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Projeto Gemini

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As artes cinematográficas pode parecer algo bonito para se falar de um entretenimento. Podemos prejulgar que não se usa ciência no cinema, como o próprio nome da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, mas o cinema, além de ser um meio de entretenimento que é um retrato da vida, mostra grandes avanços tecnológicos. Em nosso século, Matrix e Avatar são grandes títulos que incorporaram tecnologias utilizadas até hoje, e revolucionaram o audiovisual e nosso cotidiano. Agora é a vez de Projeto Gemini, uma empreitada de alto risco de Ang Lee, que em seu roteiro discute conceitos éticos sobre clonagem, questões psicológicas de fantasma do passado, e ainda incrementa com a ação de espionagem, mas que o grande destaque é a imersão do telespectador.

Após anos de serviço no DIA – Agência de Inteligência de Defesa, Henry Brogan (Will Smith) decide se aposentar. Um atirador de elite, ele é assombrado por tudo que fez como agente, e pelas oportunidades perdidas por dever a sua profissão. Mas que após sua última missão, ele acaba descobrindo que seu alvo foi um grande erro, e que sua morte envolve algo que ele está envolvido. Para eliminar a ameaça da verdade, sua agência manda o melhor agente para eliminá-lo: ele mesmo, só que uma versão mais jovem. Entre perseguições imersivas, Henry e sua versão mais jovem são confrontados pela verdade perceptível ao olhos.

Em termos narrativos, Projeto Gemini é okay. Ele não surpreende em nenhum momento em seu roteiro, a certo momento as ações são previsíveis, e muitos elementos trazem a sensação de “eu já vi isso antes”. E não é para menos. Para quem gosta do gênero de ação com espionagem, o filme supri todas as necessidades, mas sua história, previsível e clichê. Mas o filme não é descartável.

O ponto que vale a pena ir ao cinema e conferir é pela experiência. Ang Lee trouxe uma evolução do 3D apresentado em Avatar de James Cameron. O 3D+ traz uma imersão a narrativa ainda maior do que o próprio 3D, e é nos detalhes que o filme acaba surpreendendo. Para você que já viu no aplicativo de vídeo a opção de 720p60 de qualidade de vídeo, percebe que realmente a qualidade aumenta. Mas é aplicado a esse 60 a perspectiva de realidade que o 3D entrega, e isso aumenta ainda mais a imersão dentro do filme.

A sensação que fica ao assistir cenas de ação é que estamos dentro da ação. E isso ainda é perceptível pela forma de gravação, que se assemelha muito a como jogos de videogame são programados, principalmente os de tiro de primeira pessoa. Com câmeras bem intimistas, e sempre no ponto de visão dos personagens, somos jogados dentro do filme como um personagem, e a realidade aumenta com a tecnologia do 3D+. Outro ponto que merece destaque são as cenas de luta. Muitas vezes, elas acabam sendo um ponto fraco num filme, por ser uma cacofonia de movimentos e decisões de posicionamento de câmeras ruins, mas que em Projeto Gemini as cenas são bem coreografadas, e todas são bem detalhadas e visíveis.

Projeto Gemini narrativamente é um filme fraco, o roteiro e previsível, a narrativa é conhecida, as motivações são bem clichês, e até o vilão é um personagem muito utilizado em diversos outros filmes do gênero; o filme vale mais pelo seu visual, que utiliza ótimas locações, com grande destaque para a perseguição de moto nas estreitas ruas da Colômbia, e também pela experiência mais imersiva de todos os tempos no cinema, que lembra muito um jogo de videogame, e que vale a pena assistir na maior e melhor tela de cinema. Mesmo com uma reconstrução crível de Will Smith mais jovem, em vários momentos fica destacável que ele é uma construção digital, mas que isso não pesa negativamente na experiência de uma evolução do cinema mais imersivo de todos os tempos.

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Projeto Gemini

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Com uma sensação de já ter visto este filme em outro lugar, Projeto Gemini tem um roteiro raso sobre o reflexo de rum um sob as memórias de sua vida, mas que surpreende pelo visual aplicado a uma nova tecnologia que eleva o imersão cinematográfica

  • Imersão cinematográfica maior do que temos
  • Escolha de ambientes interessantes
  • Sensação de jogo de videogame em primeira pessoa, dando maior realismo as ações
  • Ótimo trabalho de explorar ambientes
  • Roteiro raso e com a sensação de já ter assistido essa história antes
  • Personagens que, por mais interessantes, perdem a importância dentro da narrativa
  • Previsibilidade na narrativa que não surpreende na revelação
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