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The Morning Show

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Em uma empreitada bem ousada – mas já conhecida – a Apple lançou em novembro do ano passado seu mais novo serviço de entretenimento, a Apple TV+, mais uma plataforma de streaming que entra no hall que já conta com a estrela e gigante Netflix, as suas concorrentes Prime Video, HBO Go, Telecine, Globoplay, e a ainda fora de nosso território nacional, a Disney+. Anunciada logo no primeiro semestre de 2019, o foco desta plataforma é conteúdo totalmente original, e logo em seu lançamento diversos títulos já estava aguardando o público, e dentre os estreantes, o carro chefe da plataforma, The Morning Show marcou o retorno de Jennifer Aniston e Steve Carrell as séries de televisão, e ainda causou um reboliço como uma das séries mais corajosas e de grande repercussão no final da década.

The Morning Show segue os bastidores de um programa de noticiais televiso matinal, que é um costume doa EUA. Mas só isso não bastava. Produzido pela produtora de Reese Witherspoon (Big Little Lies), a série conta a histórias destes jornalistas, produtores, redatores e donos de emissoras após o âncora deste jornal matinal ser acusado de assédio sexual. Ao mesmo tempo que o próprio programa passa por um furacão onde demitem o âncora que é o rosto do programa e da emissora, seus funcionários passam por um momento de choque, uma jornalista de uma cidade pequena se destaca e chama a atenção dos produtores, que é convidada para ser a substituta da única âncora do programa, mas acaba assumindo o lugar vazio do jornalista acusado.

Em seus primeiros episódios a série pode passar a impressão de ser complexa pela quantidade absurda de situações e uma linguagem bem característica dos bastidores da TV, mas que ao longo de seus nove episódios cresce sua narrativa de forma surpreendente, e os diálogos se tornam mais facilmente compreensíveis, e até nos acostumamos com a rotina. O grande trunfo da série foi a forma que ela foi lançada. Diferente da plataforma que é o foco dos novos streamings, a série estreou com três episódios no lançamento da Apple TV+, e semanalmente foi lançado um episódio. Esse período foi mais que necessário para digerir o conteúdo apresentado no episódio, e criar expectativas para a continuação da história.

A história se destaca em sua construção, sendo algo inesperado, e muito impactante. A série se reforça na temática abordada pelo movimento Me Too, e vai além, ao trazer diversas mulheres em situações distintas, e como elas lidam com os abusos, diretos e indiretos, os preconceitos ao gênero e como elas agem quando descriminadas. Da mesma forma, a série traz o contraponto masculino, que por mais que tenha nomes e personagens interessantes, são mais personagens acessórios para discutir a diferença entre uma profissional mulher e um profissional homem, e servem de contraponto ao discurso da narrativa.

Basicamente todo o peso da série é carregado pelo trio de protagonista: Reese interpreta a jornalista que chamou a atenção ao explodir com um manifestante sem conteúdo para estar manifestando, e traz o ar mais moderno e incisivo a um modelo de programa antiquado e conservador; Steve Carrell chega com o outro lado da história, o acusado de assédio passa a toda cena a sensação de desprezo, e isso foi feito de forma magnífica. Apesar de muitos gostarem do ator em seus diversos papéis na comédia, ele consegue transmitir um ódio ao personagem digno de antipatia, desde suas atitudes mais machistas, até suas feições superiores e que se sente blindado as consequências.

Mas quem realmente rouba a cena é Jennifer Aniston. Fazia tempo que não a víamos em trabalhos para a televisão, e desde seu memorável papel na série queridinha de público, Friends, e se ela tivesse que voltar, teria que ser uma produção grandiosa. E isso aconteceu. Exatamente no meio desta tempestade, sua personagem começa com a dualidade de se chocar com o ocorrido com seu companheiro de trabalho e melhor amigo, até ela mostrar que sabia, indiretamente, do que acontecia. Toda sua jornada nesta temporada foi para mostrar a personagem tomando conta de sua carreira, e não se infligindo ser apenas um ativo da empresa, pois ela sabe de seu potencial e profissionalismo. Ao mesmo tempo que temos leves pinceladas de sua vida pessoal e como tudo acaba a afetando, culminando no final tão empoderador ao romper o limite de sua saúde mental e psicológica.

Além dos protagonistas, a série traz excelentes personagens em seus diversos arcos, envolvidos ou não pela cerne da história. A produtora Hannah (Gugu Mbatha-Raw), a assistente Claire (Bel Powley), o diretor de conteúdo jornalístico Cory (Billy Crudup), toda a equipe, por mais gigantesca e que encham nossos olhos e mentes com inúmeras histórias individuais, foram bem construídos e não foram ofuscados ou deixados de lado apesar do pouco tempo que a série os dava, sabendo desenvolvê-los bem nesta temporada com tamanha profundidade que nos afeiçoamos a todos – com exceção dos antagonista machistas.

The Morning Show vem para integrar mais série que abordam temas sociais pertinentes a nossa sociedade. Junto com The Handmaid’s Tale e Big Little Lies, The Morning Show de destaca por ser uma história original, e de grande peso no grande universo de séries que estamos vivendo nós últimos anos, e ainda viveremos, mesmo que sugira ser inspirada em caso reais que estouraram com o Me Too, a série traz uma visão mais profunda das consequências para as vítimas deste crime, além de explorar os bastidores de um programa jornalísticos, e as inúmeras formas de jornalismo e jornalistas em meio a um tema que abre para diversos outros assuntos injustos: a cultura machista institucional das empresas.

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The Morning Show

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Eme una narrativa crescente, The Morning Show marca o retorno em grande estilo dia protagonistas Jennifer Aniston e Steve Carrell as produções televisivas, a série desenvolve muito bem os personagens, dos principais aos secundários, cria empatia e antipatia, e destrincha o empoderamento feminino dentro do ambiente corporativo, quando ele é machista e aproveitador

  • Atuações inacreditáveis de Jennifer Aniston, Steve Carrell e Reese Witherspoon
  • Personagens secundários muito interessantes e bem explorados dentro da história
  • Boa abordagem dos temas sobre assédio e privilégios corporativos
  • Demora em se adequar a narrativa mais lenta no início e a linguagem utilizada
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