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The Witcher (1ª Temporada)

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O mundo da fantasia é quase uma fonte inesgotável de histórias a ser explorada com inúmeras metáforas e analogias de nossa realidade que além de passar uma mensagem social, diverte e entretém. Apesar do gênero ser algo acessível a muitas pessoas, só foi com O Senhor do Anéis nos cinemas e Game of Thrones na televisão que tanto a popularidade quanto os críticos ganharam maior notoriedade e respeito, respectivamente. A grande aposta deste mundo fantástico com qualidade da Netflix é a nova série The Witcher, baseado nos livros homônimos que deram origem a série de jogos, que embora muito esperada, pode ser uma decepção.

Fica até difícil resumir a série em um parágrafo, uma vez que não tem exatamente uma jornada linear em tela, e isso chega a ser até um pouco desmotivador, já que a série se assemelha mais a uma fantasia procedural do que um drama com uma narrativa linear. Em suma, a história principal é do avanço das forças militares de Nilfgaard pelo continente, enquanto a princesa de Cintra, Cirila (Freya Allan) consegue escapar da chacina e parte em busca daquele que pode ser o seu salvador, Geralt de Rivia (Henry Cavill). Mas a história se mescla em três período de tempo, o que não fica explícito ou que sirva como uma virada de roteiro para mudar a forma como estamos assistindo as jornadas. Isso pode ser algo bom, não explicitar os períodos temporais, mas isso também não é um elemento necessário para a história, o que poderia ser descartável, uma vez que ela confunde o desenvolvimento.

O ponto é que os momentos de Geralt e Yennefer (Anya Chalotra) se passam antes da história de Ciri, e basicamente descobrimos isso ao ver personagens que apareceram em outros arcos mais novos ou mais velhos, e isso deixa a história confusa. Outro ponto que deixa bem confuso é o equilíbrio das cenas. Os episódios tentam equilibrar a quantidade de cenas que os três personagens aparecem nos episódios, o que não parece ser necessário, podendo deixar focado em apenas um personagem, ou dois de forma desequilibrada, que ajudasse a condução da narrativa de forma mais interessante. E isso recai na edição, que se torna numerosa e que quebra qualquer engajamento e maior interesse em se manter assistindo.

Em contraponto fica os próprios personagens e os atores. Todos se tornam interessantes de conhecer mais e percebemos o quão bem construídos eles tentaram, até os secundários, muitas vezes aparecem apenas para um determinado episódio, mas causam grande impacto devido sua personalidade bem cativante, mesmo que bem descartáveis no roteiro. A rainha Calanthe (Jodhi May) mostra como fazer uma personagem feminina relevante e com presença cativante mesmo descobrindo suas artimanhas pessoais; a feiticeira Tissaia (MyAnna Buring), mentora de Yennefer com uma personalidade quase megera, que se contrapõe em sua relação afetuosa com Yennefer. O grande destaque dos personagens principais fica com Anya Chalotra, que interpreta Yennefer, que guarda momentos dramáticos muito bons, aliada a uma jornada que menso confusa, é bastante coerente.

A série tenta trabalhar a questão do racismo e violência sofrida por aqueles que são diferentes: Geralt é um mutante produzido pela magia que é menosprezado e ridicularizou pelos humanos; Yennefer, antes da transformação, era agredida moralmente por ser disforme, e encontra na busca por poder um escape para obter tudo que sempre quis: aceitação. Mas a série tenta, as vezes ela consegue levar a mensagem a sério, nas conclusões das missões do episódio onde o monstro a ser exterminada nada mais é que uma vítima amaldiçoada. Mas ela não se torna memorável ou mais relevante.

Muito das regras dentro do mundo de The Witcher não é explicada, é mais para ser deduzida, assim como a linha do tempo e como ele conta sua história, e mesmo assim, fica em aberto para uma explicação definitiva, como a diferença entre os feiticeiros e os Witchers, a motivação de Nilfgaard em pilhar o Continente; isso fica entre uma decisão interessante deixar aberto a interpretação, mas por ser um novo mundo, onde muitos não são familiarizados, um mínimo de explicação supriria futuras explicações; além de seu final climático – para Yennefer – que deixa em aberto a real conclusão da guerra e do destino de Geralt e Ciri agora que estão juntos, mas que estes dois últimos não tenho vieram grande importância dentro da conclusão da primeira temporada.

The Witcher por mais que tenha muitos problemas narrativos, de construção da história, ainda guarda muito potencial, que quando bem estruturada pode ser um novo drama de fantasia que pode marcar uma geração, e vemos que a escolha do elenco foi muito boa – mesmo que a necessidade bruta de matar qualquer personagem aleatório sem um bom motivo – e que sabe criar carisma por eles, e que a não linearidade de contar sua história por aleatoriedade acaba dispersando a atenção de consumir o conteúdo. O problema será como vão equilibrar a série para ser memorável, e condizer com o potencial que a franquia merece.

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The Witcher

6

Muito esperado desde o anúncio, The Witcher tem uma intenção boa de criar um novo drama de fantasia, mas peca com um roteiro confuso que esquece de introduzir os novatos ao mundo e suas regras, além de sofrer com mas escolhas de edição

  • Personagens interessantes e com grande potencial dramático
  • Universo com riqueza e potencial
  • Má edição das cenas
  • Escolhas narrativas fracas
  • Roteiro confuso e fraco em desenvolvimento
  • Motivações de personagens fracas ou mal resolvidas
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