Martin Lawrence), as belas luzes e as praias de Miami, e muitas explosões e pancadaria bem ao estilo que tanto conhecemos de Michael Bay.

Ambientada 25 anos após o primeiro filme, a trama coloca Mike Lowrey e Marcus Burnett lidando com os diversos dilema de estarem em uma nova geração. Enquanto Marcus quer uma vida normal de aposentado, Mike lida com o dilema de não aceitar que a idade chegou, e que talvez seja hora de sossegar também. Ambas as posições são colocadas em conflito quando uma série de assassinatos, que incluem um atentado contra Mike, faz a dupla se unir novamente para desvendar uma conspiração misteriosa – e inesperadamente pessoal.

A verdade é que não precisavamos de um Bad Boy III, e o fato da Sony Pictures e Jerry Bruckheimer, produtor do filme, trazerem essa franquia de volta, demonstra essa nova fase de Hollywood de estar se aproveitando da nostalgia para capitalizar, mas que nem sempre resulta em bons produtos. No entanto, com Bad Boys não podemos dizer que foi ruim sua volta!

Os dois primeiros filmes são criações de sua própria época. Tiras, gângsters e química não formam o tipo de mitologia profunda o suficiente para sustentar uma franquia, principalmente onde a tecnologia é a parte mais vital até mesmo no mundo cinematográfico. Em outras palavras, é fácil compreender porque um terceiro Bad Boys demorou tanto para ser lançado; quando o projeto vem com uma ideia que justifica, analisa e atualiza todos os elementos para sua existência, temos um filme que realmente se torna relevante e necessário: o Marcus e Mike dos dois primeiros longas são figuras do passado, e o roteiro assinado por Chris Bremner, Peter Craig e Joe Carnahan é excepcional na forma como coloca esses dois dinossauros de uma fase inexistente no complicado mundo moderno.

O fato de Marcus e Mike agora trabalharem com uma equipe mais jovem e diversa (formada por Vanessa Hudgens, Alexander Ludwig, Charles Melton e a ótima Paola Nuñez) também oferece conflitos e piadas divertidas, especialmente pelo método de trabalho que agora troca socos e tiroteios por hacking, drones e planos mais elaborados.

Esse é o primeiro filme sem contar com Michael Bay na direção, dando espaço para a dupla belga Adil El Arbi e Bilall Fallah, que surpreendem na função. A dupla traz as homenagens ao estilo de Bay ao manter a escala insana e exagerada da ação. Nas raras instâncias onde a ação realmente se transforma em um espetáculo genuíno, os diretores se asseguram de priorizar o lado mais realista da cena.

E por fim, atendendo a todas as expectativas do público e também surpreendendo a crítica, Bad Boys Para Sempre (Bad Boys For Life, EUA 2020) chega trazendo um filme coerente, com uma boa história, personagens incríveis, excelentes cenas de ação, e um sentimento nostálgico que não é prejudicado, por ser excelente e bem executado. Vai agradar a todos os públicos, e ainda traz um pontinha de esperança com a pequena cena pós-créditos!

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