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Angry Birds 2

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Se você viveu o auge dos jogos mobile nos smartphones em meados desta década, já deve ter lançado um pássaro raivoso na cidade dos porcos alguma vez. O jogo Angry Birds teve tanto sucesso, que em 2016 ganhou sua primeira adaptação numa animação pela Sony, e que este ano volta com mais raiva para salvar não apenas a ilha dos pássaros raivosos que não conseguem voar e dos porcos folgados, carregando muitas mensagens positivas e de crescimento.

Após os acontecimentos do primeiro filme, Red (Jason Sudeikis) vive uma vida completamente diferente na ilha dos pássaros: enquanto rejeitado por todos no primeiro filme, ele agora é amado e reverenciado como o herói da ilha. Junto com seus amigos Chuck (Josh Gad) e Bomba (Danny McBride) eles mantêm a paz de todos os pássaros protegendo eles dos inúmeros ataques de Leonard (Bill Hader) que continua “atazanando” os pássaros. Mas quando o descobrindo inusitado de uma terceira ilha, e da intenção de sua líder com as duas outras ilhas, os força a unir forças para tentar detê-la antes que ela acabe com as ilhas dos porcos e dos pássaros.

O filme segue os mesmos moldes narrativas do primeiro filme, o que deixa o filme confortável, mas não deixa a sensação de um filme preguiçoso. Isso porque enquanto no primeiro filme a discussão se focou no protagonista, um pária se voltar contra uma ameaça em potencial para a sociedade que o rejeitou, e não “se vingar” em não fazer nada para protegê-los. O primeiro filme conversa com a sensação de isolamento social e como as diferenças são importantes. Já o segundo ele conversa com um sentimento quase oposto: o egocentrismo social, partindo do sentimento de heroísmo do protagonista.

Agora, como herói dos pássaros, Red demonstra um egocentrismo em sua personalidade ranzinza, e quando a necessidade de salvar novamente sua ilha acaba atrapalhando em muitos momentos. E é numa sucessão de ações egocêntricas que ele acaba desenvolvendo, minimamente, um machismo tóxico. Para salvar as ilhas, eles precisam de novos integrantes que possam ajudar, e a principal delas, Silver (Rachel Bloom), irmã de Chuck, é uma parte essencial para a missão: inteligente, destemida e muito engenhosa, ela acaba sofrendo um pouco do machismo tóxico que Red assume para ainda se manter na liderança do grupo.

Mas isso não é nenhum ponto negativo no filme, pois a proposta é desenvolver o crescimento do personagem, e superar seu egoísmo heróico e seu machismo tóxico. E a mensagem é bem clara para as crianças, principal público do filme: temos diferenças, e todas são válidas, e ninguém é menos que outras pessoas. Logo, o papel de liderança recai para Silver, que é o cérebro capaz de derrotar outro cérebro tão grandioso do filme, que é a vila, Zeta (Leslie Jones).

A vila tem ótimas cenas de comédia, inseridas na ambientação glacial que ela vive, além de ser uma personagem bem complexa em si, com uma motivação até que plausível (em sua cabeça) para ser uma antagonista. E que assim como qualquer novela latina, seu background ele é repleto de reviravoltas inusitadas, que está envolvida com Super Águia (Peter Dicklage).

A animação ainda conta com personagens secundários importantes para o clímax da história, que lembram muito a função do Scratch, esquilo famoso de A Era do Gelo: com uma história de comédia simples e muito fofas, que só servem para aliviar ainda mais a narrativa que é divertida e que conversa com o público alvo, e ainda resume bem a mensagem de unir forças com os diferentes.

O visual continua chamando a atenção pelas formas mais estruturais dos animais, que criam empatia com o público, e ainda reforçam a estética do jogo. O filme brinca ainda mais com piadas e situações cômicas, que auxiliam no desenvolvimento da narrativa, ou simplesmente existem para dar mais momentos de risos.

Angry Birds 2 repete a fórmula do primeiro filme, e ainda conversa com um público que gosta de relaxar a ver um filme de comédia. Com mensagens bem mais densas (pelo menos, a sensação que senti ao assisti-lo), longa desenvolve um crescimento dos personagens, e cria maior empatia com seu público alvo, com personagens que se relacionam com eles, numa animação leve e divertida.

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Angry Birds 2

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Repetindo seus acertos na primeira animação, Angry Birds 2 reforça sua mensagem de superar as diferenças e unir forças para lidar com as ameaças, com ainda mais momentos de comédia, e com construção de personagens interessantes para seu público alvo

  • Narrativa simples e de fácil empatia
  • Personagens bem construídos
  • Animação bem característica e que reforça a estética do jogo
  • Reviravoltas de novela mexicana
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