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Lady and the Tramp (Disney+)

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A Disney é um estúdio que sabe encantar pela beleza e simplicidade de uma narrativa que conversa tanto com seu público alvo, as crianças, e também faz muitos adultos receberem uma mensagem subliminar e se emocionarem, principalmente pela nostalgia de termos crescido com o mundo criado pelo rato empresário. Em sua mais nova empreitada no mercado do entretenimento, ela lança Lady and The Tramp, mais uma produção em live-action de sua atual fase, mas focado no consumidor mais contemporâneo: o de plataformas de streaming. Lançado exclusivamente para a Disney+ nos EUA, longa traz a beleza de um filme da era de prata com uma mensagem em defesa dos companheiros mais leais, os cachorros.

A Dama e o Vagabundo traz a velha mas conhecida história da Dama que se aventura com o Vagabundo e acabam desenvolvendo um relacionamento clássico dos cinemas. Mas como muitos já sabem, os personagens principais nada mais são do que cachorros que vivem na década de 1920. O filme traz a essência da animação, a discussão sobre privilégios das classes, mas aplicado a nossa realidade atual, o filme ainda eleva essa discussão para falar sobre lealdade e companheirismo.

Uma das grandes discussões sobre a nova era da Disney é que seus live-actions, em sua maioria, são rasos em seus roteiros ou uma cópia exata do roteiro original, se perdendo no desenvolvimento ou perdendo a oportunidade de trazer uma nova interpretação ou perspectiva a histórias clássicas inseridas em nosso atual contexto. A Dama e o Vagabundo ficam no meio entre ser uma cópia do original com o ousado em trazer novos elementos ou interpretações. Vários elementos conhecidos da animação estão presentes aqui no live-action, mas o roteiro se permite adicionar novos elementos e situações para compor uma nova história da já conhecida. O roteiro ainda sabe brincar com os exageros narrativos, como um chef de restaurante conversando normalmente com um casal de cães que não falam.

Ainda este ano tivemos O Rei Leão, primeira live-action da Disney que se propôs em trazer um fotorealismo que dividiu opiniões, levando muitas críticas por não passarem a emoção que as expressões dos personagens passaram na animação, já que falamos de animais da savana não humanizados. Já em A Dama e o Vagabundo os efeitos se permitiram ser exageros e aplicar nenhum realismo as expressões do animais, e isso é um ponto a favor. Além de que os próprios cachorros são expressivos por si só, e apenas passaram pelo CGI para fazer o movimento de boca necessário para dar uma expressividade humana em um animal.

Quanto a atuação, tanto a Dama (Tessa Thompson) quanto o Vagabundo (Justin Theroux) dão profundidade na personalidade de seus personagens bem interessante. Vagabundo esbanja um charme cínico, mas que aplica uma profundidade ao conhecer seu background que dá motivos para seu egocentrismo; a Dama já traz uma nova personalidade, mais enérgica que sua versão animada, e um espírito mais aventureiro. Os personagens secundários, tanto humanos, quanto cachorros, tem sua presença no desenvolvimento dos protagonistas, sempre questionando sobre lealdade, companheirismo e confiança. Mas a parte dos musicais destoa muito da narrativa construída. Tendo apenas dois momentos musicais, sendo que poderiam ser facilmente descartadas.

A Dama e o Vagabundo emerge a nostalgia da era de prata da Disney, que deslumbra pelo visual aristocrático e meio urbano da década de 1920, e ainda traz um refresco para os filmes megalomaníacos do estúdio, ao trazer um filme bem pé no chão, que traz a mensagem sobre adoção de animais de estimação e sua valorização. É compreensível que está produção seja lançado na nova plataforma de streaming da Disney, e não nos cinemas. Com um orçamento menor que outras produções, o filme carrega a sensação de filme Sessão da Tarde para ver com a família tomando chocolate quente, aquecendo o coração dos fãs do estúdio e embelezando com cachorros a tarde dos mais anti-Disney num romance clássico minimamente repaginado.

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Lady and the Tramp

7.5

Encantando pela simplicidade, Lady and The Tramp resgata a Era de Prata da Disney, sem ser uma história megalomaníaca, que transborda a sensação de Sessão da Tarde, e que se justifica para ser lançado já plataforma de streaming; traz uma nova perspectiva dos personagens clássicos e dos secundários que compõe o romance, e deixa o antropomorfismo dos animais para entregar expressividade na narrativa

  • Filme "Sessão da Tarde" que aconchega
  • Fotografía e trilha sonora clássica da Era de Prata da Disney
  • Personagens principais cativantes e com profundidade
  • Momentos musical que destoam na versão live-action e que poderiam ser descartados ou substituídos em outras formas de narrativa para compor a história
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