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Watchmen (1ª Temporada)

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Acordamos, temos notícia de uma produção com super-heróis. Vamos tomar café, a notícia de um ator renomado que aceitou viver um herói de história em quadrinho. Viramos a esquina na rua, aparece uma pessoa fantasia de um super-herói qualquer. Vivemos hoje rodeados deles, desde seu boom em 2008. Nunca antes esse novo gênero ficou tão popular. Não é a toa que é o timing perfeito que críticas sociais estarem inseridas nesse novo universo do entretenimento pipoquem atualmente. Depois de se chocarmos com o humor ácido de The Boys, chegou a hora de um dos principais histórias que usa a imagem destes seres como forma de crítica social: Watchmen. Em um misto de cutucada com porcos espinhos em questões sociais e uma aula de como fazer uma série, Watchmen é a felicidade de usar esse meio para passar a mensagem a todos.

Esqueça – de leve – o que você sabe sobre Watchmen dos quadrinhos. Esqueça a adoração cinematográfica querida por todos de Zach Snyder nos anos 2000. A série produzida pela HBO segue no mesmo universo de Watchmen, mas por uma vertente da história completamente nova, que por conveniência, tem diversos personagens conhecidos de Watchmen, mas que não depende exclusivamente deles para seu desenvolvimento. Anos após o desaparecimento do Dr. Manhattan, a sociedade agora tenta lidar com os poucos vigilantes, e situada na cidade de Tulsa, uma seita que se esconde com máscaras do Rorschach começa a ameaçar a paz mirando suas ações na polícia e na ordem.

A série não tem seu foco principal no que outras séries e filmes com super-heróis baseados em quadrinhos segue: ação, lutas, e um vilão com uma visão extremista com poderes sobrehumanos que ameaçam toda uma sociedade. Okay, a grosso modo, isso tem em Watchmen, mas o principal é uma história sobre racismo. A série logo se inicia com um fato verídico que ocorreu na real Tulsa em 1921, e é a partir deste evento que a série se desenvolverá.

A história carrega inúmeras referências, alegorias e metáforas sobre a luta por igualdade de gênero e raça, e ainda utiliza de uma hipérbole narrativa bem cômica a figura do homem branco perante a sociedade atual. Mesmo que o exagero mais tendencioso para a comédia, a série ainda sabe ser algo diferente, mas ao mesmo tempo necessário para abrir discussões. A série ainda esbanja como contar sua história, utilizando de uma edição que valoriza a história, de escolhas visuais, escolhas de enquadramento, e todas técnicas que tornam a série numa experiência televisiva.

Artisticamente a história só tem a ganhar: Regina King como protagonista foi a escolha perfeita para ser o centro da história e ser a ferramenta que movimenta ela; Jeremy Irons trouxe um sofisticado e mais maduro Adrian Veidt/Ozymandias; Jean Smart trouxe uma nova visão de Laurie que conhecemos tanto nas HQs e no filme; e dentre os vigilantes, Tim Blake se destaca como o Looking Glass. O elenco é bem equilibrado e escolhido perfeitamente, e que aqueles que se conhece de outras mídias, ganham novas interpretações que melhoram o personagem, como o Ozymandias, Spectre, o próprio Dr. Manhattan.

Watchmen por mais que seja uma série de super-heróis, ela é mais uma grande crítica social, das menores as maiores questões, e se torna uma grande experiência televisiva. Com um ótimo elenco, ótimas escolhas técnicas e uma história totalmente original, pode ser considerada uma das melhores séries deste ano, com um ótimo equilíbrio narrativo e técnico, personagens carismáticos, tramas que prendem pelo mistério, que se desenvolve de forma majestal.

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Watchmen (1ª Temporada)

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Em um grande espetáculo televisivo, Watchmen entrega uma história equilibrada em narrativa, metáforas e alegorias com ótimos personagens e trajetórias, além de uma qualidade técnica marcante

  • História original que não depende diretamente das histórias dos quadrinhos ou do filme
  • Personagens carismáticos e com grande presença
  • Decisões narrativas únicas e memoráveis
  • Universo de Watchmen dos quadrinhos usado o mínimo possível apenas para contextualizar a história da série
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