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As Loucuras de Rose

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Ter um sonho e correr atrás para realizá-lo é algo muito comum em muitas vidas. Mas nem sempre correr atrás de nossos sonhos se alinha com as responsabilidades de uma vida adulta, e muitos sacrifícios precisam ser feitos. As Loucuras de Rose – ou, eu prefiro uma tradução mais literal, Wild Rose – acaba discutindo os sacrifícios feitos por uma jovem mãe, que tem em sua frente um sonho quase alcançável, mas que precisa olhar mais para as responsabilidades mundanas.

A história começa quando Rose (Jessie Buckley) sai da prisão, em condicional, e tenta retomar seu sonho de cantoras country; mas após um ano na prisão, seus filhos precisam de sua presença e ela precisa decidir assumir as responsabilidades como mãe, ou seguir seus sonhos. Ao longo do enredo, Rose fica no entremeio de seus dois caminhos, mas sempre pendendo para o seu sonho, que sempre é rebatido por sua mãe (Julie Walters).

O filme britânico traz em sua ambientação o clássico visual cinzento e chuvoso da ilha da rainha, o que transborda certa melancolia dramática, elemento básico para a narrativa se destaque e ganhe importância na jornada de Rose em seu dilema. A história não é exagerada ou pretensiosa em seu enredo ao abordar a jornada de uma cantora em ascensão, como Nasce Uma Estrela. Ela é bem alicerçada nos dilemas diários e comuns de uma personagem que consegue conversar com o telespectador, já que todos já tiveram um sonho, e precisavam escolher entre o sonho, e suas responsabilidades.

Um destaque bem marcante é a interpretação de Buckley: conhecida pelo seu papel na minissérie Chernobyl – muitas vezes tirando o público do sério pela sua personagem que não reconhece o perigo – ela carrega a narrativa bem, sem exagerar em sua atuação, já que tudo parte dela, e nas cenas musicais ela traz uma emoção crível e tangível, e consistente com a realidade. Entre acertos e erros de uma personagem bem falha, a narrativa é bem fluída, mas que o filme em si não exala um grande blockbuster, mas que tem ótima chances em premiações pela qualidade técnica e atuações bem emocionantes.

Como a personagem título, Rose por muitas vezes tem o apoio narrativo de outros personagens, como sua mãe, que é um grande contraponto de suas atitudes; seus filhos, em especial a menina, que tem mais expressividade; sua patroa, que atua como uma catapulta para os sonhos de Rose, e se torna uma amiga, acima de tudo. O filme também traça uma tênue linha na comédia, e que não destoa do tom.

As Loucuras de Rose mostra um rito de passagem, que apesar de imperceptível, é bem comum: o dilema de seguir seu sonho ou assumir responsabilidades reais. Com um repertório bonito da música country, que conversa com o enredo e a personagem, o longa não tem tantas loucuras da protagonista, mas é uma grande de crescimento e amadurecimento pessoal, que tem a mensagem de que todos temos nosso momento, e as vezes precisamos assumir responsabilidades, mas nunca esquecer de nossos sonhos.

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As Loucuras de Rose

7.5

Em um tom bem britânico, filme se foca na jornada de Rose na busca do que deseja ter e do que deseja ser, enquanto lida com responsabilidades

  • Visual frio contrastando com luzes mais coloridas em momentos musicais
  • Destaque de Jessie Buckley e Julie Walters
  • Roteiro básico (que nem chega a ser uma desvantagem)
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