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Game Of Thrones S08E03 “The Long Night”

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O momento fora aguardado. Desde a primeira cena de Game Of Thrones, lá em 2011, era esperado uma grande batalha dos vivos contra os mortos. E após anos acompanhando a evolução chegamos a conclusão épica dos mortos contra os vivos, e o terceiro episódio da oitava e última temporada de Game Of Thrones está repleta de momentos memoráveis, rodeado pela incerteza da conclusão.

A fórmula é bem conhecida. Geralmente no seu penúltimo episódio de cada temporada, Game Of Thrones nos entrega uma grande batalha, maior do que a correspondente anterior, com novas consequências para toda a jornada dos personagens. E A Longa Noite – título anunciado por 1 hora e 21 minutos de episódio – tem características fundamentadas nestes clássicos episódios da série. Como é uma grande cena de guerra do começo (ou quase) até os últimos momentos, é bem complicado fazer uma análise textual. Mas, nem apenas de cenas de luta, desespero, perdas e mortos, o episódio se resguarda.

Game of Thrones S08E03 The Long Night. Daenerys Targeryen (Emilia Clarke) e Jon Snow (Kit Harrington). Créditos: HBO

Os showrunners na série já comentaram que o episódio era uma mescla de cenas de ação intensa com desenvolvimentos pessoais de determinados personagens que vão modifica-los de forma permanente. Vale relembrar certo momento do episódio anterior: Daenerys (Emilia Clarke) e Jon Snow (Kit Harrington) estava ariscos um com o outro – mais da parte dela para ele – após Jon revelar para a rainha dos dragões suas verdadeira identidade. Mas sem tempo para conversarem a respeito, eles eram necessários na batalha. Agora, domando melhor a montaria no Rheagal, Jon e Dany se tornaram as principais armas contra os White Walkers, mas todo o planejamento criado pelo grande conselho vai por água abaixo quando são surpreendidos por uma forte neblina. Praticamente cegos, a confiança abalada dos dois acaba prejudicando seu papel na batalha. Desorientados, as cenas áreas dos dois cria uma tensão para aqueles que torcem para que nenhum outro dragão morra cresça de forma exponencial. Mas as cenas são bem decisivas para deixar a pilha atrás da orelha, e ainda reforça a desincronização de ambos, até o momento chave que as diferenças precisam ser deixadas de lado neste momento para terem sucesso.

Prestando bem a atenção em todas as ações defensivas mostradas no episódio, vemos que elas são uma junção dos conhecimentos de todos aqueles que estão em Winterfell, aliada a suas habilidades nata. A selvageria dos Dothraki – mesmo que rapidamente neutralizada; a postura militar de alto nível dos Imaculados – mostrando o potencial pedido desde sua aparição lá na terceira temporada, e como esse grupo é sensacional como guerreiros bem treinados e organizados; e toda a linha de defesa individual de cada personagem destaque.

Game of Thrones S08E03 The Long Night. Melisandre (Carise Von Houten) e Arya Stark (Maisie Williams). Créditos: HBO

Logo nos primeiros momentos que nos preparam, a surpresa de Melisandre (Carise Von Houten) ao chegar após a incerteza que deixou na última aparição, evocando duas vezes a chama do Senhor da Luz não apenas reascendeu o ânimo dos personagens, como deu ânimo ao telespectadores de um resultado mais positivo. Vem dela também grandes amarrações com pendências do passado, envolvendo principalmente Arya (Maisie Williams). E o juramento de sua morte para diversos personagens, em diversas circunstâncias, foi concluída, de forma silenciosa, como se ela se permitisse morrer após os resultados finais do episódio.

Todos do Conselho da Lareira não tiveram grandes desenvolvimentos neste episódio, tirando Tyrion, todos estavam em campo de Guerra e mostraram o motivo de serem líderes e respeitados, e sim, sobreviventes dos caminhantes brancos. Tyrion (Peter Dicklage) a contragosto, ficou recluso nas criptas junto com aqueles que não poderiam lutar, mesmo ele sabendo – e nós também – de sua importância num momento como este, que é relembrada: A Batalha da Água Negra. Mas sua presença nas criptas acabou colocando um ponto final e uma explicação mais amigável com Sansa (Sophie Turner). Ao questionar que ele poderia ajudar estrategicamente na batalha, Sansa revida falando que nada fariam ele ajudar na batalha, pois ambos era incapazes de lutar. E a partir desta alfinetada, Sansa e Tyrion acabam tocando na ferida de terem sido casados, e que mesmo depois de iam jornadas complicada para ambos, eles tem ainda muito respeito um pelo outro.

