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Ford v. Ferrari

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Era um costume para o brasileiro acordar cedo num domingo – sim, num domingo – e acompanharmos na televisão o grande prêmio de Fórmula 1. Seja você da era do Senna, do Schumacher, ou do atual Hamilton, a adrenalina de ver os corredores dando voltas e mais voltas, acelerando nas retas, diminuindo e controlando o carro nas curvas, nunca ficou tão tangível quanto a era clássica, pós-guerra, onde uma guerra ainda menor se criava entre as montadoras. Apesar de partir de uma das maiores rivalidades do automobilismo, Ford v. Ferrari é um filme sobre a amizade e a superação dos limites para ser uma lenda do esporte.

O longa segue a história principalmente de Carroll Shelby (Matt Damon) e Ken Miles (Christian Bale), uma amizade recheada de desavenças, mas de confiança mútua do que cada um pode ajudar o outro. O primeiro fora um corredor lendário, único estadunidense a vencer no prêmio de Le Mans, que se torna um projetista após constatar uma condição de saúde; o segundo é um esquentado corredor britânico que tenta ganhar a vida com corridas nos Estados Unidos, mas que não alcançou o seu momento até então. E eles se unem para fazer história quando o legado da construtora Ford entra no mundo das corridas e criam a maior rivalidade da história do automobilismo.

Apesar do título, a rivalidade apenas fica em segundo plano, como um combustível para as narrativa se desenvolver. Focado nesta amizade de Shelby e Miles, o longa transborda carisma e uma excelente dinâmica dos atores em cena, além de contar com mais uma vez da excelente interpretação de Bale, que é exagerada na medida certa a ser contraposta pela serenidade (até certo momento) pela atuação de Damon. O longa se aproveita desta química dos atores para trazer essa dupla que trouxe um marco para o esporte.

Para você que, assim como mencionando no início desta Review, acordava cedo num domingo para ver a Fórmula 1, com certeza vai se recordar deste momento assistindo o clímax no terceiro ato. Muito bem filmado, as sequências das corridas transbordam a adrenalina vivida dos amantes de corridas, e também consegue transmitir essa mesma emoção para aqueles que “tanto faz” vendo o grand prix. Assim como as cenas bem gravadas, a ambientação e design de produção se destacam neste longa, nos transportando realmente para a década de 1960.

A emoção chega até certo nível, que não chega a ser impossível não se envolver quando a história é seguida como aconteceu, e esquecemos que o intuito não é criar um filme com um mega final feliz, mas a experiência de um filme excelentemente produzido, do visual a atuação, da trilha sonora e dos efeitos sonoros.

Ford v. Ferrari não tem em seu foco principal a rivalidade que o título vende, mas é apenas o combustível necessário para mostrar a amizade que ocorreu entre Shelby e Miles e o que essa dupla conseguiu alcançar, além de transmitir a emoção por muito perdida para àqueles que acompanhavam as corridas, seja de Fórmula 1, seja as 500 Milhas, ou qualquer outra categoria de automobilismo, e que ainda traz uma ótima parceria da dupla Damon e Bale.

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Ford v. Ferrari

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Com o pretexto da rivalidade do automobilismo, longa desenvolve mais a humanidade da amizade doa protagonistas bem construídos de Damon e Bale, com muito carisma e química entre eles, recheados num visual digno de premiações e fiel a época em questão. Música também se destaca no longa.

  • Ótima atuação dos protagonistas, que usam e abusam das características de seus personagens
  • Construção do design de produção impecável
  • Trilha sonora e edição de som marcantes que transbordam a sensação do esporte e da época
  • Personagens secudnarios carismáticos e bem construídos que complementam a trama
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