O Escolhido – 2ª temporada | Crítica

A primeira parte de O Escolhido, série brasileira original Netflix, teve sua estréia no dia 28 de junho, e apenas algumas semanas depois tivemos o anúncio da chegada de sua segunda parte para novembro, houveram alguns atrasos, mas no último dia 6 desse mês ela estreou.

Revisitando a 1ª temporada

Com uma temporada de estréia empolgante, a série entregou tudo o que prometeu como suspense, mistérios, alguns sustos. Um clima de tensão pairava sobre Lúcia (Paloma Bernardi), Enzo (Gutto Szuster) e Damião (Pedro Caetano), três médicos que foram para a cidade de Aguazul vacinar os moradores contra um vírus mutante da Zika. Chegando no vilarejo, se depararam com situações extremamente conflitantes e perturbadoras que envolviam o Escolhido (Renan Tenca) e sua vida Angelina ( Alli Willow ).

Depois de muitas situações, histórias sendo reveladas e amores proibidos acontecendo, Lúcia e Enzo conseguem fugir dos horrores vividos, porém Damião fica e ninguém sabe o que aconteceu com ele. O desfecho é surpreendente, pois Enzo faz algo que obriga Lúcia a voltar e buscar socorro no Escolhido, o mesmo homem que aterrorizou sua vida durante os tempos passados em Aguazul.

Entrando na 2ª temporada

Lúcia não se dá por vencida diante da emboscada de Enzo e vai em busca de uma confirmação se foi realmente infectada com o Vírus do Zika, mas acaba descobrindo que é algo muito pior, pois a mutação injetada em seu sangue é mais devastadora que a mutação anterior, da primeira temporada. Ao descobrir isso, sua colega de profissão ( que não tem nome, ninguém sabe quem é e desaparece logo em seguida) chama a polícia e uma espécie de controle de pragas e infecções para isolarem Lúcia, que só tem uma escolha, fugir!

Nesse meio tempo, o barqueiro Silvino (Francisco Gaspar) está em sua missão levando os doentes para serem curados pelo Escolhido, que está fraco por abrir seu dom ao mundo, correndo o risco de dar forças ao seu inimigo Serpente (Renan Tenca), que ganha forças durante a segunda temporada. Angelina, por conta disso, também apresenta um quadro de saúde complicado, o que lhe faz pensar que sua hora está chegando, mas teremos uma grata surpresa aí.

Tudo parece fora do lugar em Aguazul, com a fé dos seguidores mais fiéis sendo testada, as escolhas do Escolhido (redundante, porém necessário) sendo tomadas de forma precipitada, o tom de suspense desaparece da série, trazendo um sentimento de frustração pelo que se prometeu com o enredo da primeira temporada.

Na segunda parte temos a adição de Giselle Itié como Eva. Ela é uma jornalista que vai em busca de cura e acaba se envolvendo mais do que se espera. O que incomoda é o fato de serem 6 episódios para contar uma história diferente, o que não faz sentido, pois há bastante espaço para a continuação da história da primeira temporada. Mesmo que algumas coisas venham acontecendo no decorrer de toda a temporada, tudo ficou jogado, sem nenhuma questão de fazer sentido.

Seis meses se passam de uma temporada para a outra, tendo uma única conexão, com Lúcia indo ao hospital e logo depois fugindo para Aguazul. O que se passou nesse período é desconhecido de todos, as consequências das escolhas de cada um é ignorada de forma brutal e o protagonismo de Paloma Bernardi fica ofuscado, dando um foco maior para outros personagens menores da história.

Eu confesso que me forcei a continuar assistindo, pois eu precisava saber se essa segunda temporada seria somente isso mesmo, e sim, foi só isso mesmo. Foram seis episódios sem emoção, sem sustos, sem suspense. Sabe aquela temporada gigante da série que tem seus quatro ou cinco episódios para dar uma sobrevida, porque no contrato dizia quantidade x de episódios? Foi assim que eu me senti nessa temporada de O Escolhido.

A grande surpresa dessa temporada ficou para a Astrea Lucena, a Cleuza, a velha misteriosa que ficava rondando os médicos e tentando alertá-los sobre as mentiras e perigos do povo de Aguazul.

Algumas histórias do passado foram explicadas com flashbacks, inclusive a primeira cura do Escolhido. Cleuza esteve presente desde a gravidez até os dias atuais, e ela vai ter um papel fundamental em todo o desfecho dessa temporada. ALERTA DE SPOILER – Cleuza tem uma ligação enorme com o Serpente, no entanto não fica claro o que é e nem como começou.

Para não encerrar o clichê, o último episódio é extenso, complexo e traz todos os bons elementos da primeira temporada. Todo o esforço que se faz para chegar no fim da série se justifica nesse episódio e mais uma vez o clímax se forma chamando a próxima temporada que, por enquanto, não tem data de estréia.

Com tudo isso, o conselho que fica é: Gerencie suas expectativas, não espere mais do que já teve na primeira parte dessa história, porém, assista com atenção, pois acredito que muita coisa dessa temporada vai servir para trazer clareza para uma possível terceira parte.

Postagens Relacionadas