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Star Wars: A Ascensão Skywalker

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O fim de toda e qualquer saga grandiosa têm alguns requisitos que precisam conter em sua história. Além de finalizar bem a trama começada lá no primeiro filme, ser fiel a saga, muitas perguntas deixadas ao longo da jornada precisam se concluir e visando algo mais audacioso, deixar questões para serem exploradas em novas sequências ou spin-offs, além de dar para cada personagem, seja um herói ou vilão, um destino adequado. Star Wars teve no final do ano de 2019 a tarefa de encerrar a nova trilogia que retornou em O Despertar da Força e chega no encerramento da história dos Skywalkers com A Ascensão Skywalker, que seja tão boa quanto os personagens construídos desde os filmes da década de 1980, até às homenagens aos atores que viveram os clássicos personagens, o que o novo episódio consegue fazer, mesmo que de forma anticlimática.

A jornada do mais novo trio formado por Rey (Daisy Ridley), Finn (John Boyega) e Poe (Oscar Isaac) os leva até um informante que revela que o Imperador Palpatine (Ian McDiarmid) estava escondido na fortaleza Sith construindo uma gigantesca frota para tomar o controle do universo, e que para conseguir chegar até o planeta Sith, o trio precisa ir atrás do artefato que indica a localização. Nesta jornada, a ligação entre Rey, que está em treinamento com Leia (Carrie Fisher) e Ben Skywalker/Kylo Ren (Adam Driver) ganha novas nuances, e o destino dos dois se entrelaçam mais ainda.

Para um fã, acredito que ver o encerramento desta trilogia enche o coração com inúmeras referências e easter eggs da franquia, além de responder as principais questões deixadas ao longo da jornada, o que é bem suprido no último filme desta trilogia. Descobrimos qual é a origem da Rey, entendemos mais profundamente a ligação entre Rey e Kylo/Ben, além dos fãs terem aquela aquecida no peito ao reverem Lando Calsirrian (Billy Dee Williams), cenários clássicos remontados, ademais de parte do elenco das outras trilogias retornarem no grande clímax.

Já para alguém de fora, que não é tão fã da franquia, o filme é okay. Mas não desmerecendo o alcançado. Apesar dos inúmeros problemas – a maioria apenas vistas pelos próprios fãs – o nono episódio apresenta um final apoteótico, mas que não é tão grandioso para um fã, e não tão bem explicativo para quem está de fora. Ele fica no meio – já que muitas das reclamações vem de alguns fãs.

Muitos personagens inseridos ao longo desta trilogia ficaram bem em terceiro plano, como a própria Rose (Kelly Marie Tran), que gerou muitas reclamações em Os Últimos Jedi. Sua personagem – que ao meu ver – tinha um ótimo potencial dentro da trama, foi jogada de escanteio, não tendo nenhuma cena de destaque ou que fosse tão relevante. Outros, tiveram sua participação apenas para isso mesmo, seja um revival para os fãs, como a presença de Lando, ou por impossibilidade de mais cenas, como a participação de Carrie Fisher. Está que merece um parágrafo próprio.

Como já anunciado desde sua morte, a participação de Leia Organa ficou reduzida a cenas deletadas dos outros dois filmes, que supriram bem falta que a atriz trouxe, e ainda a própria trama trouxe a importância de Leia dentro da trama com maior força, mostrando seu treinamento, numa cena recriada dela com Mark Hamill jovens, e a presença dela em forma de seu sabre de luz. Luke é outro que também está presente, mas a questão central está na força de todos os Jedi e principalmente dos últimos dois Jedi, os Skywalkers, e na força que os dois tem juntos.

Apesar de momentos marcantes dentro da narrativa, muitos destes com um grande clímax não tiveram grande impacto. O principal foi a revelação da ancestralidade de Rey. Mesmo com as peças se encaixando, e na demonstração de poder dela na cena do sequestro de Chewbacca (Joonas Suotamo) até aqueles que assim como eu, não é grande fã da franquia, conectava a cena em questão com uma cena da trilogia prelúdio, dos anos 2000, e quando revelado, por mais previsível, não tem grande impacto imediato, ficando apenas uma cópia menos impactante do que o “I’m your father” do Darth Vader.

Muitas questões ficam em aberto, o que é bem característico da franquia, como o que é a Força, porque Rey e Kylo tem essa conexão, porque Finn por algum motivo também consegue entender a Força, questões estás que não são importantes para um fã, mas que são importantes para quem não é e quer compreender este mundo repleto de regras sem explicação definitiva, o que fica entre o desanimador para desistir de algo sem explicação, ou encantador por ser algo que fica a interpretação do telespectador.

Star Wars: A Ascensão Skywalker tem uma final glorioso para os Skywalkers que conhecemos, e abre um novo capítulo para o mais novo integrante que toma o nome para si no local de origem desta família, e este momento resume o subtítulo, o encontro da origem de Rey, e sua jornada para descobrir sua verdadeira identidade, escolhida por ela, independente de sua herança, e encontrando a força dentro de si, e o que ela representa para uma nova geração de Jedi. Apesar de alguma momentos bem inesperados, o nono episódio de Star Wars, visto por alguém que não é fã, é um ótimo filme, que entrega uma história coerente em sua falta de explicações, mas com um espetáculo espacial, e mesmo não agradando os fãs, encerra uma trilogia de teste na nova casa de forma grandiosa.

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Star Wars: A Ascensão Skywalker

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Mais uma vez com inúmeras mini-tarefas para concluir a saga, longa traz um encerramento que responde as perguntas mais mundanas da trilogia, enquanto descansa alguns personagens neste emaranhado elenco, repleto de easter eggs e referências clássicas da franquia, e deixa o gosto amargo do anticlimax pairando no ar nas revelações que deveriam ser mais impactantes, enquanto momentos mais mornos tem maior desenvolvimento

  • Trama recheada de referências das outras duas trilogias
  • Desenvolvimento dos protagonistas de forma coesa
  • Ótima química do bromance entre Poe e Finn
  • Protagonismo feminino continua sendo forte para está geração
  • Momentos climáticos jogados
  • Explicações mais generalizadas do universo deixadas em aberto a interpretação (nem chega a ser um contra)
  • Desperdício de personagens com potencial, e que poderiam ter maior papel neste encerramento
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