Game of Thrones. Sansa Stark (Sophie Turner) e Tyrion Lannister (Peter Dicklage). Créditos: HBO

Se os exércitos do Rei da Noite já não bastavam, mostrando que eles conseguem reverter a situação para seu lado diversas vezes (lógico, que com o controle total do Night King), temos um Hardhome 2.0, e vemos a dimensão dos poderes do Rei da Noite, que não apenas revive os mortos em batalha como os mortos há muito tempo nas criptas. Mas mais do que dar mais uma virada grandiosa nos acontecimentos, presenciamos um lado bem sarcástico sem palavra do antagonista. Em vários momentos ele está – de uma forma assombrosa – sorrindo com as ações de Dany em jogar um Drakarys nele, ou da aproximação nada furtiva de Jon Snow para “surpreendê-lo”, e até quando finalmente alcança seu objetivo.

E como o plano de Margaery (Natalie Dormer) antes do Septo de Bealor explodir em chamas verdes, chegamos ao cara-a-cara do Night King com Bran (Isaac Hempstead-Wright), que era teorizado diversas formas deste encontro, desde ouvirmos de fato a voz do Rei, ou alguma cena vista por Bran, mas tudo era uma forma de responder o real motivo para o Rei da Noite estar marchando para além da Muralha, que não apenas destruir todos os humanos e sua memória ambulante. Por mais que sem uma explicação mais clara do que realmente motiva todos os planos dos mortos, a cena não deixa de ser inesperada e impactante.

Game of Thrones S08E03 The Long Night. Rei da Noite (Vladimir Furdik). Créditos: HBO

E chegou o momento de falarmos de Arya: O Mito, A Lenda, A Mulher! Já sabíamos o potencial da personagem depois de grandes feitos ao voltar para Westeros, mas é neste episódio que vemos transições tão bruscas em sua personalidade que foram determinantes para o final deste episódio. Amarrando a conversa que a personagem teve lá na terceira temporada com Melisandre, Arya passou de uma defensora de Winterfell extremamente habilidosa com a nova arma que Gendry (Joe Dempsie) fez para ela, mas ao se deparar com as dimensões de seu inimigo, Arya volta a ser a menina frágil da primeira temporada que por mais que fosse destemida, ainda era uma criança.

Vemos uma Arya que há muito não víamos – e até não condizia com o que a personagem se tornara – e como dito anteriormente, Melisandre foi a responsável por amarrar as pontas soltas deixadas na trajetória de Arya. Ao se lembrar da conversa sobre o destino da jovem Stark de fechar diversos olhos, e ao recitar o principal lema dos Homens Sem Rosto, somos agraciados pelo retorno da Arya de Braavos; e deixo aqui o “meus parabéns” para a atuação de Maisie Williams, que transitou da donzela indefesa a guerreira super-habilidosa ao compreender seu papel nesta guerra.

Game of Thrones S08E03 The Long Night. Lyanna Mormont (Bella Ramsey). Créditos: HBO

Das baixas, acredito que a mais sentida seja a da Lyanna Mormont (Bella Ramsey), a pequena Lady que conquistou os corações dos fãs por ser uma versão da Arya mais nova, mais enfezada, e com uma personalidade tão marcante que sua queda foi ainda mais a altura desta guerreira. E antes de qualquer coisa – e mais para acalentar meu coração – nenhum dragão foi morto dlneste episódio, isso se não contar Viserion que já estava morto. E quando a Fantasma, é como a próprio nome diz: não sabe-se se sobreviveu ou não, pois em Game Of Thrones só podemos ter certeza de morte se vemos ela acontecer.

A Longa Noite foi um episódio que encheu os olhos de desespero pelo iminente morte de todos os personagens. Quanto mais torcíamos para um truque tirado do nada para resolver todos os problemas, mais e mais a série nos voltava a realidade de que isso é Game Of Thrones, e que nada acontece miraculosamente ara salvar o dia, que tudo está lá por um motivo, e que toda a trajetória até aqui de cada um dos personagens foi para prepara-los para esta Batalha. O episódio também brinca com a expectativa do telespectador ao deixar todas as cenas escuras ou com forte nevasca, impossibilitando distinguir o que acontece, e o quão caótico é a guerra. E que a guerra pelo Trono de Ferro se inicie.

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