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The Politician (1ª Temporada)

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A política é um tema bem complexo de ser discutido. Existem as pessoas polarizadas por um modelo, outras que se tornam alheias aos movimentos políticos, mas ela é essencial para o desenvolvimento de qualquer sociedade, principalmente para a sociedade moderna. Mas algo tão importante e complexo, atualmente, está circundado de polêmicas, e muitos escândalos. The Politician, nova série de Ryan Murphy para a Netflix, acaba discutindo diversos parâmetros extremistas da política estadunidense – e até a generalizada – em uma narrativa de comédia ácida e bem exagerada, remetendo a diversos elementos do universo de séries de Murphy.

A história segue Payton Hobart (Ben Platt), um jovem que está em seu último ano no ensino médio e sabe muito bem o que vai ser: presidente dos EUA. Mas para isso, ele precisa ter feitos grandiosos em sua vida acadêmica, e para isso, ele planeja desde muito cedo cada passo para alcançar seu objetivo. Mas vencer a presidência do Grêmio estudantil da escola de elite começa a pedir mais do que ele planejou no caminho para a Casa Branca.

Logo em seu primeiro episódio – confira nossas Primeiras Impressões – a série consegue apresentar todos seus personagens de forma bem concisa, e consegue criar empatia, mesmo se a personalidade seja duvidável, a série possui muitos personagens carismáticos, e bem caricatos, que são explorados nos episódios subsequentes. Mas é aí que vemos a assinatura de Ryan nos personagens: muitos deles lembram personagens de outras séries do produtor. Mas isso não é algo negativo, pois as semelhanças são quebradas assim que a história de cada um se desenvolve de forma surpreendente e diferente dos primos distantes.

A história utiliza inúmeros exageros narrativos que descolam da realidade, mas que ajudam no desenvolvimento do enredo. Esses exageros são importantes críticas sociais que causam o riso desconfortável: você sabe que isso em certo grau acontece na realidade, mas a forma como é inserido na narrativa, as circunstâncias, o contexto e até as falas remetem a uma comédia mais ácida que o riso nervoso sai.

A série, além de discutir um pouco do grande jogo político que acontece mais nos EUA, tenta abordar a índole de todos os personagens, do protagonista até os que circundam ele, e reflete que ninguém é bom, mesmo que suas intenções sejam boas, os meios para conseguir não são de grande valores morais.

Por mais que o foco seja em Payton e sua desconstrução de alguém autocontrolado, a série tem ótimos personagens secundários que servem de anteparo para o desenvolvimento do protagonista, e tendo narrativas próprias tão interessantes quanto o próprio protagonista. Infinity (Zoey Deutch) é uma vítima de Munchausen por procuração pela sua avó (Jessica Lange), e que de certa forma, se torna uma privilegiada se apoiando numa doença inexistente; McAfee (Laura Dreyfuss) é uma colega de chapa de Payton, que ganha mais espaço a partir do quarto episódio, e tem um papel fundamental no final da série. A nêmesis de Payton, Astrid (Lucy Boynton), uma jovem que a primeiro momento é a antagonista do protagonista, mas que se desenvolve para uma mulher que quer se libertar das aparências que é inserida.

Uma grande surpresa da série foi o núcleo familiar de Payton, em destaque a mãe do personagem, interpretada por Gwyneth Paltrow. Conhecida atualmente por ser a Pepper Potts no universo da Marvel nos cinemas, além de protagonizar Shakespeare Apaixonado, Paltrow surpreendeu por sua comédia de classe, com ótimas tiradas casuais, mas irônicas ao mesmo tempo. Além de vir dela o contrastante luxo dos vestidos e roupas com um ambiente divergente, como usar um vestido vermelho Herrera com luvas rendadas também vermelhas para jardinagem. A cena é bonita pelo contraste.

The Politician é uma ótima série teen, que tem em seu roteiro diversas críticas sociais e até crítica as próprias políticas dos EUA, e que mescla de forma contida, diversos elementos do universo de personagens de Ryan Murphy de forma que não pareça uma cópia. Mesmo com o último episódio servindo como gatilho para uma segunda temporada, que até destoa um pouco da história ate então apresentada, a série finaliza com gostinho de quero mais, já que até então estamos limitados a estratégias estudantis e acadêmicas, e que agora, tudo que os personagens aprenderam neste ano, serão aplicadas no mundo real da política.

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The Politician

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Com um personagem com um carisma duvidável, série é construída com diversos elementos pontuais de outras produções de Murphy, mas com um desenvolvimento de roteiro e enredo mais característico, com exageros narrativos e com situações ótimas de comédia, e com exageros da realidade que ajudam o enredo a ser o mais novo queridinho dos fãs

  • Uma comédia ácida bem empregada com tom de crítica social
  • Visual exagerado e caricato bem contrastante
  • Personagens secundários que não são descartáveis e até mais interessantes que o protagonista
  • Personalidade do protagonista que não gera simpatia, mas que é quebrado com seu crescimento
  • Episódio final que serve mais como primeiro episódio da segunda temporada, apresentando novos personagens, novas narrativas e um novo enredo que deixa uma lacuna ao finalizar a série
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