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Downton Abbey

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As séries britânicas tem um peculiar apreço pelos amantes de histórias. Sem uma padronização clássica das produções estadunidenses, as produções para televisão britânica contam uma história do seu jeito, sem as amarras dos vinte e dois episódios mais especiais, ou os atuais dez episódios. Além de sua estrutura, a narrativa é outro ponto diferente, sendo algo único e que chame a atenção. Um bom representante deste modelo é a mundialmente conhecida e premiada Downton Abbey, série que se encerrou há algum tempo, pôde dar um último respiro com seu novo filme que continua e encerra inúmeras pontas soltas deixadas que nem imaginavamos existir.

Partindo do momento que se encerrou a série, o filme já começa com um grande anúncio que promete movimentar as coisas em Downton Abbey: a família real vai passar uma noite na casa dos Crawley. Esse evento único na vida, mexe tanto com os moradores de Downton, como os empregados e também o vilarejo que circunda o castelo. Com uma construção narrativa bem semelhante a série, cada um dos personagens tem uma jornada a se desenvolver, com a chegada de novos visitantes e empregados reais.

A série tinha a sensação de ser uma grande novela britânica, antes da Netflix ter The Crown e contar a história década a década da realeza britânica, Downton Abbey explorava o estilo de vida hierárquico e burguesa de famílias britânicas. E essa sensação se repete no longa que aquece o coração dos fãs da série, e entrega um capítulo final único e merecido para todos os personagens que nos encantaram por seis temporadas.

É complicado mencionar cada um dos arcos, pois vários personagens tem seu momento de desenvolvimento, e esse artigo tomaria mais de duas páginas. Mas os destaques ficam com a primogênita Mary (Michelle Dockery), que assumiu a administração de Downton para o grande evento, e tem um arco de ponderação sobre manter o estilo de vida que Downton sempre viveu agora que o mundo está mudado, confrontando a modernidade ao classicismo; e os empregados, de um modo mais generalizado, já que sua função para o grande evento acaba sendo descartado com a chegada dos próprios empregados reais, que tomam o controle da funcionalidade de Downton.

Mas sem sombra de dúvidas, o grande destaque do filme – que também é da série – é a Viúva Crawley, vivida pela incrível Maggie Smith. As tiradas sarcásticas e virtuosas de Lady Crawley são ainda mais ácidas e mais presentes, e a todo momento – como na série – ela rouba a cena, e tudo se volta em o que sairá da boca de Maggie Smith, ou qual cara ela fará a determinada ação ou fala de terceiros. Mesmo sendo uma válvula de comédia bem inserido na trama, existe um momento tão marcante, guardado para o final, que emociona, e presenciamos o talento de Smith em ser uma atriz versátil para a comédia mais sarcástica e para o drama mais familiar e pessoal.

O visual se mantém como sempre foi, a cereja do bolo: visual aristocrático deslumbrante e de grande importância para a construção da série que discute as lutas comuns de classes sociais tão divergentes num mesmo local. E falando de ambientação, rever o castelo de Downton Abbey ainda mais para um fã, tem a mesma sensação que ver Hogwarts para um Potterhead: o quentinho no peito de voltar para este lugar que por si só é um personagem importante e forte.

Downton Abbey é um enorme presente para os fãs da série de Julian Fellowes: revisitar os moradores e empregados deste castelo, e ainda ver um desfecho para muitos que ficaram com suas histórias em aberto, dando para todos os moradores de Downton um novo destino e final feliz, e vendo o que os anos desde a notícia da morte do herdeiro de Downton no Titanic abalou a família Crawley, e como tudo se modificou desde então, e como algumas mudanças precisaram acontecer para mostrar que Downton ainda continuará lá mesmo com as mudanças que o mundo proporcione.

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Downton Abbey

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Como um grande episódio especial, Downton Abbey reforça a importância de manter viva a imagem do castelo para o vilarejo, enquanto conclui diversos arcos que ficaram em aberto mantendo o design e a elegância de suas cenas

  • Maggie Smith rouba todas as cenas que aparece
  • Arcos simples, como os da série, que simpatizam com os fãs
  • Design de produção deslumbrante e elegante
  • Sensação de despedida agradável para todos os personagens que ficaram com pontas soltas
  • Ritmo narrativo da série mantido para a cinematografia
  • A sensação de despedida constante
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