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Um Dia de Chuva em Nova York

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Woody Allen sempre teve uma receita base para seus filmes, onde retrata crônicas diárias sobre o comportamento humano e os seus desvios de caráter, sempre com uma boa dose de ironia e sarcasmo. Um Dia de Chuva em Nova York não é diferente. As atuações de Timothée Chamalet (Me Chame Pelo Seu Nome) e Elle Fanning (Malévola) trazem o frescor e a necessidade de mostrar artistas promissores nessa década, vivendo um casal universitário que vive em um relacionamento carismático e digno de roteiro de novela.

A trama inteira se resume em uma viagem do casal para Nova York, quando Ashleigh Enright (Fanning) consegue uma entrevista com o importante diretor Rolland Pollard (Liev Schreiber), o qual é uma grande fã. Quando o encontro entre Ashleigh e Pollard acontece, percebemos o tamanho do brilho de Elle, que consegue caminhar entre a doçura e a ousadia de maneira natural.

Com relação ao personagem de Timothée, o papel não exige tanto do ator como acontece em Me Chame Pelo Seu Nome, de 2017. Com clássica referência ao romance de Fitzgerald em O Grande Gatsby, de 1925, o personagem apenas aceita as condições as quais é colocado, sem caminhar para um futuro diferente do que parece já estar planejado. Tudo isso, somado ao fato de que o roteiro é preguiçoso e um pouco previsível, não dá a Chamalet o estrelismo que merece.

Selena Gomez, icone teen da atualidade, também vive em uma eterna Roda Gigante de emoções. Mesmo com grande tempo em tela e uma gradativa melhora na sua atuação, ela não consegue apagar o brilho de Elle Fanning.

Após o arrebatador trabalho fotográfico em Roda Gigante, Woody Allen continua a parceria com o três vezes ganhador Oscar Vittorio Storaro. O terceiro trabalho em conjunto é um misto de luminosidade na presença da imperativa Ashleigh e névoa na confusão do pacato Gatsby. Um jogo no qual o galã Francisco Vega (Diego Luna) e o roteirista Ted Davidoff (Jude Law) funcionam apenas como matizes na aquarela de descobrimento da jovem estudante sobre um mundo cinematográfico de egos, descaramentos e falsidades.

Mesmo com um grande salto desde Roda Gigante com Justin Timberlake e Kate Winslet, ainda é possível reconhecer um trabalho de Allen de longe. Seus diálogos continuam afiados, mas sem o esplendor de uma narrativa para além de tipos banais, os quais cruzamos diariamente nas estações de metrô. Ou seja, Um Dia de Chuva em Nova York tem seus momentos e uma nostalgia da cidade dos anos 60, mas sem sensibilizar.

Artigo autoral de Maria Eduarda do Lâmpada Nerd para o Geek Antenado
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Um Dia de Chuva em Nova

6.5

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