A Dama e o Vagabundo (2019)

A Disney é um estúdio que sabe encantar pela beleza e simplicidade de uma narrativa que conversa tanto com seu público alvo, um público mais infanto-juvenil, e também faz muitos adultos receberem uma mensagem subliminar e se emocionarem, principalmente pela nostalgia de termos crescido com o mundo criado pelo rato empresário. Em sua mais nova empreitada no mercado do entretenimento, ela lança A Dama e o Vagabundo, mais uma produção em live-action de sua atual fase, mas focado no consumidor mais contemporâneo: o de plataformas de streaming. Lançado exclusivamente para a Disney+, longa traz a beleza de um filme da era de prata com uma mensagem em defesa dos companheiros mais leais, os cachorros.

A Dama e o Vagabundo traz uma velha mas conhecida história da Dama (Tessa Thompson) que se aventura com o Vagabundo (Justin Theroux) e acabam desenvolvendo um relacionamento clássico dos cinemas. Mas como muitos já sabem, os personagens principais nada mais são do que cachorros que vivem na década de 1920. O filme traz a essência da animação, a discussão sobre privilégios das classes, mas aplicado a nossa realidade atual, o filme ainda eleva essa discussão para falar sobre lealdade e companheirismo.

Uma das grandes discussões sobre a nova era da Disney é que seus live-actions, em sua maioria, são rasos em seus roteiros ou uma cópia exata do roteiro original, se perdendo no desenvolvimento ou perdendo a oportunidade de trazer uma nova interpretação ou perspectiva a histórias clássicas inseridas em nosso atual contexto. A Dama e o Vagabundo ficam no meio entre ser uma cópia do original com o ousado em trazer novos elementos ou interpretações. Vários elementos conhecidos da animação estão presentes aqui no live-action, mas o roteiro se permite adicionar novos elementos e situações para compor uma nova história da já conhecida. O roteiro ainda sabe brincar com os exageros narrativos, como um chef de restaurante conversando normalmente com um casal de cães que não falam, que numa animação ficava despercebido, mas como estamos vendo um pessoa real, a sensação de estranheza é maior.

A última produção live-action da Disney, O Rei Leão, primeiro live-action da Disney que se propôs em trazer um fotorealismo dividiu opiniões, levando muitas críticas por não passarem a emoção que as expressões dos personagens tinham na animação, já que falamos de animais da savana não humanizados. Já em A Dama e o Vagabundo os efeitos se permitiram ser exageros e caricatos, aplicando nenhum realismo as expressões do animais, e isso é um ponto a favor. Além de que os próprios cachorros são expressivos por si só, e apenas passaram pelo CGI para fazer o movimento de boca necessário para dar uma expressividade humana em um animal.

Quanto a atuação vocal , tanto a Dama (Tessa Thompson) quanto o Vagabundo (Justin Theroux) dão profundidade na personalidade de seus personagens bem interessantes. Vagabundo esbanja um charme cínico, mas que aplica uma profundidade ao conhecer seu background que dá motivos para seu egocentrismo; a Dama já traz uma nova personalidade, mais enérgica que sua versão animada, e um espírito mais aventureiro. Os personagens secundários, tanto humanos, quanto cachorros, tem sua presença no desenvolvimento dos protagonistas, sempre questionando sobre lealdade, companheirismo e confiança. Mas a parte dos musicais destoa muito da narrativa construída. Tendo apenas dois momentos musicais, sendo que poderiam ser facilmente descartadas.

A Dama e o Vagabundo emerge a nostalgia da era de prata da Disney, que deslumbra pelo visual aristocrático e meio urbano da década de 1920, e ainda traz um refresco para os filmes megalomaníacos do estúdio, ao trazer um filme bem pé no chão, que traz a mensagem sobre adoção de animais de estimação e sua valorização. É compreensível que está produção seja lançado na nova plataforma de streaming da Disney, e não nos cinemas. Com um orçamento menor que outras produções, o filme carrega a sensação de filme Sessão da Tarde para ver com a família tomando chocolate quente, aquecendo o coração dos fãs do estúdio e embelezando com cachorros a tarde dos fãs do rato num romance clássico minimamente repaginado.

A Dama e o Vagabundo (2019)

A Dama e o Vagabundo (The Lady and the Tramp) [2019]
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Vivendo num paraíso com seus donos, a cadelinha Dama se vê rejeitada pelos mesmo quando chega uma nova integrante à família, e a atenção que ganhava é reduzida. Achando que sua família pode se livrar dela, ela acaba fugindo e encontra Vagabundo, um cão de rua safo, e juntos vivem aventuras nas ruas de Londres dos anos 1920
Com um roteiro atualizado e com novas interpretações e personalidades para os personagens, A Dama e o Vagabundo se mostra um ótimo produto final como uma justificativa plausível para existir um reboot em live-action. Ressaltando a essência da Era de Prata da Disney, longa sabe equilibrar o visual clássico com a mensagem contemporânea sem se perder ao longo do desenvolvimento
4/5
Total Score

Bom Menino

  • Atualização na história base
  • Bons efeitos visuais que não se propõem em ser mais do que deveriam
  • Fotografia e design de produção
  • Nova interpretação e maior aprofundamento na personalidade dos protagonistas e coadjuvantes

Garoto Mau

  • Momentos musicais dispensáveis
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