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Segredos Oficiais

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O início deste século enfrentamos momentos de tensão. Não porque nossa tecnologia teve uma pane com a virada, nas algo mais amedrontador e real: a guerra ao Terror. Após os ataques das Torres Gêmeas em Nova York, o mundo se viu a beira de uma possível Terceira Guerra Mundial, mas veio anos depois se constatar que muitas decisões de combate ao terror podem ter sido infundadas e ilegais. Em Segredos Oficiais vemos uma parcela do que foi conhecido a traição de uma tradutora da inteligência britânica contra a lei que protege o governo dos vazamentos de informações desde Tatcher.

A trama parte do ponto de vista de Ketherine Gun (Keira Knightley), uma tradutora da inteligência britânica que resolve vazar uma informar confidencial que ilegaliza um ataque antiterrorista dos Estados Unidos, que vinham em campanha para conseguir apoio do Primeiro Ministro britânico para invadir o Iraque. Indo contra a lei que protege o governo acusando qualquer um que vaze informações confidências da inteligência de traição, Katherine começa um embate contra uma iminente guerra com fundamentos aleatórios.

O filme segue um modelo bem distribuído em várias camadas. Tem se a camada mais de inteligência, sempre focado em Kath, e como as informações confidências e secretas devem ser lidadas com apatia pelos tradutores, já que eles serão acusados de traição por qualquer ação dos resultados de ação com a informação. Tem se a camada investigativa focado no jornalista que primeiro publicou a informação de Kath, e como o jornalismo investigativo, e até inclinado para o apoio a guerra se torna discutível a luz das informações; e tem se a camada mais judicial, que acaba envolvendo – bem mais para a conclusão – as discussões sobre as intenções de violar a lei e as consequências deste ato não apenas para o país, mas para o mundo. Todas essas camadas conversam entre si, e a sensação de estarmos vendo mais do que um filme é presente, mas que nada atrapalha em ver a trama como um todo. Elas se completam bem.

O filme mantém uma fotografia bem inglesa: nublada e tons frios de cinza e azul. O tom mais melancólico característico de produções britânicas transmite a frieza como é lidadas a questão da invasão pela maioria, e quebrada vez ou outra por algum ponto mais calorento, geralmente próximo ao personagem que decide se opor a lei de Segredos Oficiais.

O desenvolvimento da trama é bem lento, e passa a impressão de ser um filme bem longa, com mais de duas horas, mas que o grande culpado desta sensação é a forma como o roteiro decide desenvolver os personagem e a trama, que por contar com várias citações reais do caso, e muitas técnicas e de jargões políticos, precisa ser vista mais de uma vez para compreender a informação transmitida nos arquivos lidos, mas que a trama em si, denota uma cidadã que decide se voltar contra seu governo em prol de proteger o povo britânico da verdade.

Segredos Oficiais segue um parâmetro bem conhecido por outros filmes baseados em situações recentes sobre as principais guerras e políticas sociais. Assim como Spotlight, Segredos Oficiais tem a vibe de ser uma produção que possa estar cotado como indicado ao Oscar, mas que se foca muito mais na política de guerra do que a investigação em si, mas que se torna importante para a sociedade principalmente ter conhecimento das ações e que mesmo que adaptadas, busquem a verdade.

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Segredos Oficiais (Official Secrets)

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Com um roteiro cheio de camadas, Segredos Oficiais discute a moral tanto da acusada, quanto dos acusadores sob a dúvida do que é certo numa guerra, e as legalidades da mesma, quando o motivo não possui tanto fundamento e é supostamente baseado em vingança e ódio

  • Fotografia clássica de produções britânicas, frias
  • Boas atuações nas três camadas apresentadas
  • Uma fluidez nos núcleos
  • O desenvolvimento mais lento da narrativa
  • A complexidade dos termos técnicos de inteligência
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