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Adoráveis Mulheres

Emma Watson, Saoirse Ronan, Eliza Scanlen and Florence Pugh in Columbia Pictures’ LITTLE WOMEN.

Já é difícil ser uma mulher nos dias de hoje, com os inúmeros casos de assédio, feminicídio, machismo e objetificação ao seu corpo. E mesmo eu sendo um homem, vejo toda a luta que elas têm para conseguirem ser reconhecidas pelas qualidades e não serem rebaixadas pelo sistema patriarcal e misógino. Mas toda a luta gradativamente deu a elas o espaço que tem hoje, e que ainda vai crescer até tudo ser realmente igualitário. Ser uma mulher que ousasse ser mais do que a sociedade definia era visto com mais olhos, Adoráveis Mulheres, adaptação do romance de Louise May Alcott, tenta retratar a vida de uma mulher em suas diversas nuances, ao abordar a mulheres March, que tem um relacionamento com a arte, e provam que podem ser mais do que o “sexo frágil”.

A história acompanha as mulheres March: Jo (Saoirse Ronan), Meg (Emma Watson), Amy (Florence Pugh) e Beth (Eliza Scalen) em suas jornadas como irmãs e mulheres que lutam dia após dia para conquistar seus sonhos e construir suas vidas da forma que desejarem. Cada uma ligada a uma arte diferente, elas buscam nestas habilidades serem as melhores versões de si mesmas, e encontram na família o suporte para continuarem a lutar por seus sonhos.

Ambientada supostamente no início do XX, a história é narrada pelo ponto de vista de Jo (Saoirse Ronan), a segunda March que está ligada a escrita. Vivendo na cinzenta Nova York, e trabalhando num jornal como contista, ela retorna a sua antiga casa quando a irmã mais nova piora de sua doença. Numa narrativa não linear, a história mescla os atuais acontecimentos – que não tem grande impacto ou importância nós primeiros atos – e viaja na juventude das irmãs March, retratando sua personalidade e irmandade.

Um ponto que ao meus olhos não foram bem aproveitados, foi o foco da narrativa fica quase que exclusivamente com Jo, a protagonista, pois a história em si das irmãs acaba sendo bem mais interessante ver elas a partir do ponto de vista de cada uma, uma vez que o próprio narrador que controla o que a história vai ser. Mas esse pequeno ponto é bem contornado quando as cenas incluem as quatro March, e como o âmbito familiar, que já era cheio pelas Pequenas Mulheres March, se adiciona a mãe e a empregada, já que o pai fora lutar na guerra, e ainda acrescenta a vó, mostrando uma sintonia perfeita entre as personagens tão distintas.

A trama consegue criar grande empatia pelas personagens, mas até certo ponto. Meg e sua vocação para o teatro, mesmo que pouco explorado, deixa mais para o fato dela ser a mais velha e a mais centrada das irmãs. Não a toa, Emma Watson interpreta a irmã. Amy, a mais geniosa, tem grandes sonhos e acaba tendo atitudes egoístas, e é a única das irmãs que tem seu próprio arco sem interferência das outras – quando não em flashback. Ela busca por amor, e ensinada a buscar quem lhe sustente, luta contra isso ao utilizar sua aptidão a pintura para ser seu carro chefe de se sustentar. Já Beth, a mais nova, enfrenta a enfermidade, que descobrimos ao longo dos flashbacks, que ainda chega a ser pior ao ver o quão doce a personagem foi tratada, e sua ligação com a música.

Já Jo, como protagonista, como personagem foco, traz a revolução em sua construção, e como ela se perdeu ao focar em escrever para se sustentar e não escrever para encantar outros, o que ela se retransforma ao final do longa. A diretora soube bem como aproveitar, mesmo que em suas limitações, o elenco feminino grandioso que tem. Além das protagonistas, temos Laura Dern como a matriarca que dá o ensinamento da compaixão e compartilhamento para as Pequenas Mulheres March, Meryl Streep como a avó das meninas, que mesmo ensinando algo conversador e antiquado, acaba roubando a cena no mesmo espírito que Maggie Smith rouba em Downton Abbey.

O filme ainda se destaca pelas pequenas mensagens de empatia, compaixão e autenticidade que o roteiro reforça em suas cenas, além de trazer uma fotografia rica do início do século passado. E mesmo com o elenco feminino com ícones da atuação, e aqueles que estão despontando, o filme não ofusca ninguém – mesmo que o roteiro apresente o ponto de vista de apenas uma das personagens – e deixa os personagens masculinos como acessórios do enredo.

Adoráveis Mulheres é aquele filme que te abraça, e faz você acreditar num mundo melhor, mesmo que o mundo seja cinzento e frio, que você precise esquecer quem você é para sobreviver e que pelo olhar destas mulheres, que lutam diariamente pelos seus sonhos, encontram forças uma nas outras para serem as melhores versões de si mesmas.

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