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O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio

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Uma das principais franquias do final dos anos 1980 e 1990, que ainda é tão atual – mesmo que datado – O Exterminador do Futuro é uma franquia que já discutia os perigos dos avanços da inteligência artificial, e viagem no tempo. Mas como qualquer produção desta época, ela sempre foi bem machista. Mesmo a mais recente Genesis, que reimaginou uma nova linha do tempo, e trouxe Emília Clarke como Sarah Connor, o papel da mulher nesta franquia sempre foi a da progenitora do salvador da humanidade. Em Destino Sombrio a história que abre uma nova linha do tempo a partir de Revolução das Máquinas, acerta em colocar o papel da mulher mais em destaque e não uma ferramenta para o símbolo da esperança.

A história já chega – o que é difícil deixar em palavras mais brandas – com dois pés no peito. Com uma reconstrução do pós-Exterminador do Futuro 2, a trama entrega cenas inéditas de Sarah e John Connor como suas versões em 1992, dando um ponto final para a questão de como se encaixaria a nova protegida. É bem impressionante a cena, pois ela é inteiramente construída digitalmente, nas que isso passa desapercebido devido ao avanço da tecnologia cinematográfica (olha a ironia). Após a introdução, o filme realmente começa e não perde o fôlego pelas próxima uma hora e pouco, com diversas cenas de ação muito bem coreografadas e cheias de adrenalina.

Um ponto que não foi abordado em todo material de divulgação é como a nova protegida se encaixaria na história já conhecida pelos anteriores dois filmes. Se comprometendo a fugir de objetivar a figura feminina, ou colocá-la apenas como progenitora d’O Escolhido, a trama se autocrítica reforçando essa ideia, mas que colocando um trio de mulheres como protagonistas isso já demonstrava a mensagem que a história quer entregar.

Até mesmo preconceituosamente e bem machista de minha parte, especulei o papel de Dani (Natalia Reyes) como real a nova Sarah Connor, ou sendo apenas uma personagem frágil e sem personalidade que seria a mãe do jogo John; fugindo desta ideia misógina, até a ideia de ser aquela que representaria a destruição por completa das máquinas, atuando como a inteligência que descobriria uma forma de impedi-los. Mas o filme entrega algo mais simples e bem mais emblemático: a personagem é bem marcante, desde sua primeira cena, e com uma personalidade bem Sarah Connor. O que cria maior empatia pela personagem, que é bem conduzida pela atriz.

Como sua protetora, Grace (Mackenzie Davis) insere um novo elemento a franquia: os aprimorados. Se esse elemento retornará em outras obras da franquia? Talvez. O potencial é bem grande, e a atriz consegue entregar bem as cenas de ação. Já quanto a veterana Sarah Connor (Linda Hamilton) não há palavras: ela era badass, continua badass, e todas suas aparições e falas são memoráveis e incríveis.

Uma pergunta que ficou no ar era como a Skynet estaria neste novo mundo, após ser “derrotada” no segundo filme, e aqui a trama consegue se reinventar: a ameaça da Skynet é real para a linha do tempo que vimos até agora, pós Revolução das Máquinas, e a partir de Destino Sombrio a ameaça é outra, tão perigosa quanto a Skynet, e mesmo que sem tempo para explorar mais está inteligência artificial nova que é a vilã da nova franquia, temos no exterminador novo de Gabriel Luna algo que não tínhamos com Arnold nós outros filmes – mesmo que presente: o carisma. Enquanto os exterminadores era literalmente sem emoção ou expressão, com zero carisma por eram máquinas (com exceção a Genesis), o novo antagonista mantém as características clássicas do andróide, que mistura o primeiro Exterminador com o segundo Exterminador, mas que possui o fator carisma, humanizando o personagem que consegue se infiltrar melhor nas cenas que o resultado era apenas a morte do humano.

O filme por mais importante para a franquia, sendo atual as questões sociais – ainda mais inserir na protegida a etnia latino-americana –, trazendo novos conceitos para a narrativa e uma nova visão sobre os perigos do futuro, ele ainda fica preso a diversas reciclagens de cenas dos seus antecessores, mas isso nem é perceptível ao longo do seu desenvolvimento, já que conseguimos mergulhar de cabeça na nova trama, com personagens ainda mais interessantes em desenvolvimento.

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio é uma visão atual sobre questões sociais que entrega uma repaginada na trama clássica do final dos anos 1980, dando a figura liderada por Sarah Connor ainda mais importância. É uma nova história da já conhecida Revolução das Máquinas, que se atualiza sem deixar seu legado para trás, e atualizando diversas cenas de irmãs diferentes, e que deixa a cargo da personalidade do trio de mulheres protagonistas o peso de levar está franquia para um novo público sem esquecer o velho, fato que elas dominam com maestria.

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O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (Terminator: Dark Fate)

8.5

Repetindo muitos elementos básicos e clássicos da franquia, Destino Sombrio entrega um novo contexto para a revolução da inteligência artificial bem superficial, e que apresenta uma nova personagem carismática que assume o manto de salvadora e ainda se redime ao coloca um trio de mulheres distintas e muito carismáticas como protagonistas sem objetiva-las ou reduzi-las a apenas progenitoras do escolhido

  • Linda Hamilton continua roubando a cena e mantém personalidade conhecida desde 1992, com maior profundidade dramática
  • Mackenzie Davis insere uma nova perspectiva de protetores além de conseguir entregar uma lutadora completa
  • Natalia Reyes não é apenas a protegida, ela tem personalidade e liderança que são a chave para uma nova franquia com ela no centro
  • Gabriel Luna traz uma nova interpretação do Extermiandor, trazendo um conceito que mistura o t-800 ao t-1000, com muito carisma, ideia inédita para o antagonista
  • Cenas de ação que prende a atenção desde o primeiro minuto
  • Reconstrução fiel e imperceptível, se confundindo com cenas inéditas remasterizado de Sarah e John Connor de 1991
  • Roteiro bem simples
  • Reciclagem de muitos conceitos e cenas
  • O novo vilão, Legião, pouco explorado, mas que deixa o gancho para próximos filmes
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