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Frozen 2

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Sabe aquela sensação de quentinho no coração de rever os filmes clássicos da Disney? Rever os filmes da Era de Ouro ou da Era de Prata, ou até mesmo os da Renascença, e sentir que sua infância valeu a pena. Lembrar daquelas fitas VHS verde memoráveis e rever os contos de fadas? Numa era onde filmes de super-heróis ganham maior espaço no mercado e ditam tendências, os antigos clássicos contos de fadas precisam encontrar um caminho para ainda continuarem relevantes no mercado, e não ser apenas mais um filme infantil. Frozen foi um grande marco para a indústria de animação, que suas personagens, música e locais ficaram na mente de todos, esperando por uma nova aventura. E ela chegou, pelo menos para os EUA, já que Frozen 2, sequência de Uma Aventura Congelante chega apenas em 2 de janeiro no Brasil.

Dando sequência na vida monárquica de Elsa (Idina Menzel) e Anna (Kristen Bell) após os eventos de Aventura Congelante, uma nova ameaça, agora elemental, coloca a rainha de Arendelle em uma jornada para descobrir suas origens e porque ela nasceu com poderes mágicos. Acompanhada da família completa, com Kristoff (Jonathan Groff), Olaf (Josh Had) e Sven, eles embarcam nas misteriosas terras do norte, onde uma lenda sobre o povo Northulda, que estão conectados com os espíritos elementais, se tornam reais, quando Elsa consegue atravessar uma muralha mágica de névoa, e lá, junto com Anna, desvendam o passado de sua história familiar.

Seguindo o mesmo modelo narrativo, Frozen 2 repete sua construção, com diversos momentos musicais bem Frozen, que complementam a história contada. Mas é esse elemento que tem o menor impacto, ou de uma forma bem direta, esquecível. A trilha sonora tenta reprisar a trilha sonora memorável do primeiro filme, cheio de emoção, comédia irônica, que transparece os sentimentos dos personagens e complementam a história, mas que nenhuma música consegue o feito da trilha sonora do primeiro longa. A questão fica quando os dois solos de Elsa, não tem o mesmo impacto que Let It Go, que está tão atrelado a cultura pop, que não será esquecido tão cedo, e é presente até hoje. Sensação bem oposta a música tema, Into the Unknown, que se torna esquecível. Vale lembrar que músicas mais secundárias, como Reparos, cantada pelos trolls, e última canção do primeiro filme, é ainda lembrada até hoje, e tem maior impacto dentro da narrativa e na memória do que Into the Unknown, ou sua versão brasileira, Minha Intuição, que ficou a desejar no quesito adaptação.

Fica evidente no longa o quanto o filme precisou deste tempo para maturar e chegar às telonas. Seis anos foram precisos para notar a evolução visual que o filme tem: cenas deslumbrantes, com um alto nível de detalhamento, que chega ao realismo. Seja pelo detalhamentos das ondas quebrando, as bolhas dentro da água, os detalhes da vegetação, as cores e formas, Frozen é uma obra de arte cinematográfica. O fato é que Frozen 2 teve seu tempo para ganhar forma, acertar pontas soltas, saber o que contar e como contar, aproveitar o aperfeiçoamento e melhora na tecnologia visual, e vir num tempo que a Disney esteja a todo vapor com sua Era dos Live-actions tão ativo. Respirar uma animação que, por mais tecnológico que esteja com a digitalização, ainda mantém em sua essência, a beleza da animação clássica.

Até mesmo esse tempo de maturação foi necessário para trazer um crescimento de personagens necessário para as protagonistas. Tanto Anna, quanto Elsa cresceram como personagens individuais, e também a relação fraternal delas se mantém fiel ao apresentado no primeiro filmes e ainda ganharam uma evolução mais acentuada. Suas personalidades são bem marcantes, até mais marcantes e tem maior presença na sequência, e mais uma vez Anna se mostra a verdadeira heroína sem ter poderes mágicos; enquanto que Elsa tem um desenvolvimento mais pessoal e íntimo, que é revelado quando descobre sua real origem e seu propósito.

A sequência ainda se aproveita de um recurso pouco utilizado: a falta de vilão. Enquanto que o primeiro filme se desenvolveu em uma cruzada para resolver uma situação causada sem intenção de Elsa, com um vilão “genérico” revelado no clímax, na sequência não temos um vilão em si. A situação que as irmãs precisam resolver para salvar tanto Arendelle, quando os Northulda é uma consequência de um erro do passado. Mesmo que revelado uma figura antagonista, o próprio filme não tem aquela figura vilanesca, e isso não é um ponto negativo, já que coisas ruins acontecem, e muitas vezes sem intenção de acontecerem, e que não tem influência de outras pessoas, apenas acontecem. Isso serve para dar um refresco para os clássicos contos que precisavam de uma figura vilanesca, ou com motivações plausíveis para agir contra o protagonista e criar novas perspectivas em histórias inspiradoras.

Frozen 2 é uma sequência que muitos queriam, e mereciam. Diferente de algumas sequências mais recentes, e até antigas, que são desnecessárias, ou perdem sua essência no desenvolvimento, Frozen 2 consegue suprir a real necessidade de sua existência, abordando a importância de saber quem você é, e a importância da memória e como lidar com um fardo ancestral. Aproveitando ao máximo as protagonistas, o longa também traz um momento hilário com Olaf, que merece ser vista, revista, várias e várias vezes (não saia do cinema até o final, tem cena pós-crédito), e ainda deslumbra por um visual e um desenvolvimento de personagem marcante, mesmo que deixe a desejar com personagens secundários e a trilha sonora pouco memorável, chegando na hora certa, e ainda manteve sua essência para aqueles que esperaram por seis anos.

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Frozen 2

9.5

Tomando seu próprio tempo para amadurecer, Frozen 2 vem no seu momento, com uma trama mais madura ao abordar a importância da sua origem e de sua história, e como erros ancestrais reverberam em nossa vida, sem perder sua essência, reforçando os ensinamentos do primeiro filme. Apesar de esquecível os momentos musicais, a personalidade e desenvolvimento das protagonistas é o grande destaque, que coloca as princesas num patamar ainda maior de favoritismo para os fãs e cria maior empatia ainda por elas. Vale ressaltar o grande momento de Olaf resumindo a história do primeiro filme de forma brilhante e muito hilária, que é reaproveitada em uma cena pós-crédito, só para destacar que mesmo tendo um arco menor, a parte, ele consegue ser carismático e querido pela sua simplicidade e ingenuidade sábia.

  • Resgate a memória
  • Fidelidade a personalidade dos personagens e a essência da história apresentada no primeiro filme
  • Visual deslumbrante e rico em detalhes
  • Equilíbrio entre o drama e a comédia, junto com os ensinamentos
  • Amadurecimento da trama e das personagens
  • Chegar no seu tempo, e se desenvolver de forma a ser fiel a mensagem do conto
  • Momentos musicais esquecíveis e exagerados, que deixa a desejar em muitos momentos
  • Arcos secundários e personagens de apoio pouco explorados ou simplesmente esquecidos na trama
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