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Ameaça Profunda

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Ainda não conhecemos totalmente nosso pequeno planeta azul. Um dos mais misteriosos locais da Terra é o oceano, com suas inúmeras espécies quase primordiais vivendo em suas águas, e as grandes fossas ainda guarda grandes descobertas. Está é a principal proposta do novo filme de suspense com tons de terror da Fox, Ameaça Profunda, que ainda consegue trazer a sensação de estarmos vendo outro filme bem distante de seu gênero, mas que contém enormes semelhanças.

Ameaça Profunda segue a cruzada dos profissionais de uma broca marítima na fossa das Marianas, local mais profundo da Terra, após uma falha na estação subaquática provocar seu mal funcionamento. Guiados para sobreviver ao desolador local, suas vidas ainda correm risco quando algo que vive nas profundezas começa a caça-los.

A sinopse do filme, generalizando, lembra muitos filmes de sobrevivência, e até de ficção científica, e isso é a principal sensação que teremos ao longo do filme: sua proximidade em argumento narrativo com Alien: O Oitavo Passageiro. Desde sua protagonista mulher, geralmente vestida apenas com as roupas de baixo – pois estava apenas escovando os dentes para ir descansar de seu turno, quando a falha ocorreu – até às criaturas e seu design lembrar muito o alien. Além de que podemos substituir o local das profundezas do oceano pelo espaço desconhecido a qualquer momento.

O básico do longo é mostrar a jornada de sobrevivência dia personagens enquanto as ameaças naturais do local e as criaturas começam a tirar um por um da conta de sobreviventes. Sim, há mortes, e não são mortes okay, que você consegue descartar, são bem violentas e mesmo com o limite de espaço para ter cenas mais sanguinolentas, o filme ainda consegue trazer muito sangue a história. O que parecia ser um filme de ação de sobrevivência acaba ganhando nuances de terror, suspense e ficção científica.

A primeiro momento, não conhecemos nenhum dos personagens, e até não sentimos empatia de imediato, mas ao longo de seu desenvolvimento começamos a conhecer melhor cada personagem que foi inserido de forma abrupta, e a partir da primeira baixa, sentimos pelo ocorrido. De um modo bem geral, o filme não é tão absurdo quanto pareça, nem simples demais, e também não é audacioso, não explorando a ideia apresenta logo no início com a protagonista, Norah (Kristen Stewart), sobre solidão e perda da bússola biológica.

Apesar do apelo de sobrevivência, o longa ainda se permite inserir o tema de preservação dos habitat naturais, já que as criaturas, até onde se sabe, começaram a atacar quando a própria broca subaquática atingiu um bolsão térmico nas profundezas. Essa temática de preservação de habitat não é tão bem desenvolvida dentro da história, mais por não ser o foco, já que tudo é uma questão de sobrevivência dos humanos. Mas que é reforçada após o final do filme ao ser revelado que as ações continuaram após o desastre ter sido solucionado, entrando a mensagem da exploração corporativa de recursos.

Se temos Kristen Stewart no elenco temos que apontar sua atuação. A própria meme conseguiu demonstrar ao grande público que sabe bem fazer uma comédia como Sabina na nova versão d’As Panteras, e aqui, a personagem não regride, mas conseguimos ver nuances do que gerou o meme da atriz com até uma atuação razoável de uma sobrevivente. Sua semelhança com a personagem de Sigourney em Alien é gritante, e pode ser ou não intencional essa semelhança, já que ambos os filmes falam de sobrevivência num local inospto e com uma criatura jamais vista e mortal.

Ameaça Profunda é como muito ouvimos um ótimo filme Sessão da Tarde, diverte, passa tempo, mas não é marcante para que fique na memória. Leva as típica mensagem de preservação a habitats de forma bem superficial, e que toma toda a tela a sobrevivência da protagonistas e de poucos que a rodeiam, sem uma grande lição de moral, ou um aprofundamento no dilema unitário da protagonista que começa e termina com analogia sobre estar na escuridão.

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Ameaça Profunda

7

Sem grandes audácia, longa se preocupa em mostrar a jornada com diversas perdas das formas mais sobrehumanas e sangrientas, e deixa de lado temas como preservação de habitats, exploração indevida, enquanto cria empatia pelos personagens que vão se despedindo de formas bem violentas

  • Kristen Stewart está okay em sua atuação
  • Tensão cena após cena
  • Referência bem gritantes a Alien
  • Falta de tato ao trabalhar um tema sobre preservação de espécies e habitats
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