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Doutor Sono

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Será que estamos saturados das adaptações de obras de Stephen King? Possivelmente a resposta é não. O romancista de suspense e terror, conhecido principalmente pelo tomo de It – A Coisa, nunca esteve tão em alta como essa década, como esteve na década do terror dos anos 1980. Mesmo que muitos ainda critiquem suas adaptações – ele principalmente – suas adaptações quando sabem pegar a essência do romancista consegue ser um enorme sucesso (vide It – A Coisa). A mais nova produção baseada no romance de King, Doutor Sono chega para ser uma sequência do famoso O Iluminado, que traz vários elementos não utilizados na produção original.

Seguindo a história de Denny (Ewan McGregor) após os eventos de O Iluminado, ele consegue dominar seu medo, e cresce de forma tóxica, mas que busca se curar de seus demônios menos iluminados, e se privando de sua Iluminação para se proteger de outros que o caçam. Mas com o surgimento de uma nova criança com uma iluminação tão grande, ele acaba enfrentando novamente seus medos do hotel para proteger não apenas Abra (Kyliegh Curram), mas todos os futuros iluminados.

O filme traz uma sensação de ser bem longo. Todo o primeiro ato é literalmente uma sequência do filme iluminado, ainda com Denny como criança e lidando com as consequências do hotel, e aprendendo a se esconder de outros que o caça, e aprisionando entidades do hotel que o seguiu. Enquanto que o segundo ato literalmente se inicia com a introdução de Abra, um promissora iluminada com habilidades tão grandiosas que chama a atenção do grupo de comedores de vapor do Verdadeiro Nó, iluminados que se alimentam do medo e da dor de outros iluminados para obter a imortalidade, liderados por Rose Cartola (Rebecca Ferguson).

O filme traz uma clássica sensação de culto maligno, bem característico de produções dos anos 1980, e com um toque do sobrenatural. Ewan McGregor é uma presença de peso que tem um desenvolvimento mais psicológico durante os dois atos do filme, deixando para o terceiro um desenvolvimento mais físico. Já Rebecca Ferguson se destaca por ser o contraponto dos heróis, e ao lado de Kyliegh, em sua estreia nos cinemas, tem ótimas colaborações, principalmente quando as personagens de ambas invadem a mente uma da outra. Kyliegh em sua estreia mostra que é uma atriz a se ficar no radar: carismática, expressiva, e entregue ao papel, ela sabe equilibra a necessidade mais “séria” do papel de sua personagem perante aos Iluminados, e também a inocência característica de ser uma criança.

O filme aparenta não se limitar a grandes cenas em CGI, tendo muitas vezes a opção de fazerem efeitos práticos que ficam evidentes em tela, e que dão um toque mais realista as cenas. O ponto alto, e até não esperado por mim, é o retorno ao hotel após os quarenta anos, e a conclusão definitiva da construção. Trazendo em uma conclusão ótima, mas que parece ser bem curta, a homenagem ao clássico filme é todo reservado para explorar os hall e corredores do hotel e seus habitantes quando libertados.

Doutor Sono consegue prender a atenção em uma narrativa bem equilibrada e que presta grandes homenagens a produção original, sendo uma conclusão definitiva e que se preenche com elementos que não puderam ser inseridos na produção de 1980, e que tem o grande destaque para a dupla Rose Cartola de Rebecca Ferguson e a estreante Kyliegh Curram como Abra, e mesmo que a sensação de uma possível sequência, Doutor Sono supre qualquer necessidade de uma sequência ou quem sabe um spin-off, que diverte, cria a tensão pelo suspense, e deixa em aberto mais questões para serem explorados pelos fãs sobre o que se trata a iluminação.

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Doutor Sono (Doctor Sleep)

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Construído com elementos não utilizados em O Iluminado, Doutor Sono consegue dar uma sequência a franquia de O Iluminado, mas que com um desenvolvimento mais espalhado, o filme pode cansar até chegar no intuito da narrativa

  • Ótima fotografia
  • Personagens novos cativantes e interessantes, com destaque para Rebecca Ferguson e a estreante Kyliegh Curram
  • Fidelidade ao universo de O Iluminado
  • Conexão direta com o os elementos do hotel do primeiro filme
  • Um desenvolvimento mais arrastado e lento em três atos bem definidos, que só começa a desenvolver a real trama no meio do segundo ato
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