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Entre Facas e Segredos

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Todo mundo já jogou Detetive. É o General Mostarda com a faca de cartas na biblioteca! Ou os inúmeros arranjos de quem é o assassino qual a arma do crime, e onde foi o crime. Misturar esse inofensivo boardgame com os romances policiais de Agatha Christie é uma mistura poderosa, já que a emoção dos personagens dentro de uma história de um crime instiga a curiosidade. Já temos vários filmes deste gênero, e eles podem estar no limbo hoje em dia, mas Entre Facas e Segredos, mistura a mecânica de jogadas do boardgame com o peso dramático de envolver uma família estelar.

O filme não tem uma introdução para você conhecer os personagens, ela já começa com nossa vítima morta, e a partir daí mistérios, segredos e muitas situações de muito humor recheiam a trama. Após a festa de 80 anos, o autor de maior sucesso de suspense policial, Harlan Thrombey (Christopher Plummer) é encontrado morto. As investigações concluem que ele se suicidou, mas misteriosamente um dos detetives particulares mais renomados é contratado para investigar novamente. Entre interrogações, busca por pistas, e reconstituições do fatídico dia mostra que quando o assunto é grana e segredos, qualquer um pode ser um assassino.

O filme já chama a atenção pelo seu elenco, e ainda mais no pôster de divulgação onde eles se reúnem. Chris Evans (Vingadores: Ultimato), Ana de Armas (Blade Runner 2049), Daniel Craig (007: Sem Tempo para Morrer), Toni Colette (Hereditário), Jamie Lee Curtis (Halloween), Jaeden Martell (It: A Coisa), Micheal Shannon (A Forma da Água), Don Johnson (Watchmen), LaKeith Stanfield (Atlanta), Katherine Langford (13 Reasons Why). Nomes de peso que podem criar aquela sensação de alguém vai querer se sobrepor sobre os outros nas cenas. Mas esse medo é descartado quando vemos as decisões criativas do roteiro e do diretor de, além de dar personalidades distintas e alinhadas com nossa atualidade, consegue dar destaque para cada personagem em seu tempo, e quando todos estão juntos, vemos uma ótima colaboração e química entre eles que acreditamos realmente que sejam uma família.

A história tem sua inspiração nas grandes histórias de suspense policial de Agatha Christie, isso é inegável, e todo o charme do longa se suporta na personificação da casa dos Thrombey, que personifica a ideia de onde aconteciam os romances de Christie e também quando imaginávamos a história do boardgame Detetive. Cheio de bugigangas que tiram você dá realidade, com objetos excêntricos e cheios de detalhes, lembrando até aqueles jogos de procurar objetos dentro do um cenário. A composição do ambiente remete a algo antigo, recurso muito utilizado em filmes do gênero, mas que não se perde pela modernidade, tendo digital influencer, digital bullier, e outros elementos contemporâneos.

Quanto a narrativa o filme sabe se construir em cima de revelações e plot twist inesperados. Todo o mistério de quem matou e como é logo revelado no primeiro ato, mas não perde o interesse do telespectador. Assim que revelado, novos mistérios são inseridos e como o “assassino” ou “assassina” ou “assassinos” vão se safar de serem presos. E aqui o talento de atuação, mesmo que exagerado, ajuda a criar ainda mais empatia pelos personagens e pela história sendo contada.

Com diversas reviravoltas, sem se deixar ser cansativo, o filme se torna um suspense cômico, devido a pequenos detalhes: o fato da protagonista ter uma reação imediata de vomitar ao contar uma mentira, a caricatura de personagens ligado a tecnologia, até a personalidade do Detetive Benoic Blanc (Daniel Craig), encantador e irônico, com ótimas tiradas inteligentes e engraçadas. O filme tem um ótimo ritmo que não se revela por inteiro, e que desenvolve bem a trama e seus mistérios. Mas precisa prestar muito atenção no grande clímax, pois ele é apresentado de forma tão rápida que parece afobação do roteiro.

O filme ainda tem uma crítica social muito pertinente, principalmente para a atual situação dos Estados Unidos: os imigrantes. A cuidadora e protagonista do longa, Martha (Ana de Armas) é uma latina cuja mãe é imigrante ilegal. Ao longo do filme sua origem fica em aberta, mas mais pelo fato da discriminação dos estadunidenses em relação aos latinos. Ela é chamada de Chilena, Boliviana, Mexicana, Panamenha, até Brasileira, e isso é a ponta o iceberg, quando em uma cena específica, a discussão sobre os direitos dos imigrantes serem suportados pelo governo ou não, entrando na discussão de meritocracia. O filme contém em toda sua narrativa de dezembro ema sutil essa discussão sobre os imigrantes, encerrando de forma brilhante, com um clímax digno de romances policiais de Agatha.

Entre Facas e Segredos pode ser aquele filme que vai ressuscitar os filmes de suspense policial e investigação bem característicos de detetive. Mesmo que o medo do elenco estelar possa fazer você achar que alguém vai acabar ofuscando alguém, tanto roteiro, quanto decisões do diretor mostram que ele deu espaço para todos brilharem dentro de suas personas e que compõe uma verossimidade de que eles são uma família, disfuncional como todas, mas uma família. Abordando ótimos temos atuais para compor um subgênero bem datado e antiquado, longa sabe ser engraçado na medida certa, misterioso quando necessário, e guarda inúmeras surpresas em seus plot twist.

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Entre Facas e Segredos (Knives Out)

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Misturando os mistérios de um bom romance policial de Agatha Christie com a mecânica do jogo de tabuleiro Detetive, Entre Facas e Segredos é uma construção narrativa bem equilibrada, com um elenco impressionante que não se sobrepõe um nos outros, e da oportunidade de cada um brilhar em seu momento. Cheios de reviravoltas que não torna a história cansativa, longa tem força para ressuscitar o subgênero, e ainda cria empatia por abordar temas recorrentes da sociedade como a presença da internet, discussões sobre ódio racial, e diversos plot twist em seu desenvolvimento, ficando bem apressado no final, mas que não estraga a experiência.

  • Elenco estelar, que não rouba a cena, mantendo um equilíbrio
  • Vários plot twist não cansativos
  • Um cenário rico em detalhes e charmoso, remetendo a filmes do início do século passado
  • Ótimos temas sociais abordados na narrativa
  • Alguns exageros em piadas e situações que destoam a história
  • Personagens descartáveis
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